Calourada de Integração

Calourada de Integração

Na sexta-feira, 30 de março, em mais uma tradicional Calourada de Integração promovida pelo Diretório Central dos Estudantes quatro bandas tocaram no Espaço Multiuso da Universidade Federal de Viçosa. O evento faz parte de uma programação cultural que possui duração de quatro semanas e inclui apresentação de Aline Calixto e outras três bandas até meados de abril.

Ana Maria Baiana, da organização, diz que a essência da festa é “poesia, paixão e revolução pela mudança de comportamento”. “Não se trata apenas de revolução política, mas de uma revolução cultural, pra gente poder valorizar mais as diferenças”, completa.

A festa manteve a característica de mesclar diversos ritmos: a percussão da Pequena Orquestra Ararita, o regionalismo do Trem Mineiro e os covers Hocus Pocus (Beatles) e The Dark Side (Pink Floyd).

O Estúdio ao Vivo entrevistou os integrantes das bandas e apresenta com exclusividade o perfil de cada uma.

Pequena Orquestra Ararita


Integrantes:
Mateus · caixa
Volaque · alfaia
Melão · conga
Juliana e Kívia· efeitos, chocalhos, agogô
Renan · flauta transversal e cuíca
Adê · vocal

Influências:
Nação de maracatu Estrela Brilhante
Nação de maracatu Porto Rico
Nação de maracatu Pernambuco
Nação Zumbi
Congado
Tambores de Criolas do Maranhão
Siba [um dos vocalistas e rabequeiros do Mestre Ambrósio]

Percussão, música negra, cânticos e ciranda. Em sua primeira apresentação oficial, a Pequena Orquestra Ararita garantiu a interação com o público e arriscou até uma execução em ritmo dance, demonstrando domínio do arranjo musical.

O grupo começou a tocar em pequenas reuniões na casa dos integrantes e resolveu preparar um repertório para tocar em palco. Segundo Volaque, a banda foi formada “com o intuito de aproximar a cultura popular da galera. Primeiro, porque é uma coisa da nossa raiz, da nossa gente, depois porque o nível de organização que pode atingir fazendo percussão é enorme. A gente tem muita vontade de ver as coisas acontecendo. Cansamos de ver aqui em Viçosa esse movimento torto em que procuram as coisas que são de fora ou que são pra vender, que não interessam pra gente”.

Trem Mineiro

Integrantes
Thyaga · voz e violão
Valtinho · acordeon
Carine · voz
Thomas (Bulldog) · baixo
Jaqueline · voz
Maurício Xima · bateria

Influências
MPB
Música nordestina (regional)
Música mineira (regional)

Quase 11 anos de carreira e um repertório que agrega forró, maracatu, MPB, congado e frevo. Além de composições próprias, a banda Trem Mineiro resgata clássicos da legítima música brasileira, como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Thyaga e Valtinho do Acordeon começaram tocando música popular e forró em pequenas festas e foram bem aceitos em pouco tempo de apresentações pela cidade.

Neste ano, já com CD e DVD lançados, o grupo renovou-se e conta com a participação de Thomas (Bulldog) e Jaqueline. “A gente manteve o som pesado, misturado ao forró, à MPB. É muito difícil manter isso porque a tendência das pessoas é seguir modismos. Nessa formação nova, a gente quer apelar mais para o regional, usar rabeca, tambores, mas sem perder a modernidade”, afirma Thyaga. “Eu me identifico muito com a música mineira. Cresci junto com o Clube da Esquina [banda que marca a origem da música regional mineira], vendo aqueles shows, acompanhei todo aquele movimento, assisti todos os lançamentos. Minha vida sempre foi muito alternativa, conhecendo cancioneiros, cantadores e o pessoal do Vale do Jequitinhonha”.

Thyaga lamenta a falta de valorização da música brasileira. Ele questiona o fato de que as pessoas precisem “relembrar sucessos antigos para compor um entusiasmo devido à carência de música nova, sendo que há muitas manifestações e grandes músicos que não têm oportunidades”.

Curiosidade
Bulldog e Thyaga já venceram a eliminatória de um Festival Budista em São Paulo e representaram o Brasil ganhando prêmios de melhor composição, representação folclórica e prêmio especial do jurado na fase final que aconteceu na China.

