O Rock Refinado de Foxtrot

Os produtores Carlos Marques (à esquerda) e Breno Carvalho (à direita) com os músicos Sânzio Brandão (guitarra), André Godoy (bateria), Marcelo Cioglia (baixo e voz), Renato Savassi (voz, violão, flauta, bandolim e gaita), durante passagem de som em Viçosa-MG.

“Eu gosto de Blues e Beatles. Renato [Savassi], progressivo. Marcelo [Cioglia], metaleiro. [André] Godoy é brasileiro”. Assim, Sânzio Brandão (que hoje assume a guitarra) revela as características mais marcantes dos integrantes de Foxtrot. As influências agregam elementos numa banda que busca o “rock refinado” [Renato Savassi].

Guitarra, violão, baixo e bateria unem-se em sonoridade diferenciada à bandolim e flauta, com canções que resgatam principalmente o Folk Rock.

A pureza do som do grupo, reforçada pelo conjunto vocal de Renato Savassi e Marcelo Cioglia, é a principal atração da XVI edição do Musical Box Alive, que acontece logo mais no Espaço Galpão a partir das 23h.

Acompanhamos a passagem de som e constatamos que a proposta inicial de “fazer um som bem leve, (…) uma coisa acústica (…) e usando muito vocal” [Savassi] não se perdeu em essência. O show promete variar entre o folk, o country e o progressivo, com margem ampla para improvisos.

Ao público, a garantia da mesma qualidade e bom humor da última experiência dos integrantes na cidade, quando tocaram como banda Cálix em Viçosa no Musical Box in Concert: “a gente se sente bem aqui em Viçosa, hoje acho que vai ser legal demais. A casa, é a primeira vez que a gente está vido aqui, mas já vi que o show vai ser muito bom, nós vamos sair satisfeitos e ver o jogo do Brasil amanhã tranquilos [André Godoy].

No Ar: Musical Box [12] – Os acordes instáveis de Jethro Tull

Uma banda instável de tão versátil: “This Was”, lançado em 1968, refletia no título que o blues rock do início da carreira era pouco para o som de Jethro Tull. O que os integrantes Ian Anderson (vocais, flauta), Mick Abrahams (guitarra), Glenn Cornick (baixo) e Clive Bunker (bateria) demonstravam em palcos de clubes britânicos incluía a integração de elementos da música clássica, folk, jazz e celta.

O dinamismo não agradou Abrahams, que preferia a melancolia do blues, enquanto Anderson apostava em algo que não fosse “estilisticamente limitado e de vocabulário restrito aos ingleses de ‘classe média’”.

“Stand Up” (1969) e “Benefit” (1970) não contavam mais com o guitarrista e dariam continuidade à biografia ditada pelos nomes dos álbuns – o rock progressivo foi o estilo de boas vindas aos anos 70 e o grupo não ficou atrás de Elton John, Rolling Stones ou Led Zeppelin (com quem alimentavam uma rivalidade só amenizada pelo interesse mútuo em folk e música oriental), nas lendárias apresentações ao vivo.

De folk a rock eletrônico, passando pela premiação Grammy de “Performance de Rock Pesado/Metal”, a essência de Tull não foi apagada em mais de 40 anos de música. Vigor, surrealismo e crítica apurada de álbuns como “Aqualung”, “Thick as a Brick” e “Living in the Past” permanecem nas concepções criativas recheadas de sonoridade medieval, vocal marcante e arranjos complexos com uso de flauta, acordeon, mandolin, marimba e outros instrumentos raros.

No Ar: Musical Box
Como uma linha tênue que separa o rock setentista, de nomes como Jimi Hendrix e Rory Gallagher, das grandes óperas-rock, de bandas como The Who e Pink Floyd, o Programa Musical Box desta quinta apresenta em seu repertório parte das influências, dos grupos contemporâneos e do próprio Jethro Tull: a prévia da 16ª edição do Musical Box Alive é uma seleção das canções mais bem sucedidas da banda que ainda realiza mais de cem concertos por ano.

A energia de Renato Savassi (voz, violão, flauta, bandolim e gaita), Marcelo Cioglia (baixo e voz), André Godoy (bateria) – integrantes da banda mineira de rock progressivo Cálix – e Guilherme “Bicudo” Rancanti (violão e voz) – guitarrista da banda Raulzitles – assume o palco do Espaço Galpão neste sábado (19) sob o nome de Foxtrot (BH), num tributo a Jethro Tull.

