A Trilha do Trem e o Batuque Contagiante
Música e realidade para ver e ouvir.

É uma pena não termos condições de acompanhar toda potencialidade da voz de Jaqueline e do ritmo marcado do Trem Mineiro. A apresentação do grupo foi no melhor momento da Calourada de Integração do DCE, mas a estrutura do som não ajudou e exigiu mais esforços dos músicos. Ainda assim, não faltou quem se entregasse ao forró ou à ciranda – e não há pessoa melhor que o Thyaga (vocal, violão) para puxar as danças regionais. Além dele, Serginho, Bulldog (sim, mais uma vez) e Ângelo fazem o som .

São 11 anos de carreira dedicados a novas tendências da música. O que mudou nesse tempo foi a aceitação d aproposta do grupo. Thyaga desabafa: “a gente cansou de ficar fazendo uma coisa que ganhou um rótulo: banda de forró. E eu nunca consegui seguir modismo, chuto o balde antes da hora. Com isso, a gente perdeu público, perdeu mercado. Com a formação do disco [Thyaga, Karine, Tiago, Rodrigo], a gente chegava a fazer três shows por semana, viajava o Brasil todo. Aí o forró começou a virar essa coisa de Calcinha Preta, Bonde do Forró. Estamos aqui tentando esse outro projeto, com composições próprias, umas musicas diferentes. Não sei o que vai dar”.

Seja o que tiver que dar, o Trem já passou deixando a sonoridade mais completa que um grupo viçosense conseguiu produzir e mostrar no show. Confira entrevista com o vocalista Thyaga, em que ele detalha os trabalhos com o grupo Tambores do Buieié, que fez um show surpresa de arrepiar na Calourada:

Tom Hertz: Como você viu a repercussão das gravações que vocês fizeram do CD e do DVD?
Thyaga – O DVD não foi feito para vender, ele não teve intenção comercial. Ele foi um marco na nossa vida, foi um registro bacana. O CD vendeu tudo, mas foi um lançado numa época de modismo também. A gente tava sem saber que caminho seguir. E eu nunca consegui me corromper, entrar nas coisas do jeito que elas se mostram na mídia. E esse é um conceito que vou carregar pro resto da vida. Aí tem o projeto dos tambores, que é outro som que eu faço. Temos mais de 600 musicas, tem musica pra criança também.

TH: Como pode ser caracterizado o novo som do Trem Mineiro?
T – O Trem Mineiro hoje faz fusões do Nordeste com Minas, não está preocupado mais em ser só uma banda de forró. Na verdade, a gente está tentando conduzir uma outra idéia. Só que a gente precisava de uma pessoa que abraçasse isso com a gente, que era a Jaqueline. Pela proposta, precisávamos de uma pessoa com uma questão teatral, cênica e de dança. E com ela indo embora, a gente está meio perdido. Porque a gente quer fazer uma banda com um show mais para teatro, não uma coisa de muita massa, muito grande. Acho que a gente tem que mudar na vida, não ficar a vida inteira fazendo a mesma coisa. Temos que arriscar, mesmo que você erre, tem que estar sempre se modificando, buscando novos caminhos. Cada vez está ficando mais difícil agradar a todo mundo. Você não vai agradar a todo mundo. Então, eu como pessoa, a musica para mim vai ser sempre um desafio. A gente faz o Trem Mineiro por amor.

TH: Como está a realidade do Projeto Tambores do Buieié hoje?
T – Eu criei o projeto NAVI trabalhando cinco anos sem dinheiro, sem receber nada, sem estrutura, batendo lata. Começamos a chamar a atenção, mandamos um projeto para Brasília, foi aprovado e a gente virou um Ponto de Cultura. Daí, estamos construindo a sede no Buiéié. Já construímos a padaria, artesanato, corte e costura. Na minha casa temos uma escola para 40 crianças. Temos dois corais. E os Tambores, que é essa coisa maravilhosa.

Quero levar esses meninos pra todo o lado. O mais importante dos Tambores é tirar eles da realidade que eles estão. Porque se você for lá você não acredita que é Viçosa. É uma comunidade negra, discriminada, tratada como bandidos. E hoje vocês vêem do que eles são capazes de fazer. Daqueles meninos ali, vários eram jovens de risco e eles põem na ponta da baqueta a luta, a história deles. E para mim hoje, é primordial.

O projeto tá indo bem. Mas você nem imagina o que temos que passar pra manter vivo. É muita luta e pouca gente ajudando. Hoje, as pessoas que realizam as coisas mesmo são as pessoas ousadas, dedicadas e entregues. Tem que ter muita coragem, muita força. Porque quando você cai num projeto de periferia, um projeto de música desafiador, se você não tiver força você retrocede no primeiro obstáculo. Mas, quando vejo aquilo ali acontecer, não preciso de mais nada na vida. A vitória já foi alcançada. Vendo os meninos tocando daquele jeito, o povo curtindo, o povo curtiu mais que o Trem Mineiro.

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2 comentários sobre “

  1. Olá, pessoal!!
    Vim agradecer pelas matérias, ficaram ótimas! As fotos também… A cobertura foi perfeita e complementa o que o público pôde conferir durante o evento.
    Precisando de nós, estamos aí pro que der e vier.
    Grande abraço!
    Bulldog.

    PS: Só uma correção importante, o grupo de percussão citado acima chama-se Tambores do Buiéié, e não Tambores de Minas, que é o nome de um disco de Milton Nascimento e de outro grupo musical.

  2. Opa, desculpa o deslise aí Bulldog. É tanta música boa que até confunde a gente [hehe]. Obrigado pelos acessos Bulldog – que já é “cliente” do Estúdio faz muito tempo.

    Esperamos a próxima apresentação do Tambores do Buieié.

    Abraço!

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