No som da viola

A música caipira nasceu sob o preconceito de muitos quando representantes da música urbana tomavam conta das rádios e das três gravadoras existentes no Brasil, e assim continuou até o fim da década de 1920. Francisco Alves e Vicente Celestino eram sucesso absoluto nas rádios e nas vitrolas, enquanto a música de viola permanecia na obscuridade.
É nessa época que entra em cena um pioneiro: Cornélio Pires. O Pai da música caipira era jornalista e escritor, mas acima de tudo um grande empreendedor. Estudou e publicou diversos livros sobre a cultura caipira do país, a qual procurou divulgar no meio urbano. Cornélio apostou todas suas fichas na música caipira no ano de 1928, quando investiu uma fortuna na produção de cinco discos com músicas do gênero.Os discos de Cornélio fizeram grande sucesso e logo outros artistas do mesmo segmento começaram a ter seus trabalhos acolhidos pelas gravadoras e passaram a fazer parte do dia-a-dia musical das rádios. Junto com ele, também ascendeu seu sobrinho: Ariovaldo Pires, mais conhecido como Capitão Furtado, que se tornaria um dos grandes nomes da rádio nacional das décadas de 30 e 40, divulgando a música de raiz ao Brasil. Outro grande nome foi Raul Torres, que compôs alguns dos maiores sucessos da época.

No coração do Brasil

A música sertanja começava a se popularizar nas rádios e na vendagem de discos em meados da década de 30. Vários novos talentos foram surgindo, mas ainda viria a aparecer a dupla que se tornaria referência para todas as posteriores gerações da música caipira.

Saídos de uma fazenda em Botucatu, filhos de camponeses, a dupla Tonico e Tinoco conquistou o Brasil com seus versos. Clássicos da música brasileira, como a triste Chico Mineiro, Moreninha Linda, Tristeza do Jeca encantaram o país na voz dos dois garotos, que se tornaram sucesso na década de 40.

A dupla passou a ser chamada de Dupla Coração do Brasil e foi sucesso por mais de 40 anos, ganhando inclusive um programa na Rádio Bandeirantes em 1969, que saiu do ar em 1983. A dupla ficou na ativa até a morte de Tonico, em 1994, quando sofreu uma queda na escada de um hotel.

Com o grande sucesso de Tonico e Tinoco e da música sertaneja, várias novas duplas surgiram. Dentre elas, Tião Carreiro e Pardinho foram os precursores do pagode sertanejo. Carreiro, nascido em Montes Claros, no norte de Minas, é considerado um dos maiores violeiros da música caipira.

A exemplo deles, Cascatinha e Inhana, Irmãs Galvão e, posteriormente Milionário e Zé Rico, e Sérgio Reis, que compôs grandes sucessos do gênero como Menino da Porteira e Filho Adotivo.

Um novo momento
Na década de 60, logo após os festivais da MPB, Renato Teixeira foi o primeiro representante de uma grande mudança no modo de se fazer música caipira no Brasil, passando a adequar elementos da MPB à música caipira. Sem deixar de lado, claro, o lamento do sertanejo e seu o amor pela terra e pelas origens. Uma música símbolo dessa mudança é Romaria, composta por Renato, gravada por tantos artistas e imortalizada na voz de Elis Regina. Seguindo essa linha Pena Branca e Xavantinho e Almir Satter – que incorporou o Blues à moda de viola – continuaram no caminho de Teixeira.

Porém, a maior novidade em termos sonoros viria com o trio Sá, Zé Rodrix e Guarabira. Era o nascimento do rock rural, que incrementava à poética caipira, elementos do folk britânico e das baladas de rock. Com a saída de Zé Rodrix, Sá e Guarabira continuaram como dupla, agora permanentemente. Seus maiores sucessos, Espanhola e Sobradoinho, são músicas que viraram hino nas décadas de 70 e 80.


Assim foi a música caipira brasileira, hoje se encontra um pouco excluída dos grandes veículos de mídia e de difícil acesso à população, mas mesmo assim mantém suas raízes, representando o caipira, mostrando suas preocupações e angústias.

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