Brasil dos anos 60. Explosão de influência do rock britânco e das novas tendências musicais que estouravam nas rádios norte-americanas.

James Brown passou a ser ídolo e fonte de inspiração para nomes como Jorge Ben Jor e Wilson Simonal. Mas uma figura de voz grave, despojamento e personalidade ora irreverente, ora sisuda, se destaca no estilo Black: Sebastião Rodrigues Maia, o Tim.

Com passagem pelos EUA em fins da década de 50, Tim Maia trouxe na bagagem de volta ao Brasil o melhor do estilo Soul. Estorou em 1969, ao gravar uma composição própria em dueto com Elis Regina (These Are The Songs).

Um ano depois, a voz inconfundível do cantor alcançaria sucesso com o primeiro CD Em Pleno Verão. Eram músicas próprias e gravações de Luís Wanderley, João do Vale e Genival Cassiano – este último outro destaque na composição Soul abrasileirada.

No quinto grande festival da canção, em 1970, Toni Tornado colocou todo o suingue na voz e garantiu a primeira colocação da música BR-3, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar.

A década traria, ainda, um baiano que não cantava apenas a MPB tradicional. Hyldon trouxe Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, homônima ao primeiro CD, que é hit ainda hoje.

Do Soul ao funk

Paulo Diniz, Gerson King Combo, Carlos Dafé, Robson Jorge e Miguel de Deus. Você já ouviu falar nesses nomes? Pois grave aí: são os grandes precursores do ritmo mais suingado, dançante e cheio de batidas que originou o funk atual. Lembra-se do James Brown? Se ele fosse brasileiro, estaria nessa turma.

Mas esse som não era apenas dos subúrbios, nem do Rio ou de São Paulo, e sim, do Nordeste. Pernambuco, Bahia… As influências da cultura nordestina garantiam ainda mais versatilidade aos músicos.

Era década de 70 e a MPB também se aproveitava do som diferente e contagiante vindo do funk-soul. Marcos Valle, Jorge Ben Jor, Bebeto e Trio Mocotó, até mesmo Ivan Lins arriscou os primeiros passos pelo estilo.

O samba foi incorporado de vez com o movimento chamado Black Rio, que tinha como proposta a afirmação da negritude. A Banda Black Rio ganhou destaque até na Inglaterra.

Mas chegou um momento em que o funk predominou e as composições deixaram de ser tão experimentais pra seguir o padrão que rege o mercado musical ainda hoje. Tudo começou com As Frenéticas, mas ainda havia espaço para surpresas como Gilberto Gil e Lincoln Olivetti, que investiram um pouco mais na mistura pop-funk-MPB.

Em meio ao pop-rock dominando o cenário musical dos anos 80, Sandra de Sá veio como revelação. Hoje, é a figura feminina mais lembrada do estilo.

90’s

Ed Motta começou cedo. Dezesseis anos, gravou o primeiro disco Ed Motta & Conexão Japeri. O segundo, Um Contrato com Deus, acompanhado apenas de baixo. Além do tio Tim Maia, uma viagem a Nova Iorque trouxe outras influências, mas ele desenvolveu um estilo próprio. De um lado, muito jazz; de outro, popular. Resultado: música elaborada ao alcance do grande público.

Daí pra frente, Fernanda Abreu e Lulu Santos (com carreira já amadurecida) completam o cenário carioca. João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano (filhos de Elis Regina), Maurício Manieri e Max de Castro (filho de Wilson Simonal) enveredaram por um caminho bem diferente do Soul brasileiro tradicional. Mas as vozes do grupo Fat Family ainda lembram muito mais de perto as origens da Black Music ainda nos EUA.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s