Ídolo sem fim

Quase 20 anos depois de ter sido gravada no disco SETE da banda 14 Bis, a música Canção sem fim dá nome ao CD de Flávio Venturini gravado ano passado pela Tilhos.Arte. O cantor mineiro, que voltou a morar em Belo Horizonte depois de trinta anos no Rio de Janeiro, foi a atração principal do Espaço Parthenon na noite do dia 1° de junho.

No palco, um show duo. Acompanhado pelo guitarrista Reginaldo Silva, Venturini se revezou entre teclado e violão, apresentou faixas do novo CD e, além de Espanhola, Todo Azul do Mar, Linda Juventude e Máquina do Tempo o cantor relembrou outros sucessos da carreira.
Na platéia, cerca de 500 pessoas foram prestigiar o show. Algumas indicações feitas pelos fãs foram atendidas e incorporadas ao repertório que rendeu quase 2h de música.

No camarim, Flávio Venturini concedeu entrevista exclusiva ao Estúdio ao Vivo, falou um pouco do CD Canção Sem Fim e dos projetos que pretende realizar.

Tom Hertz · Flávio, o novo CD marca uma nova fase na sua carreira? O que esperar do Flávio Venturini nessa nova fase?
Flávio Venturini · Eu não acho que é uma fase tão nova, ainda. Eu acho que a minha volta a Belo Horizonte, às origens de lá, o reencontro com alguns amigos músicos, o próprio ambiente musical de Belo Horizonte e também a proposta que eu tive de sair dos grandes centros e me dedicar agora mais à composição, com certeza vai ter uma repercussão no meu trabalho. Tem um pouco nesse disco algumas canções novas que eu gravei, já feitas aqui em Minas e, gravei também, algumas coisas que eu vinha guardando, nunca gravava, tipo Belo horizonte e Retratos. Acho que essa vinda a Belo Horizonte vai mexer em vários setores na minha carreira, um dos quais vai ser o trabalho instrumental, que é onde eu sempre fico meio embolado com a minha carreira. Geralmente eu fazia um show, gravava uma música, e agora eu quero não só gravar um disco instrumental, como abrir uma vertente dentro do meu trabalho com show só de instrumentais. E aí, outras coisas como trilha de filme, uma peça infantil que eu estou escrevendo, quero terminar uma trilha que vai dar dois CDs. As músicas já estão prontas, só falta eu terminar a peça. Coisas assim, alternativas para eu poder botar dentro do meu selo.

Tom Hertz · Porque voltar às origens depois de tanto tempo no Rio?
Flávio Venturini · De um tempo pra cá, eu havia pensado em sair do Rio. Pensei até em ir pra Bahia, pra outros lugares, acabei voltando pra Minas e acho que foi a decisão acertada. Vir morar num lugar que eu já adorava desde criança, minha terra, minha família, amigos, tudo, o ambiente todo. Minha vida é na estrada mesmo, o Rio está a uma hora de avião, São Paulo também, então não é tão diferente. Claro, eu freqüento menos as rodas do Rio, eu nunca fui um cara tão ativo socialmente, de querer sair toda noite, de estar em todas as festas, não, eu sou um cara muito caseiro. Então, não mudou muito, mudou no sentido do ambiente mesmo, que eu acho que vai influenciar.

TH · O que há de mineiro nas músicas de Flávio Venturini?
FV · Eu acho que a harmonia. O mineiro tem um foco harmônico diferente dentro do Brasil. Acho que a música mineira tem não só uma melodia boa, mas um enfoque forte na harmonia. Mesmo o pessoal do rock tem um trabalho que, harmonicamente, eu acho mais rico que as outras bandas de rock do Brasil. Isso é uma das características do mineiro. [E também,] a coisa das letras bem trabalhadas, bons letristas que têm aqui, bons poetas.

TH · Em que sentido a banda e os músicos que você convidou pra gravar o CD, influenciam ou complementam o seu som?
FV ·
Influenciam muito porque eu sou do tipo de músico que deixa o músico criar. Claro que às vezes eu falo “faz assim”, por exemplo. [Quando] eu estou fazendo um show e estou procurando resgatar com a banda os arranjos originais, então eu procuro pedir aos músicos que toquem como está no disco. É uma coisa que eu acho bonita, o cara chegar no show e ouvir como é no disco. Mas, no caso da criação de um CD, dificilmente eu chego para o músico e falo “faz esse solo assim”, eu deixo o cara criar. Já chamo alguém que eu acho que é bom, que vai dar conta do recado. Claro que os arranjos, globalmente, eu estou atendo aos arranjos e o meu produtor também, que tem sido o Torcuato Mariano. O Torcuato interfere muito nos arranjos e cria os arranjos junto comigo. Eu acho que é muito importante, sempre, a participação dos músicos.

TH · Porque Canção Sem Fim consegue ilustrar esse novo CD?
FV · Eu vinha atrás desse nome já há algum tempo. E foi uma coincidência [porque] muitas pessoas me pediram para regravar essa música do 14 Bis, e eu realmente gosto desta música. Eles (14 Bis) ameaçaram gravar num certo momento e eu falei “ai, tomara que eles não gravem porque eu quero regravar”, e eu relamente regravei. Eu achava que era um bom nome pra um disco de canções que era o objetivo deste disco, fazer um disco de baladas e de canções.

···

Depois do show, o cantor recebeu alguns fãs, fotografou e distribuiu autógrafos. Ele ainda comentou que pretende voltar à Viçosa, da próxima vez acompanhado de toda a banda.

· Próximas apresentações:
Para a agenda de junho, Flávio Venturini se apresenta dia 9 na Praia do Forte (Salvador · BA), dia 12 no Teatro Álvares de Carvalho (Florianópolis · SC), dia 13 no Teatro Paiol (Curitiba · PR) e dia 14 no Dado Tambor (Porto Alegre · RS).

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