Falando em músicos que enfrentam longas viagens para levar o (quase-sempre) talento para fora do país de origem, achamos algumas notícias bem relevantes para a nossa história musical do dia-a-dia. Essa é a primeira parte Pitoresca do Estúdio nessa semana. No domingo tem mais. E o mais malagueta possível.

Paul McCartney tenta suicídio

A notícia-capa da vez é que Paul McCartney vai se suicidar.. ops.. se apresentar pela primeira vez em Israel. Segundo informações da imprensa, o grupo The Beatles foi proibido de tocar no país em 1965 pelo grande perigo de afetar a “moral pública”.

Se o show fosse fechado, eu diria que qualquer um que quisesse ter a moral privada atingida, era só pagar e ir vê-lo, não é mesmo? Essa é a lógica apolítica da coisa.

Não tão simples, minha gente. Era o ano do álbum Help! (de “Yesterday” e “Ticket To Ride”) e também do Rubber Soul (“Nowhere Man” e “Drive My Car”). E era também a fase de se auto-afirmar e fazerem afirmações bem polêmicas – como tudo no Rock: em 1966, John Lennon declarou que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo e previu o fim da religião cristã. Resultado? Protestos religiosos e quase a Ku Klux Klan intervindo em shows.

(clique na imagem e amplie)

É por isso que música e poder não combinam. Nem religião (religião e poder, claro, porque já existem muitos sucessos Gospel por aí… e tal…).

O preço do “seguro” para Paul (aquilo que ele vai ganhar pelo show) beira os US$500 mil. E eu sei que vai ser um show bombante.

De olhos bem fechados para a música (eu sei que japoneses é quem têm olhos puxados!)

Depois de promover uma Olimpíada em território chinês, poucos poderão aproveitar-se da grande estrutura que surgiu nesses últimos anos. É claro que musicalmente falando: nada de shows pop em estádios, nem grandes nomes (libertários) da música em campanhas (libertárias) escondidas sob refrãos.

O caso é que o Governo chinês vai barrar qualquer cantor/cantora/banda que “ameaçam a soberania nacional”. Será que daqui a algum tempo eles vão se desculpar publicamente como fez o Governo israelense anos depois de vetar The Beatles?

Tudo isso (que você pode chamar de radicalismo e eu chamo de incongruência cultural) porque Björk, polêmica, autêntica E libertária, cantou a música “Declare Independence” num show em Xangai e, logo depois, entoou um “cântico” contínuo de “Tibet, Tibet”.

Digo “tudo isso” porque além da proibição, os artistas liberados terão que se submeter a aprovações dos repertórios – e provavelmente dos discursos. É que até o “bis” que encerra os shows será lapidado pelo Ministério da Cultura. Só falta exigirem que eles defendam a censura em cima dos palcos.

Mais uma de jesus

“Nóis é tipo bem jesus
Todo mundo a gente ama
Inda mais se for gatinha
Rola até levar pra cama”…

E por aí vai. Esse é um trecho da canção “Solta o Frango” de um grupo formidável que me apareceu de repente numa notícia. Não, eu não conhecia AINDA. Que Mamonas Assassinas, que nada! O que rola é Bonde do Rolê.

Eles encerraram o Sónar Festival, que aconteceu no mês passado em Barcelona. O evento reúne a vanguarda da música e arte digital. E é vanguarda européia! Ou seja, vanguarda de verdade! “Fator feminino” e “hibridismo de sonoridades” foram os temas deste ano.

E porque o Bonde tava lá? Deve ser porque além de ter um som dançante, eletrônico, brasileiro… as letras são engraçadas, pra lá de descontraídas e sem pudor algum. Segundo Cristiano Sávio, elas “são profanas, pra lá de apelativas e sem pudor algum”. Mas isso os Mamonas também eram.

Eles assinam como “Indie”, o que assusta os fanáticos por música underground de arranjos melancólicos e depressivos (que eu adoro, aliás).

Sabe-se que a vocalista não é mais a mesma da época do Sónar Festival (o grupo abriu uma super seleção, não é Carol?). Mas o som continua assim, abestalhado. Ponto para as canções pitorescas!

Um pouco mais de Bonde aqui .
E as outras atrações do Festival, aqui .

Lembramos que o Estúdio ao Vivo é “apolítico”, “areligioso” e.. bom.. a gente não defende nada, só a música, ok?

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3 comentários sobre “

  1. Um pouco mais de Bonde do Rolê.

    Zapeando pelo Orkut [é possível???] encontrei 62 comunidades relacionadas ao grupo de funk-guitar-estridente-escrachado ou, como me apresentou uma das comunidades: “O Bonde do Rolê é um quarteto curitibano que mistura samplers de rock com as batidas típicas do funk carioca, sempre abordando temas escatológicos”.

    Apenas umas 5 são do tipo “Eu odeio Bonde do Rolê”.

    Destaque para a criatividade de “bonde do rolê é meu prozac” e “bonde do role é funk de rico”.

    Taí a dica.
    Add aí!

  2. haha!
    fantástico!
    vou prestar atenção nesse grupo.

  3. Adorei o texto hehehe
    Vou procurar sobre essa banda tbm, deve ser divertido!!!

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