No Ar: Musical Box [5] · O ácido Tutti Frutti

eu faço o que eu quero, se eu quiser fazer tango, eu faço. eu não tenho que ficar achando que “oh, eu tenho que ser coerente”. [Rita Lee em entrevista a Serginho Groisman, no Programa Altas Horas, 2009]

A experiência musical de Rita Lee foi marcada, no início da carreira, pela espontaneidade de uma geração que descobria a liberdade através da música, das drogas e de uma estravagância que conflitava com o “estilo bossa nova”.

The Teenage Singers foi o primeiro grupo que integrou. O trabalho vocal era a essência das meninas que juntaram-se, mais tarde, aos garotos de The Wooden Faces: surge Six Sided Rockers, que, reduzido tempos depois ao trio Os Bruxos, adota o nome Mutantes.

Jovens, cabeludos, coloridos, psicodélicos: Mutantes era o retrato de tudo o que a mistura inerente ao Tropicalismo lançou como estética. Backing vocal para o Tim Maia, Mozart tocado na guitarra, vaias nos Festivais, acompanhamento de Gil e Caetano, versões futuristas de canções próprias e de artistas como Tom Zé fizeram parte da trajetória do trio.

Rita Lee ensaiava um vôo solo com o primeiro disco Build Up, em 1970, o que concretizou com Hoje é o primeiro Dia do Resto de Sua Vida (1972). No mesmo ano, realizou a última apresentação com Os Mutantes no VII FIC, no Rio de Janeiro.

No Ar: Musical Box
Como chiclé, as canções de Tutti Frutti grudam no ouvido. Não por serem repetitivas ou com frases musicais simples. Ao contrário, o disco Atrás do Porto Tem Uma Cidade (1974) representa o novo momento de autoconhecimento da cantora e compositora, e revela uma nova face de Rita: o rock pesado mesclado a um som mais popular, com investidas marcantes de Lucia Turnbull (vocal e guitarra), Luis Sergio Carlini (guitarra solo), Lee Marcucci (baixo) e Emílson Colantonio (bateria).

Da canção De Pés no Chão a Mamãe Natureza, a experimentação e o retrato despreocupado com as dificuldades, mudanças e chatices do cotidiano. É um disco tão intrigante e diferenciado, pela minuciosa simplicidade, que suspeita-se ter sido censurado em suas letras. Mas não é necessário falar muito quando os sintetizadores entram em cena e mostram a face obscura de Tutti Frutti.

Eu fui e dei o maior pé, porque eu não deixei de fazer rock, mas cheguei mais perto das pessoas. [Rita Lee em entrevista a Serginho Groisman, no Programa Altas Horas, 2009]

Rita no primeiro show com o Tutti-Frutti - Teatro Ruth Escobar (SP) - agosto de 1973

O grupo ainda lançou Fruto Proibido (1975) – alavancado pela música Ovelha Negra, apesar da harmonia “troglodística” (como ela mesmo define) -, Entradas e Bandeiras (1976) e Babilônia (1978).

Roquem é ele? Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Uma mosca, um mistério,
Uma moda que passou
E ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!
[…]
Roquem é ele? Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto,
Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou! [Esse tal de Roque Enrow, disco Fruto Proibido, 1975]

É a sonoridade do disco Atrás do Porto tem uma Cidade que ecoa nesta quinta-feira a partir das 20h no Programa Musical Box (Rádio Universotária 100,7 FM, em Viçosa-MG).

O Programa traz, ainda, canções nordestinas e sons instrumentais de nomes como Vitor Araujo e Violentango, além da participação especial de Alice Pita dando o tom do primeiro bloco.

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4 comentários sobre “No Ar: Musical Box [5] · O ácido Tutti Frutti

  1. O música brasileira dos anos 60 e 70 é tão intrigante que reverbera até hoje, pulsante e inspiradora. A Rita Lee é vital nesse contexto, com os Mutantes, com o Tutti Frutti, solo. E os shows dela são bacanudos que só! E tem um disco dela com o Gil que é uma belezoca!

    Textos ótimos, meninas! Li os outros posts do estúdio e, conhecendo vocês, mesmo sem ler a assinatura, dá para reconhecer os traços característicos que imprime a singularidade de cada uma.

    e a narrativa do Victorious do show do Franz foi um arremate dos bons!
    sohos lúcidos arretados!

    keep on rockin’, girls!

    • já tive a sorte de ver um dos loucos shows da rita lee também, vizinho. é bacanudo mesmo!

      muito bom que esteja lendo sempre, e identificando nosso modo de escrita! não assinamos porque geralmente os textos são feitos em dupla mesmo, assim como as produções, ou com grandes pitacos de cada uma. tem sido assim a construção da identidade estúdio ao vivo hehe. (isso significa que nem sempre o nome que está lá em cima da postagem é da pessoa que escreveu o texto, é só de quem apertou o “publicar” no sistema).

      dê sugestões também sobre as postagens, o que gostaria de ver por aqui.. sempre benvindas!

  2. Meninas, se é que se pode sugerir, gostaria de ler as linhas múltiplas das suas mãos simbióticas algo sobre a Maria Bethânia.

    Encontrei uns vinis lindões dela esses dias aqui em casa, empoeirados e esquecidos, mas que ressoaram com uma força incrível na vitrola nesse domingo de sol e poesia.

  3. Sempre se pode sugerir! Adoraria cobrir um show dela, mas não vejo perspectivas para. No entanto, voltaremos a produzir especiais no Estúdio ainda essa semana, então Maria Bethânia será prioridae como sugestão de tema para próximos especiais.

    Abraços!

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