Cazuza Solo

Solo Cazuza Solo

Ninguém entendeu muito bem o que aconteceu naquele ano de 1985. Participação no Rock in Rio, shows lotados, disco de ouro… Finalmente o Barão Vermelho estava sendo reconhecido pelo seu trabalho. “Aí, a batalha estava ganha”, diria o próprio vocalista. É o bastante para você?

Para Cazuza não foi. Com o quarto disco praticamente pronto, o último ironicamente tinha sido Maior Abandonado, o Barão Vermelho seguiu em frente meio ressentido com o abandono (Declare guerra aos que fingem te amar /A vida anda ruim na aldeia /Chega de passar a mão na cabeça /De quem te sacaneia) daquele que era o estandarte de carisma da banda.

Ezequiel Neves, o Zeca, amigo, “pai” e produtor do Barão, achou uma bobagem a decisão do rapaz. Mesmo assim, acabou cuidando dos dois projetos em paralelo, e no mesmo 1985, Cazuza lançava Cazuza. No álbum, a perpétua Exagerado, que de homenagem ao amigo Zeca foi considerado mais como uma descrição do perfil do próprio compositor.


Das dez músicas do álbum, quatro foram feitas com Roberto Frejat. A amizade e a parceria musical foram mais fortes que o ressentimento. O álbum apontava um lado mais romântico de Cazuza, uma experimentação sonora mais livre do rock ‘n’ roll, com pitadas de bossa e blues.

No entanto, seu tom sarcástico e crítico ainda estava presente: Na moda da nova Idade Média/ Na mídia da novidade média, Eu não posso causar mal nenhum /A não ser a mim mesmo, Cagüetem-se, solidários /Antes do Interrogatório /Engrandeçam a mentira /Dêem sentido à vida.

O segundo disco veio dois anos depois. Só se for a dois continuou com a temática de relacionamento, letras líricas, em músicas como O nosso amor a gente inventa e Completamente blue. Havia, porém, o Lobo mau da ucrânia para contrastar, com toda a história do back, back, from Chernobyl, além, é claro do alerta: Te avisei: Vai à luta /Porque os fãs de hoje /São os linchadores de amanhã. Foi durante esse disco que Cazuza teve a notícia. Sua ânsia por produzir tornou-se uma corrida contra o tempo. Sai em 1988, o Ideologia. O impacto é fortíssimo e Cazuza surpreende mais uma vez. Agora eu vou cantar pros miseráveis /Que vagam pelo mundo derrotados. Mas ele cantou para muito mais além. Cantou Brasil e pediu para que o país mostrasse sua cara.
No mesmo 1988, é registrado em disco o antológico O Tempo Não Pára (ver abaixo). No ano seguinte, vinte músicas estão compiladas em Burguesia. Dizia-se que Cazuza havia tomado o soro da verdade. Pobre de mim que vim do seio da burguesia /Sou rico, mas não sou mesquinho /Eu também cheiro mal. A força do canto rasgado de Cazuza contrasta com o físico visivelmente fraco do cantor.

E então ele parte. Em meio a despedida, suas obras póstumas são lançadas em 1991: Por aí. O nome do álbum é fresco, despojado, mas inteiramente verdadeiro para se falar desse artista que marcou o universo musical, e também comportamental, brasileiro. Ele estava certo quando disse que o tempo não pára. Mas já fazem quase duas décadas e ele continua mesmo por aí, por aqui. E em todo lugar.
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Um comentário sobre “Cazuza Solo

  1. ele continua em cada suspiro desse texto, Ribe.

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