Independência ou Morte, com Gabriel Thomaz

GabrielO Estúdio ao Vivo inaugura, hoje, a sessão Independência ou Morte, na qual serão entrevistados artistas e profissionais ligados à música independente brasileira. As entrevistas serão usadas, também, para a elaboração de um projeto experimental, com o mesmo nome, abordando o uso da comunicação na música independente.

O primeiro entrevistado foi o vocalista e guitarrista da banda Autoramas, Gabriel Thomaz. Durante o papo descontraído, o músico falou sobre o cenário musical, mercado e manteve certo mistério sobre o MTV Apresenta Desplugado, com o trio carioca, que vai ao ar em novembro.

Confira a entrevista na íntegra:

Você acha que existe algum preconceito com a música independente?

Existe. Existe sim, mas isso é uma coisa de gente mais antiga. A galera mais nova já entendeu muito bem como as coisas funcionam e já está muito mais acostumada com esse tipo de trabalho.  Mas ainda tem gente mais antiga que tem o preconceito, acha que banda independente é banda iniciante, acha que cd independente é cd demo e, na realidade, é porque tem muita banda iniciante que tenta ganhar as coisas usando a palavra ‘independente’. Eu acho que isso é uma questão muito mítica: uma banda que é independente de verdade e uma banda iniciante que está querendo não mais ser independente.  O preconceito existe e eu acho que o papel do rock n’ roll é esse mesmo, bater de frente com o conservadorismo.

Como o Autoramas faz para criar uma relação com o público, sem os mesmos artifícios de uma grande gravadora?

A verdade é a seguinte, cara: as grandes gravadoras faliram. Ainda tem gente que cai no papo deles e tal. Mas existem muitas maneiras de você chegar ao seu público. Temos os festivais, a internet também é um grande canal. Se você toca num festival e lá existem 50 bandas, pra sua banda sair como a banda que foi bem falada, é uma tarefa difícil. Na internet, a gente faz um perfil do Myspace, onde existem milhares de bandas, e você se destacar lá dentro é uma coisa muito difícil. Pra eu generalizar isso tudo, só posso dizer que não existe um padrão, são 1001 formas. Não posso dizer como é que faz, você tem que arrumar um jeito de se destacar.

A banda independente acaba se destacando mais pela sua arte do que pela parte econômica da indústria musical …

Claro, pela música, né? Que é o mais importante. É engraçado, se você começa a gostar de um artista ou de uma banda, ou não, pela forma que ele é trabalhado ou se ele tem mais investimento, porque isso é uma inversão de valores. Então, acho que o correto é você gostar de uma banda por causa da música que ela faz.

Algumas pessoas ficam incomodadas em responder, ou até não respondem essa questão, talvez por terem o rabo preso com alguma gravadora, mas gostaria de saber o que você acha do jabá! (risos)

Eu acho que o jabá faz com que as pessoas não tenham acesso a muitas músicas que ela poderia ter. Elas não têm como adivinhar que existem, exatamente porque alguns pagam o jabá e toma o espaço dessas músicas, entendeu? Eu até acho que o jabá é uma forma antiquada de fazer um artista se destacar. Tem muita coisa que acontece, hoje em dia, que passa longe de onde as pessoas praticam o jabá. É até engraçado você falar de bandas independentes e sobre jabá, pois são mundos completamente diferentes. São dimensões distintas.

Vocês fazem pesquisa de público, pra saber onde vocês vão tocar ou vender seus cd’s?

Cara, esse negócio de pesquisa de público, a gente faz quando ta no palco tocando e olhando nos olhos das pessoas. Todo mundo cantando, a reação das pessoas, independente da nossa performance no palco. Essa é a nossa pesquisa de público. Pra uma banda de rock, é muito mais importante o contato direto com o público. Esse tipo de estatística eu acho que não funciona.

E vocês fazem algum trabalho de imagem?

Nós temos nosso estilo. Quando você vê uma banda como o Cachorro Grande, por exemplo, dizem que é ‘bem Cachorro Grande’. A gente tem a nossa linha, temos nossos números, nosso cenário, nossa performance de palco, tem nossas capas (de cd). Nossos videoclipes que, no que diz respeito à imagem, foi o que a gente mais usufruiu.

Muitos dizem que a gravadora independente não influi na estética do trabalho, isso é verdade?

Olha, é verdade. Quando um artista assina com uma grande gravadora, ele perde o controle do trabalho dele. Quem passa a ser dona do trabalho, é a gravadora. Quando o artista é independente, ele tem o controle do trabalho dele. A diferença é que, a música lançada pela grande gravadora, é a música que eles te obrigam a engolir. Te enfiam pela goela abaixo. Já a música independente é a música que você tem direito de escolher.

Pra finalizar, Gabriel, gostaria que você falasse um pouco do novo projeto da banda, junto com a MTV.

Então, a gente gravou o MTV Apresenta – Autoramas, desplugado. Eu estou aqui, no estúdio e começamos a conversar três minutos depois que a gente finalizou a edição do DVD. É um novo projeto, que a gente toca com violão, baixolão, ta muito legal, cara! É até bom a gente não comentar muito, pra deixar a surpresa.

E qual a previsão de lançamento?

Vai estrear na MTV no dia 13 de novembro.

Gabriel, gostaria de agradecer e pedir desculpas por ficar te ligando no meio da edição (risos)

Não tem problema nenhum, Oswaldo. Seja sempre bem-vindo e fique a vontade pra ligar sempre que você quiser.

Valeu. Grande abraço e sucesso pra você!

Tudo de bom pra você! Valeu, Oswaldo.

Conheça mais de Autoramas no site oficial:

http://autoramas.uol.com.br/

Para ouvir os álbuns clique em:

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=40398

Foto: Blog Porão do Rock

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s