Não, não é tudo igual
O receio da gravadora Colúmbia em gravar o disco com músicas caipiras forçou Cornélio Pires a ter que pagar adiantado pelas milhares de cópias encomendadas. Jorginho do Sertão e Moda de Pião vinham cada uma de um lado do vinil 78 rpm trazendo um pouco da moda de viola que o – mais que músico – folclorista insistia em ser reconhecida. E conseguiu, o sucesso na vendagem dos discos foi grande e não tardou as canções do caipira do Tietê começarem a ocupar o repertório urbano das rádios. A iniciativa de Cornélio deu origem a duas fortes tendências do estilo musical da roça.

Os violeiros são os representantes da música de raiz. A dobradinha viola e voz remete ao sentimento bucólico da vida na fazenda. Muitas vezes o som apenas instrumental é o que consegue transportar para além do espaço ruidoso das cidades. A voz tranquila representa o desapego e a paixão pelo sertão como aparece nas letras. “Amanheceu, peguei a viola botei na sacola e fui viajar · Sou cantador e tudo nesse mundo, vale pra que eu cante e possa praticar. · A minha arte sapateia as cordas · E esse povo gosta de me ouvir cantar.” [Renato Teixeira]

Com influência das festas populares, folias de reis e catira, há uma outra tendência da viola roots. Tonico e Tinoco Perez estrearam em estúdio em 1943, quando o microfone queimou por não aguentar o agudo dos irmãos. A mudança do interior Botucatu para a capital paulista em 1941 teve reflexo na carreira da dupla que faz o tipo ‘caipira na cidade grande’. Chico Lobo segue a batida mais rápida e com traços da congada. O músico sanjoanense herdou o gosto – e vocação – pela viola do avô multiinstrumentista e do pai seresteiro.

A música sertaneja como conhecemos é típica mercadológica – o que não a desmerece. Os artistas encontraram nas duplas – a estilo dos precursores da música caipira – uma forma interessante se infiltrar no meio fonográfico. Com forte influência da música paraguaia, o ritmo sertanejo traduz a identidade de um Jeca moderno, ‘caubói’ com grandes fazendas e caminhonetes. Os paranaenses José Lima Sobrinho e Durval de Lima lançaram em 1970 Galopeira, o vinil que consagrou a dupla Chitãozinho e Xororó como estreantes do ritmo sertanejo como o conhecemos hoje. Depois os goianos Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano seguiram na mesma toada. As duplas mais recentes como Edson e Hudson [que inclusive substituem em algumas canções o violão pela guitarra] e Cesar Menotti e Fabiano variam entre o acústico-romântico e country.

Importado dos montes Apalaches na fronteira entre Inglaterra e Escócia um estilo se depara com o blues. Esta é a origem do chamado folk music ou country western que reune vozes graves acompanhadas por banjo, mandolim, violão, gaita e violino. Jimmie Rodgers é considerado o pai do estilo nos EUA que também traz nomes como Hank Williams [criador do clássico Jambalaya] e Willie Nelson.

O gênero que se desenvolveu no sul e oeste dos Estados Unidos não embala apenas os cowboys norte-americanos, trazendo o som da guitarra e outros instrumentos elétricos, o country rock é uma vertente mais moderna do ritmo que traz como uma das cantoras atuais mais representativas a pop canadense, Shania Twain.

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Um comentário sobre “

  1. Fala meu amigo!! poxa, o blog como sempre indo em pique total!!!
    Ta muito bom! Muita materia interessante e chamativa…
    Oswaldo..valew mesmo a força e o coment lah no meu blog..
    Quando precisar estamos ai..
    abraço meu amigo..se cuida e um forte abraço do teu irmao aki!!!

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