TM_2º Ato

Sem horas e sem dores

Abram as cortinas, o espetáculo vai recomeçar no seu Segundo Ato. Chamem o cara que cata papelão, a bailarina e o soldado de chumbo, Ana e o mar, o mérito e o monstro pra ver. Respeitável público pagão, O Teatro Mágico está de volta. E em grande estilo. Não é mais do mesmo, não é clichê, mas – como já diria Fernando Anitelli, na faixa de abertura, Amadurecência – a poesia prevalece.

A trupe é um dos novos fenômenos na MPB, mesmo sem o respaldo de grandes gravadoras. Eles seguem fazendo divulgação boca a boca e o que chamam de panfletagem virtual, pela internet, com seu site e a comunidade no Orkut. No primeiro dia em que as músicas do novo disco foram disponibilizadas no site Trama Virtual, eles quebraram todos os recordes de download. Mais de 90 mil baixaram as canções.

O disco conta com músicas que já eram conhecidas dos fãs, como Pena, Não Sou chico Mas Quero Tentar, Cidadão de Papelão e o Mérito e o Monstro. Mas quase todas elas ganharam novos arranjos. Letras que fazem criticas dando um tapa com luvas de pelica na sociedade de modo geral, principalmente na desigualdade e a quantidade de informações que absorvemos hoje-em-dia.

Com relação ao primeiro trabalho, Entrada para Raros, houve uma grande evolução musical da banda, que passeou por varios estilos musicais brasileiros, como o samba e o xote. Só que dessa vez foram além , utilizando elementos do rock progressivo, como contratempo de bateria e melodias mais complexas. Os metais passaram a ter mais relevância no som, enquanto o violinista, Galdino, continua um show a parte. E pra completar, a 15ª música, Xanéu nº5, conta com a participação mais que especial de Zeca Baleiro.

O show de lançamento do disco será dia 21 de junho, em São Paulo, no Memorial da América Latina, com ingressos já esgotados. É novo, é diferente, é Teatro Mágico e com o novo não se habita, se habitua.

Anúncios

Moveis_coloniais

O nome não é nada convencional, assim como o som. O extenso time comandado pelo vocalista André Gonzáles – e que conta ainda com BC e Leonardo Bursztyn (guitarra), Beto Mejía (flauta), Eduardo Borém (gaita e teclados), Esdras Nogueira e Paulo Rogério (sax), Fabio Pedroza (Baixo), Renato Rojas (bateria) e Xande Bursztyn (trombone) – ou simplesmente Móveis Coloniais de Acaju (MCA), vem ganhando seu espaço no cenário da música independente do Brasil.

O nome provém da Revolta do Acaju, onde índios e portugueses lutaram contra britânicos, que se apossaram de um pedaço de terra na ilha do Bananal, no século XVIII.

A feijoada búlgara, denominação dada pela trupe ao seu estilo musical, leva algumas pitadas de reggae e ska, assim como de rock, salsa e samba. Além disso, as letras dão um tempero todo especial, tratando de problemas cotidianos com muito bom humor e com uma boa dose de ironia. Na salada de acompanhamento, se destaca a presença marcante dos instrumentos de sopro, que dão um ar de big band à MCA.

“Você tem alergia, micose, passa mal
Toma sempre um melhoral

A crescente agonia do seu ser denuncia

O seu cheque especial”

O primeiro cd, Idem, foi lançado em 2005 e teve uma boa aceitação do público. Em 2007 lançaram um novo single (Sem Palavras), com uma proposta um pouco diferente do primeiro disco. Uma linda letra, que bem poderia ser uma poesia melancólica. Isso surtiu efeito imediato. A música foi considerada uma das 50 melhores do país, na escolha anual da revista Rolling Stone, ficando com a 21ª posição.

Ainda em 2007, lançaram um EP com o vocalista da banda Autoramas, Gabriel Thomaz. O disco levou o sugestivo nome de Vai Thomaz no Acaju e foi gravado em vinil, com a releitura de bandas extintas como Little Quail e Câmbio Negro. As gravações para o novo cd devem começar já na metade de 2008.

Móveis Coloniais de Acaju é uma boa pedida pra quem quer ouvir musica de boa qualidade e se divertir com as letras. Vale a pena conferir.

“Se a vida lhe propõe certas agonias
Melhor se prevenir e não ser sadomasoquista”

Fotos: site oficial

Nando_Mariana

Celestial!

Hoje o Estúdio ao Vivo, excepcionalmente, vai sair do assunto da semana. Mas se acalmem, é por uma causa nobre: o show de Nando Reis e os Infernais, que parou a cidade de Mariana durante o Festival da Paz, na última sexta feira (30/05). Amanhã voltaremos com a programação normal.

Tudo vale a pena quando a caminhada não é em vão, já diria alguém por ai. E assim fui só, saído da Zona da Mata mineira rumo a Mariana. Terra do inconfidente Cláudio Manuel da Costa, ladeiras, subidas e descidas, praças, o coreto, igrejas … Tudo isso fez da cidade, que foi a primeira capital de Minas Gerais, um cenário perfeito para um grande espetáculo.

Como pano de fundo a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Igreja de São Francisco de Assis, além da antiga cadeia. Como artista principal, um dos maiores compositores da música brasileira contemporânea: Nando Reis. “Não sei nem por onde começar. Não há palavras para descrever a beleza desse lugar”, disse ao encerrar a canção Relicário. O título da música poderia também denominar aquele momento raro.

Nando, claramente emocionado (e emocionando), tornou aquele momento inesquecível, da Letra A até a Z. A história parecia brotar daquelas paredes barrocas, que enfeitavam a Praça Minas Gerais, enquanto se ouvia canções como Luz dos Olhos, Espatódea e Resposta; além das ‘titânicas’ Não Vou Me Adaptar e Cegos do Castelo.

Ao lado do ex-titã a percussionista Lan Lan, as backing vocals Juju Gomes e Michelini Cardoso, além dos Infernais Carlos Pontual (violão/guitarra), Alex Veley (teclados), Felipe Cambraia (baixo) e Diogo Gameiro (bateria). Fez-se uma pausa para a transição entre a parte acústica e a elétrica.

Ao som de Sou Dela, a trupe voltou ao palco e, apesar do grande público, o show parecia intimista, tamanha a sintonia entre artista e platéia. Essa harmonia não cessou em nenhum momento. De perto do palco, acompanhava tudo , mas era difícil, naquele local, conseguir manter apenas um foco de atenção.

Confesso que Marvin marejou meus olhos. Um pouco pela letra e um pouco por saber que aquele momento mágico dificilmente se repetiria. Ao fim de Do Seu Lado, um sorriso incontido tomou conta dos vários rostos presentes naquele momento celestial. “O show acabou, feche o livro de histórias. Não haverá um bis”, como diria algum outro poeta. Sim, o show acabou. O livro de histórias ficará aberto, mas duvido muito que haja algum bis. Nando Reis em Mariana ficará por muito tempo marcado na memória desse narrador andarilho que, logo após a última música, zarpou novamente para casa.

Veja a canção Relicário clicando aqui.