Hipoglós, Merthiolate, Sonrisal e Pato Fu

Um show de efeitos sonoros e visuais: assim é a apresentação da banda mineira Pato Fu, que esteve em Viçosa em julho deste ano e atraiu cerca de 2,7 mil pessoas para o Espaço Multishow. Foram 21 músicas, de baladas, como Agridoce e Anormal, ao heavy metal de Estudar pra Quê e Capetão 66.6 FM.

Com 14 anos de estrada, a banda mantém o fôlego do início da carreira e a cada novo trabalho mostra a alta qualidade das composições, sem se preocupar com padrões estéticos exigidos pela crescente indústria da música. “Não dá pra ficar se adequando ao mercado. É importante fazer o que se gosta.A gente não faz música preocupado se vai tocar na rádio jovem, na rádio classe A ou na popular. A gente só sabe fazer música dessa forma”, afirma Fernanda Takai, volcalista que divide o palco com John (guitarra, voz e programação), Lulu Camargo (teclados), Ricardo Koctus (baixo e vocal) e Xande Tamietti (bateria).

Depois do sucesso do CD de inéditas Toda Cura Para Todo Mal, o público aguarda o lançamento do DVD homônimo com todos os novos clipes, making of do disco, cenas da turnê e vários outros vídeos bônus.

Em entrevista exclusiva ao Estúdio Ao Vivo, Takai falou da trajetória, do estilo e das composições que fazem do Pato Fu uma banda universal.


Tom Hertz · Vocês concordam quando dizem que vocês mudaram a cara do Pop Rock Nacional?
Pato Fu · Não! O rock nacional tem caras diversas. A gente é só um pedacinho do todo. Uma banda que poderia dizer isso é a Blitz que foi pioneira em diversos aspectos, não a gente. Principalmente porque não somos do tipo de banda que gera clones. Por exemplo: hoje ao ouvir o rádio, às vezes as faixas vão passando e não se sabe mais quem é que toca porque uma banda é muito parecida com a outra. Tanto o jeito de cantar, o som, quanto os assuntos. Vira um movimento. A gente nunca inspirou tanta gente assim.

Tom Hertz · Agora o Pato Fu tem um novo integrante, que é o Lulu Camargo. Muda o estilo, a dinâmica de produção, o clima dos shows?
Pato Fu · É muito bom ter um pianista de verdade. Acho que o show só melhorou e as nossas possibilidades no estúdio também! Parece que o Lulu sempre foi um integrante do Pato Fu disfarçado em outras bandas.

TH · Várias letras são irônicas, mas é uma ironia divertida e voltada para o cotidiano, como em /Vida de Operário/. É uma questão particular ou vocês se preocupam em levar uma visão diferenciada do ouvinte sobre a realidade?
PF · Acho que mesmo assuntos sérios podem ser tratados com menos cerimônia. A maioria das letras tem no cotidiano a maior inspiração. Não necessariamente o nosso dia a dia, mas o que observamos no cinema, nos jornais e revistas, algo que tenha acontecido com alguém conhecido… O interessante é deixar que as obras tenham leituras abertas, dependendo da experiência e repertório de cada um.

TH · Também há várias críticas à mídia nas composições do Pato Fu. Isso acontece em TV de Cachorro, Vida Diet e Estudar Pra Quê?. Vocês têm alguma aversão à mídia ou a crítica é apenas ao caráter superficial de algumas empresas e programas?
PF · Não, nenhuma aversão. Eu gosto delas, mas procuro ser uma usuária crítica. O que falamos nas músicas é que não adianta culpá-las se nossa própria atitude for apenas passiva… Dá pra assistir a bons programas na tv, temos que mudar de canal, procurar e escolher o que ver. Não podemos simplesmente ligar a tv, escolhê-la como principal companhia e deixar de ler livros, tocar violão, conversar com as pessoas etc…

TH · Os cds do Pato Fu são, entre si, muito parecidos, mas isoladamente, muito dinâmicos. Há uma preocupação da banda em manter esta identidade?
PF · Não é uma preocupação, é como somos. A gente não se limita a estéticas ou assuntos musicais, por isso os discos têm esse ponto em comum: variedade. Cada música tem seu universo sonoro e lírico e sua vida em relação ao ouvinte. Esse nosso jeito de ser é natural pra gente, não há planejamento racional. As canções acabam acontecendo dessa forma…

TH · Tem alguma diferença relevante entre fazer show numa cidade pequena como Viçosa, para um público reduzido, e numa cidade maior?
PF · Faz diferença quando faz tempo que estivemos na cidade. As pessoas ficam mais animadas e a gente também! Pra falar a verdade, platéias grandes demais são meio impessoais. Nem eles nos assistem de perto, nem a gente sabe se o show está bom de verdade… Vira um bolão de gente apenas. Eu diria que os melhores shows são aqueles para até 2 mil pessoas. A relação palco/público é mais quente.

TH · Para vocês, qual a verdadeira cura para todo o mal?
PF · Não existe a cura para todo mal, mas ninguém precisa acreditar nisso… É melhor a gente seguir tentando! Um dia pode ser melhor do que o outro. Isso basta.

···
O Pato Fu apresenta-se hoje em Belo Horizonte, no Teatro Municipal, como parte do Projeto Conexão Telemig Celular.

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