Raciocínio e RimaO Repente é uma tradição folclórica do nordeste brasileiro. Inspirados em trovadores medievais, que deu origem aos cantadores, os repentistas fazem rimas de improviso acompanhados, habitualmente, por viola (cantadores) ou pandeiro (emboladores). Existe ainda o choque do coco de embolada (pandeiro) com o repente de viola e o aboi (sem acompanhamento). As duplas duelam, fazendo rimas sobre assuntos diversos, sempre caracterizados pelo humor. Vence quem conseguir encuralar o oponente e deixá-lo sem conseguir dar prosseguimento na música.

A coerência do discurso é, quase sempre, abandonada por causa da métrica. Cada repente tem de 6 a 10 versos. O repente se insere na tradição literária do nordeste. Da chamada literatura de cordel vem sua métrica e tantas outras características.

A Lenda de Zé Limeira

Existem algumas lendas em torno do repente. Uma delas diz respeito a um paraibano chamado Zé Limeira, que seria o terror dos ‘desafiantes’. Com rimas precisas e grande criatividade, Zé desarmava os outros repentistas, segundo o folclore local. Apesar disso, sua existência é colocada em questão por não existirem registros de sua voz cantando suas obras, muitos acreditam que Limeira faça parte apenas da fantasia dos locais.

é conhecido como o poeta do absurdo, por causa de suas construções poéticas e seus neologismos (invenção de palavras derivadas de outras já existentes) exagerados. Analfabeto, o repentista abordava os mais diversos assuntos: desde a bíblia até os assuntos políticos do país.

Ele foi duas vezes homenageado pelo conterrâneo e consagrado Zé Ramalho, nas canções Martelo Alagoano (1975) e Visões de Zé Limeira sobre o final do século XX (1983). Reza a lenda que o poeta alagoano morreu após entoar o “O Romance da Pavoa Devoradora” o que, segundo ele, só poderia ser feito após a meia noite. Zé teria cantado mais cedo e como pena perdeu sua vida.

Atualidade

O repente ficou aquém de influências de outros estilos musicais, sempre manteve suas características. Hoje em dia está conquistando destaque maior entre gravadoras, que começam a apostar no trabalho dos repentistas.

Caju e Castanha são os maiores representantes do repente, cujos nomes verdadeiros são José Roberto e Ricardo Alves da Silva. A dupla original se desfez, com a morte do ‘primeiro’ Caju em 2001, após 27 anos de carreira. Após o baque, ‘Cajuzinho’ – sobrinho do Caju original – entrou para a dupla, atendendo a um pedido do tio. Cajuzinho herdaria a alcunha de Caju algum tempo depois. Os pernambucanos foram pioneiros ao conseguirem espaço dentro de uma grande gravadora (TRAMA) e são referência para as novas gerações de repentistas.

Outras grandes duplas do repente são: Caximbinho e Geraldo Mouzinho, Valdir Teles e Fenelon Dantas, Zé Cardoso e Geraldo Amâncio, Andorinha e Sebastião Marinho, Moacir Laurentino e Sebastião da Silva, Terezinha e Lindalva, Pardal e Verde Lins, esta última, responsável por uma das músicas de maior destaque do estilo: Futebol no Inferno. A dupla narra um jogo entre o time de Lampião e a seleção do Satanás.

Influência e competições

Há quem diga que o Repente foi o principal inspirador do RAP americano, por causa do improviso e do ritmo do canto, que é frenético. No Brasil, alguns dos maiores nomes do rap nacional já usaram de elementos do estilo nordestino em seus trabalhos. Casos de Gabriel, o Pensador; Happin’ Hood, entre outros.

A cada ano se realiza, em Brasília, na Casa do Cantador, o Encontro Nacional de Cantadores Repentistas, que reúne os representantes cantadores e repentistas de todas as partes do país. Além do encontro, vários outros eventos ocorrem nordeste a fora tendo como tema o estilo musical.

O Repente requer grande concentração e rapidez de raciocínio. Além disso, é uma das vertentes musicais que faz do nordeste um dos maiores celeiros musicais do país. Ainda são originados dos cantadores a Trova Gaúcha (RS), Calango (MG), Cururu (SP), além do Samba de Roda (RJ).

Um comentário sobre “

  1. Cajú e castanha é uma dupla que vem se destacando bastante ultimamente,seu alge foi entre 97/99,onde os mesmos fizeram participações em um dos cd’s e ‘Lenine’ e também cederam letras pro ‘Mestre Ambrósio’,bem regionais,adoro!
    Zé Ramalho não precisa mais nem falar em seu sucesso,é o nosso grande “Avohai”!
    O pensador é o cara,adoro suas músicas e adaptações,se bem que ele anda bem parado.

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