Salada rítmica com Bajofondo

O que a ex-novela global A Favorita tem em comum com o filme ganhador do Oscar O segredo de Brokeback Mountain? Melancolia combina com ritmo dançante? Rap se dá com música de raiz?

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As respostas para essas perguntas podem ser encontradas nos oito artistas que formam o Bajofondo. Presentes no Brasil para quatro shows no início de Maio, essa banda metade uruguaia e metade argentina encantou o público brasileiro com as músicas do seu álbum mais recente, Mar Dulce, lançado em 2008.

Quem apenas tinha como referência a música Pa’ Bailar que foi tema da novela A Favorita, se supreendeu com a mistura de gêneros e referências musicais hip hop, rap, rock, folk, milonga, ritmos afros e claro, o tango. Pa’ Bailar faz parte do primeiro trabalho do grupo: Bajofondo Tango Club (2002), que demorou um ano para ser realizado e atingiu grande sucesso, ganhando um Grammy Latino em 2003 e um prêmio Carlos Gardel.

Segundo Gustavo Santaolalla, um dos fundadores do projeto, na página do MySpace do grupo:

bajofondo3“Com Bajofondo, nós não gostamos do rótulo de Tango Eletrônico porque nós tentamos fazer música contemporânea do Rio da Prata (que divide os territórios da Argentina e Uruguai): música da Argentina e música do Uruguai. Obviamente, se você quer fazer música que venha de lá ou que represente aquela parte do mundo, o tango fará parte disso – mas no nosso caso, assim como rock ‘n’ roll, eletônico e hip hop. Esperançosamente, uma nova linguagem, não tango puro.”

Nova também é maneira como fazem música. A maioria dos integrantes tem projetos paralelos, quatro moram no Uruguai, dois na Argentina e dois em Los Angeles, nos EUA. A internet vira ponto de encontro para troca de informações e idéias.

Infelizmente os shows no Brasil acabaram e o próximo será realizado em Buenos Aires, dia 24.

Nomes

Bajofondo – em espanhol, algo como Baixofundo.

Tango Club – o grupo tinha esse adendo no nome: Bajofondo Tango Club, mas optaram por retirá-lo visto que suas referências musicais vão além do tango eletrônico, gênero trabalhado especificamente por bandas como Narcotango, Tango Crash e San Telmo Lounge.

Integrantes

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Gustavo Santaolalla – guitarra, percussão e vocal. O argentino é o criador, juntamente com o uruguaio Juan Campodónico, do projeto Bajofondo. Ganhou dois Oscars pela melhor trilha sonora original dos filmes Babel e O Segredo de Brokeback Mountain. Participou da trilha de Diários de Motocicleta, pela qual ganhou um prêmio BAFTA. Fez também a trilha sonora de 21 Gramas e Amores Perros. Ganhou, ainda, nove Latin Grammys e três Grammys Awards.

Juan Campodónico – produtor musical, DJ, cuida da batida, samplers e guitarra em Bajofondo. Vem trabalhando a fusão de música eletrônica com outros estilos desde a década de 90, com a banda Peyote Asesino, a primeira do Uruguai a fundir hip hop com rock contemporâneo. Fundou com Santaolalla o projeto Bajofondo. Produziu o músico Jorge Drexler, cujo trabalho Sea foi nomeado ao Grammy Latino na categoria melhor Álbum Pop. Participa também do grupo El Cuarteto de Nos.

Luciano Supervielle – piano, teclado e scratch. Começou a carreira fazendo música Hip Hop com a banda Plátano Macho, no Uruguai. Conhecedor de música francesa, mexicana e claro, riopratense, ele fez parte da primeira geração de músicos uruguaios que alcançaram sucesso dentro do próprio país, em meados da década de 90.

Javier Casalla – violino. Fez parte da Orquestra Filarmônica de Buenos Aires como solista. É tido com um dos violinistas mais variados e inspirados de sua geração. Ele vai de rock a tango, música folclórica a jazz e clássico. Tocou em trilhas sonoras de filmes como Amores Perros, 21 Gramas, Tango, Sol de Outono, Cohen vs. Rossi e Diários de Motocicleta.

Martín Ferres – acordeon. Seu instrumento, um clássico Alfred Arnold, é reforçado com dois microfones especiais, que permitem que seus solos tenham poderoso impacto na miscelânea musical do grupo. Suas notas em Bajofondo são versáteis: passam pelo sensual, agressivo, melancólico…

Gabriel Casacuberta – Baixo elétrico e contra-baixo. Participou da composição de diversas trilhas sonoras de cinema (O banheiro do papa) e tocou com artistas como Jorge Drexler. È considerado um dos músicos mais experiente do Uruguai. Com Luciano Supervielle, já participou de variados projetos musicais.

Adrián Sosa – bateria. Engenhoso e econômico, o músico precisa dar ritmo ao espetáculo do Bajofondo, sem no entanto atrapalhar a expressão de outros instrumentos.

Verónica Loza – VJ e vocals. A única mulher do grupo é também a única responsável pela arte visual do espetáculo. Seu desafio é combinar o ritmo das imagens ao ritmo musical do Bajofondo, numa espécie de produção ao vivo de videoclipe. Ela também realiza trabalhos artísticos como fotógrafa.

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