No Ar: Musical Box [7]: Os Mistérios de Frost ·

O rock neo-progressivo em sons que misturam técnicas modernas, batidas eletrônicas e vocais trabalhados e inteligentes: a banda inglesa Frost, formada em 2004 por Jem Godfrey (vocais e teclados) e os membros John Jowitt (baixo), Andy Edwards (bateria), John Boyes (guitarra), John Mitchell (guitarra e vocais) e Tim Turan (masterização), trouxe para o universo progressivo experimentações que, já em seu primeiro álbum “Milliontown”, apresentam a faixa homônima com 26 minutos.

Em uma composição de guitarras, bateria, vozes e teclados, a música se divide em seis densas partes: “One Underground”, “Abracadaver”, “The Only Survivors”, “Core”, “The Chosen Few” e “Two Underground”, com inspirações diferenciadas como o livro “O Aprendiz”, de Gordon Houghton.

Após o lançamento do primeiro álbum nos Estados Unidos e na Europa e uma breve turnê, ainda em 2006, Godfrey anunciou no blog da banda no MySpace que, devido a compromissos profissionais e pessoais, o grupo seria dissolvido com o fim das quatro últimas apresentações.

Em 2008, a banda foi retomada e lançou o álbum “Experiments in Mass Appeal” no dia 17 de novembro, com a participação de Declan Burke (guitarra e vocal), em substituição a John Boyes. Ainda no mesmo ano, Andy Edwards anunciou sua saída e, no ano seguinte, Nick D’Virgilio assumiu a bateria da banda. Ainda em 2009, Nathan King foi escolhido como o novo baixista no lugar de John Jowitt.

No Ar: Musical Box

O progressivo estrutural da banda Frost é o tema do especial Song Box de logo mais no Programa Musical Box, transmitido pela Rádio Universitária 100,7 Fm em Viçosa-MG ou pelo site http://rtv.ufv.br a partir das 20h.

Representantes do mesmo estilo de Rock, como o Krautrock de Rufus Zuphall e a renovação dos Yardbirds, Renaissance, fazem parte do repertório do Programa, assim como os representantes dos clássicos do Blues, Bob Dylan, BB King e Johnny Taylor.

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No Ar: Musical Box [6] · O Ritmo Moderno e Intenso de Violentango

A reinvenção do jeito clássico de tocar tango em arranjos modernos e intensos chega pela primeira vez ao Brasil com o grupo argentino Violentango, que se apresenta em Viçosa no próximo dia 23 (sexta-feira). A qualidade técnica e a naturalidade em misturar composições próprias e tradicionais no repertório trazem para o palco combinações inusitadas da sonoridade de violões, bandoneon, baixo e percussão: é uma nova perspectiva do ritmo que se tornou símbolo nacional da Argentina.

Formado em 2004 com o nome Violentrio, o grupo gravou seu primeiro trabalho homônimo em 2005, se apresentando no mesmo ano em cidades como Londres, Cambridge e Barcelona. Apenas em 2006, com a chegada do músico Santiago Córdoba e os tons fortes da percussão, Violentrio viria a se tornar Violentango.

Com quatro álbuns gravados (“Violentrio”, “28Kg em vivo”, “Buenos Aires 3 a.m.” e “Rock de Nylon”) e o reconhecimento em 10 turnês pela Europa e América Latina, a versatilidade dos músicos Adrián Ruggiero (Bandoneon e violão), Juan Manuel López (violão), Santiago Córdoba (Percussão), Andrés Ortega (violão) e Ricardo Jusid (Baixo) resgata, com profissionalismo musical apurado, a expressão folclórica e o ritmo urbano dos subúrbios de Buenos Aires, que permanecem vivos desde o início do século XIX.

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A partir das 20h, pela Rádio Universitária 100,7 FM, o Programa Musical Box traz um especial com Violentango, uma oportunidade de saborear as harmonias que serão propagadas amanhã no Espaço Fernando Sabino (UFV) em Viçosa.

Além das canções instrumentais, o Blues de nomes como canções instrumentais Bob Dylan e Neil Young e o Rock Progressivo de Buddy Guym, entre outros, também fazem parte da playlist.

Sintonize na Rádio Universitária FM também pelo site http://www.rtv.ufv.br.

Thiago Pethit e seu novo disco

Quarta-feira sai um pouco mais cedo da curso de ‘redação e criatividade’ e corri para o Studio Sp para tentar assistir ao show de Thiago Pethit, que está lançando o CD ‘Berlim, Texas’, no projeto ‘Cedo e Sentado’. Confesso que já tinha escutado as músicas do Thiago Pethit, mas que ainda não havia parado para apreciar, perceber as nuances, as influências, as surpresinhas.

