‘Só canto o que eu acredito’

Aline Calixto, que se apresenta em Viçosa. Foto por Guto Costa.

Aline Calixto, que se apresenta em Viçosa. Foto por Guto Costa.

Carioca de nascimento, mineira de formação, sambista de alma: Aline Calixto, cantora que se apresenta hoje em Viçosa, retorna ao palco que a lançou para a vida musical. Foi ela, acompanhada da Banda Beba do Samba, que tornou tradicionais as quintas-feiras no Bar do Leão.

Aos 6 anos de idade, Aline veio para Minas Gerais. Mais tarde, cursou e ministrou aulas de Geografia. Mas a música tocou mais alto: do sucesso no espaço que tornou-se pequeno para o público que a acompanhava, veio a mudança para Belo Horizonte – a produção, as parcerias, o espaço para crescer e mostrar todo o talento.

Aline Calixto já é o novo nome de destaque da MPB. O show de hoje não terá as canções do CD, mas um encontro entre novos e eternos parceiros, como conta na entrevista exclusiva concedida agora há pouco ao Estúdio ao Vivo:

O CD
O CD chega às lojas de todo o Brasil no dia 25. O que eu quis trazer para esse trabalho, que nesse momento reverencia o samba – é porque é um CD praticamente com sambas e batucadas – eu quis mostrar o meu trabalho, tanto de intérprete como de compositora, e dos antigos e dos novos compositores também. Porque eu acho muito importante a gente poder, sempre que possível, unir essas linguagens. O antigo e o novo juntos eu acho que funciona bem. Quando a gente consegue conduzir isso de uma maneira legal, todo mundo sai ganhando.

Tradição e Modernidade
Sinceramente, eu não tive dificuldade [em unir músicos tradicionais e outros modernos]. Porque tudo aconteceu com muita naturalidade no trabalho. A última faixa do disco, Uma Só Voz, é uma música de um compositor novo, da nova geração – Edu Krieger – e é cantada por uma cantora que está chegando também, acompanhados de quatro velhinhos da Velha Guarda do Samba: Monarco, Nelson Sargento, Walter Alfaiate e Wilson Moreira. Ou seja, ela é um grande exemplo dessa simbiose, do antigo e do novo, todo mundo junto e nessa sintonia.

Mineiro no Samba
Primeiro parte do princípio que eu acredito que samba é samba onde quer que ele esteja. (…) O que acontece é que em algumas regiões pode-se ter um elemento que é mais representativo ali, como é o caso do Recôncavo Baiano que a gente tem a presença da viola dentro do samba, que é muito legal.

Agora falar que o samba é “assim”, o samba é “assado”, eu não vejo dessa forma. A questão dos compositores mineiros no meu CD não foi algo proposital. Foram as coisas que chegaram até mim, da minha pesquisa… Realmente tem um número vistoso de sambistas e de compositores mineiros dentro do CD, mas isso não foi intencional não.

Tanto é que no CD a gente tem gente do Recôncavo Baiano, o próprio Makely [Ka] não é mineiro, não. A gente tem Rio de Janeiro – Edu Krieger, Arlindo Cruz-, enfim, uma miscelânea aí.

A Volta à Viçosa
Eu estou realizando um sonho mesmo de poder estar aqui, onde eu comecei com a história com o samba – porque foi aqui, todo mundo conhece, sabe da história das quintas-feiras, do movimento que a gente criou que não existia… E poder estar aqui hoje trazendo parte da minha banda, juntamente com minha primeira banda, que foi Beba do Samba, todos no mesmo palco, é muita alegria. Eu estou muito, muito feliz, de poder estar aqui com essa banda, ter cada dia um público que sabe da minha trajetória, tenho certeza… É muita felicidade.

Pelo Brasil
Graças a Deus [meu trabalho] tem sido bem aceito sim. A gente vê o retorno das pessoas. Quando você faz um show e você retorna, as pessoas cantam algumas músicas já, isso é muito importante. Não só em Minas, como também fora de Minas, no Rio onde eu estive fazendo temporada de shows no ano passado e neste ano, o retorno tem sido muito bom, muito positivo. Estou bem contente com o retorno do público.

No play
Aline Calixto escuta tanta coisa… Eu escuto Roberto Carlos, Renegado, Céu, Paulinho da Viola… Porque não só referências do samba, eu escuto música boa. Muita música brasileira, realmente. E a gente tem muita coisa boa.

As composições
Primeiro, eu só canto o que eu realmente gosto e acredito. O que eu estou cantando, o que eu estou falando, recitando naquele momento, faz parte de mim. As minhas composições… é um processo meio louco. Você fala: faz uma música aí, o tema é a caneta e o papel. Eu não vou fazer. Um dia pode ser que ela saia, mas é um processo muito intuitivo. Às vezes eu estou tomando banho e vem uma melodia na cabeça e eu falo “nossa, tenho que registrar isso”. Eu já pego o gravador e [gravo] a melodia. A letra, a mesma coisa. E Às vezes vem as duas coisas juntas. Às vezes vem uma parte e eu deixo guardada. Aí “nossa, já sei a outra parte da música”. Eu vou e faço. Então meu processo é assim.

É porque eu não toco nenhum instrumento também, aí tudo o que eu faço tem que estar com o gravadorzinho do lado para registrar, pra não perder.

Som Brasil Martilho da Vila
Entraram em contato com a gente através da gravadora, a gravadora com a minha produção, e foi magnífico, foi maravilhoso. Porque estar ao lado do Martinho da Vila, da Martinália, o Moisés que já é um parceiro – já conhecia ele da Lapa – foi uma experiência muito bacana.

Tenho uma grande felicidade hoje de poder ter o contato, continuar tendo o contato com as pessoas com quem eu gravei – o próprio Martinho, a Martinália, a família inteira: a Dagmar, Janjara, Juju, Tonico, porque ali a família inteira toca. Hoje eu tenho contato com eles, e realmente se deu muito em função do programa. A gente se conheceu, nós trocamos umas idéias e continuamos a amizade.

Agradecimentos
Aline Calixto, por conceder a entrevista, pela simpatia e retorno à Viçosa;
Tomás, que acompanhou a cantora desde a chegada à cidade até a passagem de som;
André, por facilitar nosso contato para a entrevistada, um dos integrantes da Casulo Cultura, produtora de Aline Calixto.

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Um comentário sobre “‘Só canto o que eu acredito’

  1. Pingback: vestiário/blog : Descobertas: Calixto, Muniz & Ná

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