Não me atrevo a contar a história musical do Nordeste, que é praticamente um continente vasto de riquezas no gênero. Antônio Maria, precursor do Frevo; a embolada de Manuelzinho Araújo – de pandeiros e rimas nas mãos; o cancioneiro Elomar, mestre da música regional. É o ritmo do Côco – uma das danças mais populares no Nordeste rural -, é Baião e o rei Luiz Gonzaga, é improviso do Repente… Haja estilos, cantores e inventores da cultura.

Aqui, vamos conhecer um pouco as figuras que marcaram época e fizeram os olhares de outras regiões – principalmente sudeste – se voltarem para lá. Começamos hoje com a tradicional MPB de sotaque nordestino.


Alceu Valença
Ele é do agreste pernambucano, São Bento do Uma, o que explica muitos dos elementos da música que produz. Formado em Direito, é nos palcos que Alceu se mostra bom advogado da música regional. Começa em 1968, participando do I Festival Universitário Brasileiro da MPB e, um ano depois, foi selecionado para o Internacional da Canção do Rio.

Portas abertas, começava a parceria que daria início ao projeto Grande Encontro, bem mais tarde. O CD é o primeiro de um total de 26 (o último, recém-lançado, Alceu Valença e Geraldo AzevedoMarco Zero ao vivo).

Alceu é um dos grandes responsáveis pela popularização do forró no sudeste do Brasil. Em 2002 comemorou 30 anos de uma carreira impecável com o lançamento do trabalho “De Janeiro a Janeiro”, que lhe rendeu o prêmio Prêmio Tim de Música Brasileira como Melhor cantor regional.

Mas Alceu é aquele regional que agrega grandes cidades ao redor das músicas. O show do último dia 17 em São Paulo mostrou que o cantor ainda tem força pra mais uma vida de produção. Um coral uníssono se forma em cada primeiro acorde pronunciado de violão e voz, da mais antiga à mais recente canção.


Elba Ramalho
Ela não pára. Quem acompanha Elba desde o início da carreira deve perceber que alguns elementos nunca somem – e aqui estão a energia, a vontade e o timbre inconfundível de voz –, mas outros sempre mudam: apesar dos CDs trazerem o ritmo magnético do forró/baião nordestino, também se escuta batida eletrônica, rap, reggae e experimentação. Tudo isso está, também, no mais recente Qual o assunto que mais lhe interessa?.

E quem não se surpreende ao saber que a cantora começou como baterista? As Brasas, formado somente por mulheres em 1968, se transformou em grupo teatral. Ainda assim, Elba cantava em festivais. A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, foi uma das experiências em que misturou os diversos talentos no palco.

A multi-artista é conhecida como integrante do “primeiro time da MPB”. Mas mostra muito mais que um estilo definido.


Zé Ramalho
De Brejo do Cruz – PB, filho de seresteiro e muito ligado ao Avô (Avôhai, tema de uma das canções mais conhecidas do artista), Zé Ramalho não começou em festivais, mas sim em conjuntos de baile da Jovem Guarda. Foi daí que herdou influências de Roberto Carlos, Erasmo e Golden Boys e conheceu grandes fenômenos da música internacional: Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Bob Dylan. O que esperar de um músico que mistura a raiz nordestina à raiz britânica do rock?

Nas letras, misto de cantadores e seresteiros, de Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes. Na melodia, viola, rock e forró fazem único o estilo “Ramalhiano” de ser.

Experimentação é a palavra, e Zé Ramalho não deixa de ser excêntrico em cada um dos lançamentos, nitidamente a partir no início da década de 80.

Em 2005, gravou o primeiro ao vivo, que resgata os maiores sucessos da carreira de quase 30 anos. Já Parceria dos Viajantes, o mais novo trabalho lançado, traz parceria com caras mais recentess da música nordestina, como Zeca Baleiro e Chico César, além de Dominguinhos e Cidade Negra.


Geraldo Azevedo

De Bossa a música negra, Geraldo Azevedo canta com os dedos em cordas de violão. Nascido em Petrolina – PE, o músico autodidata tem uma preocupação enorme na qualidade das composições melódicas.

Foi destaque no o Festival Internacional da Canção do Rio e logo ganhou reconhecimento como um dos grandes nomes da MPB. De lá pra cá, as parcerias com Elomar, Xangai – grandes nomes da música regional da Bahia-, Vital Farias,, Elba e Alceu – com quem começou a carreira – mostram o quanto a música nordestina tem para contar.

“É inevitável você falar do Brasil culturalmente sem mencionar o Nordeste que é muito forte. Quando a gente fala da identidade cultural do Brasil, o Nordeste tem uma saliência”, disse Geraldo quase um ano atrás, quando fez show em Viçosa.

Na ocasião, o cantor apresentou um show de improvisos com os maiores sucessos da carreira.

“Minhas canções fazem celebrar a vida”. Assim, ele une xote, baião, côco, maracatu e muito do regionalismo nordestino para cantar histórias que retratam desde a realidade do sertão até a vida globalizada.

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2 comentários sobre “

  1. Gente que erro,Geraldo Azevedo não pe paraibano mas sim pernambucano,Petrolina fica no Pernambuco,reparem esse erro!
    Zé Ramalho sim é meu conterrâneo mas Geraldo infelizmente não.
    Beijos,Mana.

  2. Opa Mana.
    Claro que sim…
    Desculpe a confusão nas siglas de PE por PB.
    Obrigado pelo toque!

    Cristiano Sávio

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