O show atrasou uns 20 minutos do horário previsto, o que foi ótimo pois assim cheguei antes do início. Thiago subiu ao palco no melhor estilo realeza moderna, calças curtas, sapato social e camiseta folk, com cabelos agitados lembrando Beethoven. Abriu a noite com ‘Não se vá’, música que abre o disco. E eu ali, a dois metros do palco, prestando atenção a cada nota. Ele canta com muita clareza, suas palavras são bem articuladas e sua composição é bastante sentimental. A cada frase de ‘Não se vá’ eu lembrava de momentos que vivi e outros que ainda não. Impossível ouvir Pethit e não pensar em relacionamentos de forma delicada e profunda.

Me arrisco aqui a falar um pouco do que creio ser suas fontes inspiradoras. Estava lendo sobre sua influência do teatro, sobretudo do dramaturgo alemão Bertold Brecht. O nome do disco é também uma brincadeira com o filme ‘Paris, Texas’, de Win Wenders. A canção ‘Nightwalker’, com as palminhas, me lembrou ‘My love‘ do também excelente ‘The Bird and The Bee’. Algumas canções me trazem à memória o músico francês Yann Tiersen e a banda ‘Beirut’ que combina elementos do Leste Europeu com o Folk. Independente de qualquer comparação que eu faça devo admitir que Thiago Pethit é bastante autêntico e que talvez não haja músico brasileiro que desenvolva trabalho parecido com o dele. O disco foi produzido pelo Yuri Kalil, do Cidadão Instigado.

Entre uma música e outra Thiago definiu seu show como um voix de ville’ contemporâneo – uma espécie de sarau francês bastante popular antigamente. Segundo ele, para completar esse cenário não poderia faltar o que hoje seria a principal canção dos cabarets e interpretou ‘Bad Romance’ ao piano.

Thiago carinhosamente denominou sua banda como os ‘Petit Four’, rs, composta por Camila Lordy (piano e acordeon), Guga Machado (bateria e percussão), Ana Elisa Colomar (cello, flauta transversal e clarinete) e Pedro Penna (violão e ukulele). Se eu não estou enganado, Guga Machado não participou do show no Studio SP, mas infelizmente eu não tenho o nome da artistas que o estava substituindo.

Após fechar o ciclo de canções com ‘Don’t go away’, versão em inglês da canção que abriu a noite, Pethit e sua banda se despediram, mas logo voltaram ao palco para o bis, com a canção ‘Mapa-Mundi’, acompanhada em coro pelo público.

Quem quiser saber mais sobre o trabalho de Thiago Pethit pode acessar seu site e o blog ‘don’t touch my moleskine‘, onde há uma entrevista bem bacana. Para quem estiver em São Paulo, o terceiro e último show dessa temporada no Studio SP acontece nesta quarta-feira, dia 21, a partir das 21h. O ‘cedo e sentado’, projeto no qual o Thiago escolheu para lançar seu disco, é de graça. Aqueles que quiserem permanecer no Studio Sp após o show poderão curtir a apresentação de Thalma de Freitas, e será cobrado R$ 20 reais de entrada (R$ 10 com o nome na lista).

**a foto publicada neste post foi gentilmente cedida por Ariel Martini (@bortao | Flickr)

Rafael Munduruca (@munduruca)

Rafael Munduruca é jornalista e produtor cultural. Um nômade fixado em São Paulo, que ensaia um blog no qual gosta de experimentar coisas novas e outras nem tão novas assim.

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Imagem de topo: Lara Marx sobre foto de Ariel Martini

Intensidade, Swing e Peso

Get On Top
A expectativa pelo cover da banda californiana The Red Hot Chili Peppers atraiu mais de 600 pessoas para o Espaço Galpão em Viçosa-MG no sábado 9 de abril. Ingressos esgotados e qualidade musical: desde as músicas ambiente, a segunda edição do Projeto Donaxica foi marcado pela intensidade.

Com um repertório mais voltado para o internacional, o grupo Yellow Cookie assumiu os primeiros acordes do evento, extravasando uma energia que aproximou e integrou o público ao clima Rock’n Roll. Márcio Duarte (bateria), Rafael Arruda (guitarra), Alexandre Costa (vocal) e Gabriel Arruda (baixo) abriram caminho para uma noite de expressividade e entrega mútua entre músicos e fãs de canções como Yellow (Coldplay), Stand by Me (John Lennon) e Elevation (U2).

Parallel Universe
A primeira música do show de Coffee Shop trazia o aviso:

We could make time
Rompin’ and a stompin’
‘Cause I’m in my prime.

