Entrevista – Cachorro Grande

Gabriel Azambuja, baterista da banda Cachorro Grande, concedeu ao Estúdio ao Vivo uma entrevista exclusiva, durante sua viagem de São Paulo a Porto Alegre, falando sobre a banda e o cenário musical no Brasil.

Rótulos

Ao falar que o “Rock Gaúcho” foi um ícone, parece que todas as bandas do sul fizeram um grande sucesso. O Rio Grande do Sul tem muitas bandas de rock, todas elas bem diferentes umas das outras. A diferença daqui é que nosso interior do estado tem capacidade de sustentar essas bandas. Uma banda pode se sustentar a vida inteira tocando só no interior do estado, sem concorrência ou problema algum. Basta fazer um trabalho decente. Porém, isso não traz visibilidade alguma para o resto do país, evitando que ela cresça.

Nos anos 80, esse termo foi inventado aqui no sul por causa da onda Cascavelletes e TNT (acredito que nem Flávio Basso nem Charles Master gostem desse título), mas isso não se espalha pro resto do Brasil, na verdade até atrapalha as bandas em certos aspectos. Imagine você tendo um trabalho de blues em Recife e vai tocar em São Paulo, daí é anunciado como “banda de mangue beat”. Esse tipo de rótulo atrapalha na hora em que uma banda tenta a vida fora do seu estado de origem.

A Cachorro Grande é uma banda gaúcha de rock n’ roll, não somos rock isso nem rock aquilo. Temos o maior orgulho de ser e dizer que somos gaúchos, mas nunca fomos e nunca seremos uma banda de “rock gaúcho”.

Oportunidades

Eu acredito que realmente as bandas boas, que a gente gosta, não têm o seu devido lugar ao sol. Não são todas, hoje em dia existem bandas brasileiras muito boas fazendo sucesso aqui no país e lá fora também. São poucas, mas existem.

Eu culpo, além das gravadoras (que a cada dia estão mais falidas e sem espaço), o grande publico, que se limita a ver só o que é imposto a eles pela grande mídia. Apesar disso, com a baixa das gravadoras e a alta dos downloads, fica cada vez mais fácil para as bandas mostrarem o seu trabalho para o país todo. Basta fazer um trabalho decente.

Dificuldades

Acho que as dificuldades são as mesmas para todas as bandas que estão iniciando, ou já estão na ativa há algum tempo. O que mais prejudica é a falta de estrutura em casas de show de médio porte, o preço dos ingressos, o preconceito, o jabá em algumas rádios que tocam rock e a dificuldade de se locomover de um lugar para o outro. No mais, tiramos de letra.

Momento marcante

Esse mês nós chegamos à marca de 18 capitais dentro do Brasil, juntando as turnês dos quatro discos. Foi muito marcante tocar no Piauí, em Tocantins e ver muitos fãs nossos cantando todas musicas, inclusive as do disco novo. Coisa que, em qualquer outra capital, só acontecia depois de um ano de turnê. Fantástico!

Com Nando Reis no Estúdio Coca Cola

O Nando é uma cara do qual sempre fomos muito fãs na época dos Titãs. Ao conhecer o cara, você vê que ele é fora de serie. Muito fã dos Beatles, como a gente. Ele e Os Infernais têm tudo a ver com a gente. Por isso, dividir o palco com eles foi quase que natural. Pode-se dizer que falamos a mesma língua quando estamos dentro ou fora do palco. Por esses dias, dividimos novamente o palco no Ceará Music e foi, no mínimo, perfeito.

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