De Cores

 

Era de se esperar um pulsar sereno a ditar a base do show do Maglore. À cadência de “A sete chaves”, os baianos Igor Andrade (bateria), Lelão (teclados, escaleta e guitarra), Nery Castro (contrabaixo) e Teago Oliveira (guitarra e voz) abriram em tom melancólico a estreia na cidade de São Paulo.

Salta à voz de Teago a melhor descrição do que são em palco: os versos das músicas próprias, lançadas em 2009 no EP “As Cores do Vento” e também em 2010, com a finalização do primeiro CD Veroz.

‘Nenhum peso pelo medo de gostar’
Maglore mostra uma seleção cuidadosa do repertório. As influências presentes no show – como The Beatles e Mutantes – contribuem para a afinação do grupo com o público, que mesmo em canções inéditas se manteve no compasso exposto pela mistura de ritmos sustentada pelos instrumentistas.

A gente não faz parte de nenhum estilo de música. A gente mistura tanto Ijexá, que é música baiana, quanto Rock’n Roll ou o Pop-Rock. […] As músicas são muito diferentes entre si, a banda possui uma gama de composições que não tem uma linha concreta.

O resultado é o sucesso construído em pouco mais de um ano, que gerou demanda pelo novo CD em lugares além da Bahia e possibilitou a apresentação em São Paulo a partir de pedidos realizados pelos fãs do grupo via Twitter.

‘Lembra quando tudo começou’
Em 2009, o compositor Teago convidou músicos para a gravação de cinco canções. O resultado é o EP que tem como base a sinestesia: “As Cores do Vento” surgiu da “vontade de se expressar livremente” e ainda tem muito das características do vocalista.

‘Pra se perder, se achar e se entender’
Aos poucos, a identidade de Maglore é construída pela mistura de estilos e, ao mesmo tempo, pela convergência de objetivos – viver profissionalmente de música é um deles, ainda que haja dificuldade em encarar a realidade independente na Bahia e conseguir expandir o trabalho para outros Estados.

‘O destino que traçar’
Para o novo projeto, que começou a ser apresentado ao vivo e, aos poucos, pelo Myspace da banda, esperam-se traços mais firmes de maturidade, heterogeneidade e riqueza de elementos que revelam um pouco mais de cada integrante. São mudanças sutis em relação ao EP, o que deve se tornar ainda mais presente no 3º disco – já idealizado.

‘Se guiando pelo vento’
O público passa a conhecer “Veroz” single-a-single pela divulgação online das músicas até janeiro de 2011. O lançamento definitico ainda depende de parcerias com distribuidoras. Além disso, o clipe de “Demodê” passou a ser veiculado no dia 18 deste mês no MTV Lab Br.

Junto à banda “Os Barcos”, de Vitória da Conquista, Maglore realizou recentemente uma turnê pelo Nordeste, passando por cidades como Feira de Santana (BA), Aracaju (SE), Recife (PE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Natal (RN). Os grupos participam do segmento chamado “Novíssimos Baianos”, definição do jornalista Luciano Matos em referência à uma nova geração no rock baiano.

O show de Maglore foi escolhido por nós para o especial 4 anos do Estúdio ao Vivo pela coincidência do grupo representar de forma sutil os três Estados pelos quais o blog já passou. A mineira Amanda Oliveira começou a escutar os baianos (meus conterrâneos) em Poços de Caldas-MG e me apresentou ao som em Viçosa-MG. Agora, compartilham a estreia em São Paulo com a estreia do Estúdio ao Vivo por aqui. Confira trechos da entrevista exclusiva e do show no Clube Outs em 18 de setembro:

Set List original
A Sete Chaves
Enquanto Sós
Megalomania
Hash Pipe
O Mel e o Fel
Todos os Amores são Iguais
Tão Além
Drive my Car
Pai Mundo
Às Vezes um Clichê
Demodê
Balada do Louco
Lápis de Carvão

Links
Site oficial
Myspace
Twitter – @Maglore

Show: dia 18/09
Local: Clube Outs
Bandas: The Limousine Drivers, Maglore, Vivendo do Ócio
Fotos: Clube Outs

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Agradecimentos
A Valetim e Edu, do Clube Outs, pelo apoio à cobertura dos shows.
A Érika Leone e Azevedo Lobo (Produção da banda Maglore), pela atenção no atendimento.
Aos integrantes da banda Maglore (Nery, Igor, Lelão e Teago) pela entrevista e apoio à iniciativa do blog.

