O I Festival Nacional da Música Brasileira foi promovido por Solano Ribeiro, pela TV Excelsior. Era 1965 e Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes com interpretação de Elis Regina foi a grande vencedora. Elis depontou para uma carreira de sucesso. Confira a letra e trecho da apresentação:

Eh! Tem jangada no mar
Eh! Eh! Eh! Hoje tem arrastão
Eh! todo mundo pescar
Chega de sombra, João
J’ouviu?
Olha o arrastão entrando no mar sem fim,
Eh, meu irmão, me traz Iemanjá pra mim.
Minha Santa Bárbara,
Me abençoai,
Quero me casar com Janaína
Eh! puxa bem devagar
Eh! Eh! Eh! Já vem vindo o arrastão,
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede, João
Pra mim…
Valha-me Deus Nosso Senhor do Bonfim,
Nunca, jamais, se viu tanto peixe assim.

No III Festival da MPB, dois anos depois, as músicas finalistas marcaram época e movimentos.

Roberto Carlos interpretou Maria, Carnaval e Cinzas, de Luiz Carlos Paraná; Domingo no ParqueGil – e Alegria, alegriaCaetano – eram a face da inovação do Tropicalismo. Resultado: 2º e 4º lugares; Chico ficou em 3º com a histórica Roda Viva.

A grande vencedora não é menos marcante: Ponteio de Edu Lobo, agora em parceria com Capinam. Edu interpretou a canção com Maria medalha, Momento 4 e Quarteto Novo.

O Sobre o Som de hoje traz uma paródia da canção Ponteio baseada na música Arrastão, numa homenagem a Edu Lobo.

Acompanhe a letra (a parte em negrito é a versão do Estúdio ao Vivo):

Era um, era dois, era cem
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse um amor ou dinheiro
Era um, era dois, era cem
Vieram pra me perguntar
Ô você, de onde vai, de onde vem
Diga logo o que tem pra contar
Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem vento

Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar
Ponteio, todo mundo pontear

Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto falado sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era morte redor mundo inteiro
Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não me lembro de dor nem receio
Só sabia das ondas do mar
Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se a tomo a viola, ponteio
Meu canto não posso parar não

Era o sonho no esboço da rede
E pulsava, esforço de vida
Era um mar de batalha, de espera,
E cantava som de despedida
É ressaca de mar que se sente
Puxava compasso de rezaa
Era fácil, era frágil brinquedo
Que navega contra a corrente
Esquece que a força das armas
Da marcha que cessa o cantar
E que leva pro fundo o brinquedo
É a mesma que afunda de lá

Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar já convém
Prometendo um novo ponteio
Certo dia que sei por inteiro
Eu espero não vá demorar
Esse dia estou certo que vem
Digo logo o que vim pra buscar
Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar pra cantar

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Um comentário sobre “

  1. É com alegria e satisfação que venho manifestar meu entusiasmo ao saber que música brasileira está sendo preservada e valorizada por pessoas como vocês!

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