O Beijo Bandido de Ney Matogrosso

São diversos os encontros que explicam a única paixão envolvendo toda a plateia. Ney Matogrosso tem à sua frente um público variado em idades e histórias, com diferentes memórias sobre o cantor. A face do Ney que canta na turnê Beijo Bandido, que esteve nos palcos paulistas nos dois primeiros finais de semana de março, é suave, de tons claros e mais contido – um contraste óbvio a ser feito nas comparações de sua carreira, que iniciou-se regada pela banda de rock (também consagrada com o estilo MPB) Secos & Molhados.

O que Ney reinventa no palco são canções normalmente ligadas ao amor e regravações que o cantor já arriscava em alguns shows antes do repertório da turnê, como “Bicho de sete cabeças” e “Da cor do pecado”. Em cada música, evidencia-se a potência de voz característica de Ney, que, apesar do tom mais sério, provoca a reação com discretos rebolados.


Ney interpreta “Da cor do pecado”, famosa na voz de Luciana Melo.

Ney abusa do acompanhamento de instrumentos de corda, como o cello, violão e violino, além de refinar sua voz acompanhada apenas das teclas de Leandro Braga, também diretor musical do show. Com o cenário em tons fortes de azul e vermelho se mesclando entre suas músicas no início do show, o presente final está em uma versão arrojada de projeções multicoloridas e luzes acompanhando a harmonia dos sons. Entre esses jogos visuais, ainda são projetadas imagens do próprio Ney, seja em danças ou em fotos especiais para a turnê.


“Invento”, música que inspira o nome do cd/show Beijo Bandido.

O que Beijo Bandido reserva, em particular, é a constatação de que Ney Matogrosso é um artista com uma forte presença de palco e uma personalidade que justifica o amplo leque de possibilidades que ele se permite dentro da música. Dizem que a diferença entre aqueles que apenas passam como uma banda ou um produto deixado pra trás e aqueles que permanecem intactos no mundo da música está na capacidade de ser transversal ao tempo. Isto Ney já provou – com ousadia e estilo.

Ana Maria Amorim (@anacronicas)

Ana Maria Amorim é jornalista. Com o blog Anacrônicas, revela textos que variam entre reflexões, lirismos e verdades marcantes. Nas palavras dela: “mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão – sofrimento com sorriso. Ou vice-versa”. Aqui, fala sobre música com o olhar de quem transforma as notas em inspiração.

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fotos e vídeos: Ana Maria Amorim

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