O perigo em se falar de MPB hoje é recair sobre o reducionismo do estilo mais clássico ou expandir muito, levando em conta tudo o que é mais popular – e aqui entram o Rap, o Funk, o Sertanejo, e por aí vai.

O problema é saber como definir “popular”: é o que está nas rádios, na TV; ou o que vem do povo? É o que tem fácil acesso?

Por essas confusões, tratemos a MPB aqui como o estilo que tornou mais pública essa classificação. Aquele que causou estrondo ao burlar censuras.

E o que seria hoje a MPB?

Após perder espaço para o fenômeno rock/pop-rock dos anos 80, a regra que dita as produções da atual MPB é inovação.

Os mais recentes destaques do estilo mesclam resgate e experimentação. Nos anos 90, Chico César, Lenine e Zeca Baleiro trouxeram ritmo dançante e romantismo inquieto. Novos instrumentos e sonoridades que remetem às canções regionais/interioranas foram incorporadas à riqueza acústica. Vozes marcadas pelo sutaque carregado deram cara de diversidade à música.

Hoje, Maria Rita, já livre do estereótipo “filha de Elis” conta com um talento próprio, trabalhando em cada novo disco sempre com novidades a cantar e conquistar o público. Ana Carolina, que revelou-se pela voz grave e um show cheio de efeitos sonoros, explora cada vez mais as letras polêmicas e mantém o ritmo de crescimento estético. E ainda fez parceria com Seu Jorge, que rege a música com um timbre inconfundível. Vanessa da Mata trouxe simpatia, voz amena e melodias que misturam tecno à melhor essência da MPB clássica.

Quase no mesmo patamar, os nomes ainda desconhecidos de Céu (que estreeou com sucesso aqui e na França), Mariana Aydar (paulistana de 26 anos que lançou o ótimo trablaho Kavita 1) e Otto (que lança agora o DVD MTV Apresenta) transitam entre samba de raiz, batidas eletrônicas, vozes marcantes e suaves que se confundem com a própria melodia das músicas.

Para fechar o quadro da MPB atual, a releitura e o retorno dos artistas anos 60/70 continuam fazendo o mercado fonográfico.

Chico Buarque lançou Carioca em meio a expectativas – acumuladas por anos – pela volta aos palcos de um dos artistas mais completos da música.

Ney Matogrosso, que começou no pop do grupo Secos e Molhados, não deixa de mostrar-se cada vez mais performático em shows que revisitam compositores e o fazem o grande intérprete da atualidade.

Nara Leão tem sido homenageada e terá as músicas na voz de Fernanda Takai em CD a ser lançado ainda este ano, sob produção de Nelson Motta.

Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown continuam fazendo composições fantásticas. Os dois primeiros lançaram CDs recentemente. Resultado: sucesso de vendas e de público nos shows cada vez mais bem produzidos pelo/para o teatral Arnaldo e a exuberante Marisa.

O que não se pode é esperar que a MPB não mude nem agregue novas tendências e ritmos. Mas ainda há de aparecer um movimento tão fugaz quanto o que abalou o Brasil na década de 60.

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