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Coletivizando elos e ideais

Da inquietação e da necessidade cultural, de idéias partilhadas e de desejos comuns. A autenticação do intercâmbio entre tons e solos e a efervescência artística em Poços de Caldas [MG] deram forma à verdadeira coletivização de ideais: o Coletivo Corrente Cultural.

A mudança de diretrizes e de concepções e a falta de espaços para a expressividade independente foram a força motriz para que um grupo de dispostos com interesses e sonhos em comum se unissem para criar, divulgar e extravasar “a cena artística sul-mineira”.

Para além de incentivar a cultura na cidade e na região, o Coletivo Corrente Cultural grita em uníssono a importância e os aplausos à produção local. Em sua primeira fase de atuação, traz a música como tom principal de seu ato, seja no sentido de “fomentar a criação, de democratizar a informação ou de renovar a interação entre músicos e ouvintes” [cccultural]

Em um ano de acordes e distorções, o grupo já atingiu altos tons na partitura cultural: realização da Noite Independente nos Bairros, levando a música a diversas regiões da cidade; Noite Independente no New York Pub, que apresenta o repertório autoral das bandas e é realizada uma vez por mês; Corrente Mostra, com ocupação do espaço público através de apresentações musicais e oficinas gratuitas de capacitação para novos artistas; além dos festivais Manancial (Festival Estudantil de Bandas Independentes) e o #VaiSuldeMinas, acompanhados de workshops técnicos e discussões a respeito dos rumos da cultura no país.

 

Coletivo Corrente Cultural encerrando o Festival #VaiSuldeMinas - foto: Thaís Helena

 

O Festival #VaiSuldeMinas encerrou o ano de atividades do Coletivo Corrente Cultural nos dias 11 e 12 de dezembro, mostrando a que veio o movimento e apresentando um elevado nível musical de grupos independentes de Poços de Caldas [MG], Patos de Minas [MG], Pernambuco [CE], São Paulo [SP], Juiz de Fora [MG] e Taubaté [SP]. [a cobertura completa do Festival você acompanha no Estudio ao Vivo nas próximas semanas]


Grupo Elementos, um dos vencedores do Festival Manancial, na abertura do Festival #VaiSuldeMinas

 

Além disso, no dia 27 de dezembro, a última Noite Independente do ano, realizada no New York Pub, trouxe ao público que lotou o espaço, os compassos marcados em percussão e brasilidade da banda Jack Jow [Lucas Malaquias (bateria), Rafael Andrade (vocal e violão), Guilherme Dias (guitarra), Breno Scalla (baixo) e Jully (percussão) ] e o rock melódico e autêntico da banda Mekanos [Cristiano Figueiredo (bateria), Guilherme Fernandes (baixo), Gustavo Infante (vocal e guitarra) e Victor Negri (vocal e guitarra)]. Entre pedidos de “bis” e receptividade, a noite foi encerrada como um manifesto à música independente de qualidade.

 

A banda Jack Jow abriu a última Noite Independente do ano

 

Entre elos
O Corrente Cultural estabelece elos com outros coletivos – união de pessoas com afinidades, para produzir algo em comum. O intercâmbio de arte e idéias é realizado por meio de uma conexão com o Circuito Fora do Eixo, uma rede nacional de coletivos culturais articulados, “baseada no intercâmbio de tecnologias aplicadas à cadeia produtiva da cultura”.
O CFE se organiza por meio de Pontos Fora do Eixo em todo Brasil: coletivos responsáveis pelas ações locais e pela integração às ações regionais e nacionais.

A independência em corrente
Solando a introdução do especial 4 anos de Estúdio ao Vivo, a música independente tem sido para o blog um dos seus principais acordes: valorizar músicos, compositores, pintores ou qualquer tipo de artista que traga cultura em tons maiores. Por isso, começamos apresentando uma iniciativa que tem em seu princípio, os nossos. Daqueles que enxergaram na ação pela cultura a melhor forma de valorizar identidades de expressão.

 

Links
Coletivo Corrente Cultural
Site
Twitter – @cccultural

Banda Mekanos
Myspace
Twitter – @mekanos

Banda Jack Jow
Myspace

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Agradecimentos

Ao Coletivo Corrente Cultural pela abertura, pela atenção e pela iniciativa.
A Karina Delgado e Thaís Helena pelas fotos e apoio técnico.