Os versos de Around the World, entoados pela voz de Marcello Baia e a harmonia de Alisson Sanches (baixo), Pedro Ezequiel (bateria) e Paulo Bandeira (guitarra) transmitiram o swing e o peso de Red Hot Chili Peppers.

Do instrumental espontâneo – com “pegada, energia e groove” [Pedro Ezequiel] – ao vocal que muito se aproxima da performace do vocalista de Red Hot, Anthony Kiedis, o show do grupo viçosense demarcou três momentos e deixou registradas três reações: a expressão de surpresa e admiração pela qualidade do cover; a animação pelo funk rock da dobradinha baixo-guitarra e pela batida crua da bateria; e a decepção de quem esperava ainda mais do que as 20 músicas tocadas em cerca de duas horas de show.

O Set List mesclou canções mais populares como Califonication e Dani California, com as mais apreciadas por quem acompanha de perto a carreia de Red Hot, como Higher Ground e Superstition. Foi uma mostra da versatilidade de Coffee Shop, que registrou em palco a personalidade do rock setentista e do heavy metal.

Set List
1 – Around the World
2 – Get On Top
3 – Higher Ground
4 – Easily
5 – Otherside
6 – Aeroplane
7 – Californication
8 – I Like Dirt
9 – Knock me Down
10 – Parallel Universe
11 – The Power of Equility
12 – Coffee Shop
13 – Fire
14 – Superstition (cover Stevie Wonder)
15 – Under the Bridge
16 – Dani California
17 – By the Way
18 – Warped
19 – Suck my Kiss
20 – Give it Away

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Agradecemos à produção de Donaxica e aos integrantes das bandas Coffee Shop e Yellow Cookie.

Fotos: Lara Marx e Amanda Oliveira
Imagem de topo: Lara Marx

No Ar: Musical Box [5] · O ácido Tutti Frutti

eu faço o que eu quero, se eu quiser fazer tango, eu faço. eu não tenho que ficar achando que “oh, eu tenho que ser coerente”. [Rita Lee em entrevista a Serginho Groisman, no Programa Altas Horas, 2009]

A experiência musical de Rita Lee foi marcada, no início da carreira, pela espontaneidade de uma geração que descobria a liberdade através da música, das drogas e de uma estravagância que conflitava com o “estilo bossa nova”.

The Teenage Singers foi o primeiro grupo que integrou. O trabalho vocal era a essência das meninas que juntaram-se, mais tarde, aos garotos de The Wooden Faces: surge Six Sided Rockers, que, reduzido tempos depois ao trio Os Bruxos, adota o nome Mutantes.

Jovens, cabeludos, coloridos, psicodélicos: Mutantes era o retrato de tudo o que a mistura inerente ao Tropicalismo lançou como estética. Backing vocal para o Tim Maia, Mozart tocado na guitarra, vaias nos Festivais, acompanhamento de Gil e Caetano, versões futuristas de canções próprias e de artistas como Tom Zé fizeram parte da trajetória do trio.

Rita Lee ensaiava um vôo solo com o primeiro disco Build Up, em 1970, o que concretizou com Hoje é o primeiro Dia do Resto de Sua Vida (1972). No mesmo ano, realizou a última apresentação com Os Mutantes no VII FIC, no Rio de Janeiro.

No Ar: Musical Box
Como chiclé, as canções de Tutti Frutti grudam no ouvido. Não por serem repetitivas ou com frases musicais simples. Ao contrário, o disco Atrás do Porto Tem Uma Cidade (1974) representa o novo momento de autoconhecimento da cantora e compositora, e revela uma nova face de Rita: o rock pesado mesclado a um som mais popular, com investidas marcantes de Lucia Turnbull (vocal e guitarra), Luis Sergio Carlini (guitarra solo), Lee Marcucci (baixo) e Emílson Colantonio (bateria).

Da canção De Pés no Chão a Mamãe Natureza, a experimentação e o retrato despreocupado com as dificuldades, mudanças e chatices do cotidiano. É um disco tão intrigante e diferenciado, pela minuciosa simplicidade, que suspeita-se ter sido censurado em suas letras. Mas não é necessário falar muito quando os sintetizadores entram em cena e mostram a face obscura de Tutti Frutti.

Eu fui e dei o maior pé, porque eu não deixei de fazer rock, mas cheguei mais perto das pessoas. [Rita Lee em entrevista a Serginho Groisman, no Programa Altas Horas, 2009]

Rita no primeiro show com o Tutti-Frutti - Teatro Ruth Escobar (SP) - agosto de 1973

O grupo ainda lançou Fruto Proibido (1975) – alavancado pela música Ovelha Negra, apesar da harmonia “troglodística” (como ela mesmo define) -, Entradas e Bandeiras (1976) e Babilônia (1978).

