Não se pode dizer que um estilo musical surge com data e hora marcadas. Mas sempre há um “boom” – banda ou evento – que faz certo ritmo despontar e dominar os “tops” da música.

Nos anos 80, os norte-americanos acompanhavam o fenômeno Pop – tudo o que era diferente da música clássica, artística e folk. Nomes como Michael Jackson, Madonna, A-Ha, The Police e ABBA fizeram muito barulho com álbuns que alcançaram marcas históricas em consumo.

Diferente do Rock tradicional em ritmo, expressão, aparência e atitude, o Pop chega ao Brasil e influencia o modo de fazer e ouvir música. A fusão de estilos ganhou espaço diante do Underground (depois Alternativo e Indie) e do ritmo “norte-americanizado”.

Repressão e censura fizeram com que o Rock perdesse espaço para uma adaptação mais “light”: o Pop-rock. Guilherme Arantes, Marina, Ney Matogrosso, 14 Bis, Beto Guedes, Baby Consuelo e Pepeu Gomes – acredite! – foram artistas pioneiros do gênero.

O fim da ditadura militar trouxe um movimento musical de força que não se via no Brasil há tempos. Não é por pouco que é essa a década consagrada, a mais popular, mesmo entre os jovens que não a viveram.

De onde vem a dificuldade em distanciar o Pop do Rock nacional?

A música brasileira já provou que não cabe em padrões ou rótulos genéricos. E os grupos mais representativos surgiram na mesma época, com uma variedade de músicas que se enquadram no mesmo estilo – mas não deixam de ter suas particularidades e influências diversas:

do Rio Grande do Sul, o grupo Engenheiros do Hawaii e a banda Nenhum de Nós; de Brasília, Plebe Rude, Capital Inicial e Legião Urbana; Os cariocas da Blitz e Cidade Negra, os paulistas do Titãs; Lulu Santos, Barão Vermelho, Kid Abelha e Paralamas do Sucesso; a rebeldia e irreverência de Ultrage a Rigor e Ira!.

Hoje, há um movimento como o que ocorreu nos anos 80, mas agora, ao contrário, influenciado pela crise das grandes indústrias fonográficas e pela tela do computador conectado a rede: fácil acesso, disponibilidade de músicas, novas versões e baixo custo. O Pop-rock não acabou, mas as bandas tradicionais têm perdido espaço para a força da música alternativa: grupos Undergrounds estão descentralizando, novamente, o cenário musical brasileiro.

O que será da música daqui pra frente, ninguém arrisca. O que se sabe é que a riqueza cultural do Brasil nunca deixou de influenciar essa produção que não cai em crise sem revelar outros caminhos.

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A partir da próxima semana, toda segunda-feira você confere um texto sobre um estilo musical. Aproveite pra conhecer um pouco mais sobre música e comentar sobre as “divagações” do Estúdio

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