O Flashback de hoje será um pouquinho diferente. Ao invés de falarmos de um álbum, falaremos de apenas uma canção: Asa Branca.


Composta por Luiz Gonzaga – o Gonzagão – e por Humberto Teixeira, em meados da década de 40, a música se tornou um hino da seca e do sofrimento nordestinos. Luiz Gonzaga, pernambucano de Exú, um apaixonado pela sanfona. Paixão essa adquirida ao observar o pai, Januário, consertando e tocando esse instrumento em sua casa. Humberto era cearense de Iguatu, advogado, instrumentista e poeta. Gonzaga e Teixeira foram nomeados Rei e Doutor do Baião, respectivamente. A parceria entre os dois aconteceu quando ambos se mudaram para tentar a sorte no Rio de Janeiro.

No dia 3 de março de 1947, Luiz Gonzaga entrou no estúdio e gravou um compacto (disco que normalmente cabiam apenas duas músicas, uma de cada lado) com as canções Vou pra Roça e Asa Branca, em um disco de 78 RPM. De lá pra cá foram mais de 500 regravações da segunda música. O compacto vendeu mais de um milhão de copias, segundo historiadores.

A música conta a história de um retirante que, por conta da seca, precisa migrar de região para sobreviver. Além do flagelo da falta d’água, ele tem que deixar pra trás o seu amor – Rosinha –, mas promete voltar. O título se refere a uma ave chamada asa branca, que é a última ave a abandonar o sertão na época de seca.

Asa Branca completa, em 2007, 60 anos. Atravessou gerações e foi regravada por grandes nomes da música nordestina. Fagner, Caetano Velloso, Gilberto Gil, Elba Ramalho e até o roqueiro baiano, Raul Seixas, que fez uma versão em inglês (White Wings). Além deles, o filho de Gonzagão, o carioca Luiz Gonzaga Jr. (Gonzaguinha) e a dupla Chitãozinho e Xororó, também gravaram a canção.

Em 1968, a imprensa brasileira noticiou que os Beatles teriam interesse em fazer uma versão da música de Luiz e Humberto. O boato foi motivado pela participação da brasileira, Lizzie Bravo, nas gravações do Across The Universe. Ela teria mostrado a música aos rapazes de Liverpool que ficaram encantados. Essa história, porém, nunca foi confirmada por nenhuma das partes.

Asa Branca é um hino do lamento pela seca no sertão nordestino e uma prova de amor àquele pedaço de chão, além de ser um dos capítulos mais bonitos e importantes da música brasileira.

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4 comentários sobre “

  1. Oswaldo, Sávio e Lara voces estão de parabéns, o blog esta muito bom, continuem escrevendo que vão longe..

    Laise

  2. Caros poeta, violonista e compositor,
    aguardo novos capítulos da bela e extensa obra popular brasileira.

  3. Pessoal,

    Estou amando esse blog!!!
    Que alegria ler cada frase que é escrita aqui…
    Toda vez que escuto ASA BRANCA me emociono!!!
    Me emocionei lendo o texto de hj também!!!

    Parabéns Oswaldo!!!
    Lara e Sávio também!!!

    Abraços

    Juliana Sobral

    “…Eu te asseguro, não chores não, viu
    Que eu voltarei, viu, meu coração.”

  4. Muito bom mesmo.
    Principalmente tão relacionado ao nordeste.
    Minha bizavó e 93 anos sabe asa branca ‘có e salteado’.
    Vocês são ótimos.

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