Roquem é ele? Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Uma mosca, um mistério,
Uma moda que passou
E ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!
[…]
Roquem é ele? Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto,
Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou! [Esse tal de Roque Enrow, disco Fruto Proibido, 1975]

É a sonoridade do disco Atrás do Porto tem uma Cidade que ecoa nesta quinta-feira a partir das 20h no Programa Musical Box (Rádio Universotária 100,7 FM, em Viçosa-MG).

O Programa traz, ainda, canções nordestinas e sons instrumentais de nomes como Vitor Araujo e Violentango, além da participação especial de Alice Pita dando o tom do primeiro bloco.

Otto e os sonhos intranquilos

Quinta-feira, 08 de abril, foi o show de lançamento do CD ‘Certa manhã acordei de sonhos intranquilos’, do pernambucano Otto, no Sesc Pinheiros. O título do novo cd foi inspirado no livro ‘Metamorfose’, de Kafka, e quebrou um jejum que durava desde 2005, quando o cantor lançou o CD ‘MTv Apresenta Otto’. Entre as músicas destaco ‘Crua’, ‘6 minutos’ e ‘Filha’ canções que de alguma forma mexeram comigo, e sem dúvida animaram o público.

Não sei que onda é essa, mas quase todos os shows que tenho assistido tem aparecido alguma música em homenagem a orixás. No show de Otto isso ficou na responsabilidade da música ‘Janaína’. Duas músicas do disco contam com participações especiais, Otto divide os vocais com a cantora Céu em ‘O Leite’ e com Julieta Venegas em ‘Saudade’ (com ritmo delícinha, que me lembra um pouco Mano Chao). Sem dúvida as canções refletem alguns possíveis sonhos intranquilos, que trazem imagens de relacionamentos (mal) acabados.

O show durou cerca de duas horas e o repertório apresentou quase todas as canções do novo disco e outras mais antigas. Otto pareceu um pouco desatento, talvez com a percepção um pouco alterada, e não parava de dançar um segundo. Aliás, só parava de dançar para rolar no chão do palco ou virar copinhos d’água na cabeça. Apesar disso, ele transmiti muita alegria no que faz, e parece se divertir cantando e dançando – dancinhas pra lá de sensuais. Em alguns momentos parou para lamentar estar na casa dos quarenta, mas garantiu que ainda mantém a energia de quando tinha 16 anos. O público, que lotou o teatro, demonstrou que conhecia muito bem ele e as canções e pediu músicas que não estavam na set list do show, mas que foram prontamente atendidas. Ao final, todos dançaram, imitando os passinhos do cantor.

Rafael Munduruca (@munduruca)

Rafael Munduruca é jornalista e produtor cultural. Um nômade fixado em São Paulo, que ensaia um blog no qual gosta de experimentar coisas novas e outras nem tão novas assim.

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Fotos: Rafael Munduruca

Imagem de topo: Lara Marx

Amplifica [4]: Arte e transformação com Seiva Reggae Resistência

Integrantes
Arthur Chiachio – guitarra/voz/escaleta
Thiago Vargas – bateria/voz
Lucas Sylos – baixo
Aline Vilaça – voz
André – saxofone

O envolvimento espiritual em letras e melodias, a busca de uma identidade e a arte traduzida em essência: através de sons originais e arranjos diferenciados, a banda Seiva Reggae Resistência tem levado, desde 2004, a música como uma ferramenta de transformação a palcos de Viçosa e outras regiões do país, como Itacaré, Salvador (BA) e Recife (PE).

Com canções autorais, o primeiro CD da banda – vocais e guitarras de Daniel Mujali –, buscou demonstrar a vivência do grupo e divulgar o trabalho em 12 composições, como Proverá e Messias.

Este ano, com o acúmulo de experiências e novas parcerias, Seiva busca a concretização da carreira em um trabalho inédito, com canções nacionais e internacionais, além da ampliação dos horizontes musicais, por meio de um diálogo com outras áreas, como o audiovisual e a agricultura.

No momento, a gente, como banda, é veículo de uma mensagem que é superior, que é algo maior. (…) A música é como uma ferramenta de transformação da sociedade. Por ela, você entra na consciência de uma pessoa, de maneira lúdica e consegue transformá-la. (Arthur Chiachio)

Myspace
http://www.myspace.com/seivareggae

Contato
Lucas (31) 3891-0385
Thiago (27) 8877-1263
e-mail: seivareggaeresistencia@yahoo.com.br

Foto: acervo pessoal Banda Seiva
Texto: Amanda Oliveira e Lara Marx