Nos anos 70, a MPB mudou de cara e de indioma; de tons e estilos; de busca e discurso. O romantismo foi posto de lado e a linguagem, agora, era contra a repressão. Começam a se destacar as vozes femininas e a diversidade. Liberdade e justiça social viram lemas, mas a censura também deu um tom solene e superficial às palavras.

De autores e intérpretes mais populares – Odair José, Wando, Roberto e Erasmo – aos mais “eruditos” – Gonzaguinha, Ivan Lins, Aldir Blanc, João Bosco – e, ainda, aqueles que transitam nesse meio termo – Chico, Caetano e Gil -, mistura de ritmos deram nova roupagem à música. Era um período de transição em que a MPB tentava encontrar seu lugar.

Destaque para as mulheres, cantoras e compositoras: Joyce, Marina, Rita Lee e Ângela Ro Ro. Elis veio cada vez mais estonteante no palco.

Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes, passaram de reuniões em bares da esquina a discos de “tudo numa coisa só”. Eram os mineiros do Clube da Esquina contra-samba-e-bossa-nova, com quase nada de pop nos arranjos, mas com uma tendência que marcou a geração 70.

Todo um time de campeões de audiência na música surge, tímido, nessa época. Djavan de Alagoas; Fafá de Belém; Belchior do Ceará; novos sons explorados pelos inquietos Novos Baianos; vozes a acordes marcantes de Gal Costa, Ivan Lins, Zizi Possi e Simone; Ney Matogrosso, Alceu Valença e Elba Ramalho, intérpretes cheios de graça e perfomances.

A década seguinte traz novos rumos de experimentações. Raul Seixas explode e dispensa classificação e análises: o baiano explica-se em cada verso.

O jazz vem a tona com Luiz Melodia, que driblava o mercado e fazia quase um underground pulsar nas veias brasileiras.

Funk, rock e reggae com os grupos Rumo (da chamada “vanguarda paulista”) e Premeditando o Breque (formado por estudantes de música que escreviam canções escrachadas, algumas proibidas pela censura) eram a deixa para os grupos de pop-rock tomassem para si o foco da década de 80 e fizessem barulho com a ousadia das letras.

O exílio de grandes artistas foi o motivo que levou a MPB a perder destaque. Sem um padrão definido de estilo, o “complexo cultural” revelado na época foi a maior herança deixada pela música. Foi aí que a MPB tornou-se música elitizada, de “bom gosto”. Com a abertura política, o estilo-não-definido da música popular brasileira tornou-se símbolo de uma época de luta da poética.

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