The Dark Side

Integrantes
Gustavo · vocalista e guitarrista
Carlos · guitarrista
Ângelo · guitarrista e flautista
Éder · tecladista
Marquinhos · baixista (participação)
Digão · baixista
Pedro · baterista

Cover de Pink Floyd, banda inglesa que surgiu em 1966 e teve seu auge na década de 70, The Dark Side [referência ao CD The dark side of the moon] não deixa de mostrar autenticidade e apresenta também composições próprias. A banda, que também toca músicas de Led Zeppelin, Jethro Tull e Deep Purple, tocou pela primeira vez em 1998 e já gravou um CD independente, Something to Reflect. “A proposta é ser bem progressiva”, afirma Carlos.

Os integrantes promovem o Festival Camping & Rock anualmente, onde têm a oportunidade de tocar com diversas bandas mineiras. Neste ano o evento ocorre entre os dias 27 de abril e 1° de maio em Itabirito (MG).

Hocus Pocus

Uma das maiores bandas cover dos Beatles, Hocus Pocus se propõe a executar com perfeição as canções de todas as fases do quarteto inglês. No show da última sexta, além dos sucessos “Help”, “I want to hold your hand”,“Hard days night” e “Come Togheter”, os beatlemaníacos puderam cantar sucessos do CD Sgt. Pepper’s lonely hearts club band, lançado em 1947.

Confira trechos das entrevistas com os integrantes da Hocus Pocus:

Teco Mafra (tecladista)
Eu estou na banda há quatro anos. A maior dificuldade que enfrentamos hoje é a falta de lugar pra tocar em Belo Horizonte. Há menos espaço, mais bandas, muita música eletrônica, poucos lugares em que valorizam as bandas, que fornecem condições honestas [para a banda tocar].

Pode ser até no ensaio, tocando pra nós mesmos, sempre tem os momentos em que a gente se sente gratificado de estar fazendo o som. É uma banda que toca só Beatles, uma coisa meio mágica, é o que significa Hocus Pocus. Os Beatles foram a banda que inventou a música pop. São atuais até hoje nas músicas que eles fizeram.

Daniel Lima (vocalista e guitarrista)
Tocar Beatles já é um estudo, uma escola. A partir do momento em que eu entrei na Hocus Pocus voltei a escutar e estudar Beatles, pra reproduzir isso no palco. Isso me força a cada dia querer ficar melhor. Nem sempre você tem todo estímulo pra estudar. Toca só por instinto. Mas tem horas que você tem que juntar o instinto com a prática da música.

A cada dia a banda está mais tocando com uma independência e sintonia muito grande. Demorou muito pouco tempo pra poder perceber que era muito mais que uma banda, era uma família. O espírito é esse da banda, e eles já trazem isso desde o começo. As novas gerações incorporam de uma forma muito fácil, porque isso rola muito naturalmente, a força propulsora da banda é o amor pelos Beatles e entre as pessoas também, a gente tem que se curtir pra poder fluir bem, é uma família mesmo, seria a melhor definição.

A gente bebe na fonte dos Beatles, não só musical, na fonte comportamental. A gente admira cada um deles, de ter quatro personalidades muito diferentes dentro de uma banda que foi a mais forte da história. Eles sempre deixaram muito claro que as diferenças deles não interferiam na hora de colocar a arte pra fora. Dentro do Hocus Pocus é claro que tem cinco pessoas com cabeças diferentes, passados diferentes, cada um teve uma escola de uma maneira, mas a união, esse clima familiar que tem é o que faz a coisa fluir, eliminar as diferenças naquele momento que a gente está tocando.

Jô Andrade (baterista)
Acho que a primeira dificuldade foi uma banda no início dos anos 80 tocar só um gênero, só Beatles. Talvez não tenha sido uma dificuldade, acho que foi um grande desafio que a gente venceu. No começo, o pessoal que ia assistir Hocus Pocus, era o pessoal que tinha curtido Beatles nos anos 60. Acho que os pais foram passando para os filhos. Hoje, o público da banda é de 8 a 80. Eu tenho uma filha de 9 anos, que quando ouve uma música que tem vocalização, três vozes, pergunta “pai, isso é Beatles?”. Eu acho o maior barato. Todo mundo hoje está curtindo Beatles, que foi a escola de música de todo mundo.

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Um comentário sobre “Calourada de Integração

  1. Vale ressaltar que a gigante-ciranda-ararita partil da iniciativa de E.F.N.A. (estudante da UFV que nao quer se identificar). Parabéns pela iniciativa!

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