Após a apresentação do grupo viçosense Coffe Shop (Red Hot Cover), a banda belorizontina mostra a qualidade harmônica vocal e o instrumental trabalhado sob as influências do blues, country, folk e rock de The Beatles, Creedence, America, Eric Clapton, Pink Floyd, Simon & Garfunkel, Cat Stevens, Queen, Crosby, Stills e Nash & Young.

Myspace
Foxtrot
http://www.myspace.com/bandafoxtrot

Coffee Shop
http://www.myspace.com/coffeeshopredhot

Escala em preto e branco: a ponte pelo improviso

Sob os tons enrubescidos de uma atmosfera inspirada nas casas tradicionais que acolhem os compassos do Jazz e do Blues, a noite de sexta-feira abrigou a abertura da terceira edição do Festival viçosense que homenageia as duas expressões musicais.

Da ordenação artístico-musical à boa disposição estrutural, o clima intimista fez do hall de entrada e do mezanino do Centro de Vivência da UFV, envolvidos pela trilha sonora temática, um conjunto harmônico ao Espaço Fernando Sabino: o palco do encantamento pelas teclas de pianistas, tema do Vijazz & Blues, recebeu a liberdade rítmica de Fabiano de Castro Quinteto (com Vinicius Dorin) e a cadência de Donny Nichilo.

Espaço Imaginário
Com as teclas na caixa do baixo, as cordas na ponta dos dedos do sax, a percussão preta e branca do piano e o sopro das mãos às baquetas, Fabiano de Castro (piano), Vinícius Dorin (sax e flauta), João Paulo Barbosa (sax e flauta), Ricardo Zohyo (baixo acústico) e Cleber Almeida (bateria) fizeram reverberar o improviso e a leveza que marcariam a noite.

As 200 cordas vibradas pela inspiração do pianista, que de olhos fechados e com profunda expressão transmitia a intensidade serena do jazz, revelaram uma mistura de influências e ritmos. Dos elementos de samba na composição própria “Algum Tempo Depois” ao maracatu, baião e raiz mineira de “Perdido em Airões”, o suingue e os solos demonstraram a versatilidade de cada um dos integrantes da banda. Dessa mistura, a essência “é você buscar essas influências todas e deixar a emoção aflorar” [Fabiano de Castro].

Com originalidade, Fabiano de Castro apresentou as canções “Espaço Imaginário” e “13º Andar”, de sua autoria, além da música “Nascente” (Flávio Venturini) com uma versão especial para o Festival e referência a Minas Gerais. O diferencial do arranjo inclui as duas flautas transversais de João Paulo Barbosa e Vinícius Dorin.

Blues for Viçosa
Na forma peculiar de definir suas notas em melancolia, o Blues extrapola o conceito de música e mostra, em sua origem, um meio de expressão da cultura negro-africana. Entre swing e alterações da escala maior, o verdadeiro Blues de Chicago trouxe a Viçosa a autenticidade e a riqueza de influências de Donny Nichilo (voz, piano e gaita).

O ritmo compassado dos pés da platéia em uníssono ao toque do pianista e à participação intensa de Igor Prado Band – Igor Prado (vocais e guitarra), Rodrigo Mantovani (baixo) e Yuri Prado (bateria) –, levaram à segunda parte da noite o peso inspirador de um blues improvisado e determinado pela raiz do ritmo.

A tradição viva no III ViJazz & Blues ressoou a experiência de um pianista que já ofereceu seus tons a renomados gurus do blues como Stevie Ray Vaughan e Buddy Guy e que mantém a ocular simplicidade em uma presença natural de seus sons.

Com uma levada sensível e vibrante, a integração com os músicos brasileiros deu ao show referências originais e de rythm’n’blues dos anos 40, 50 e 60. A incorporação visual do estilo e a sintonia dos arranjos compuseram a dinâmica de um improviso em unidade.

No Ar: Musical Box [11] – Eclético Blues

Poético, literário e inovador: esta é a promessa para o show de Nuno Mindelis na cidade de Viçosa-MG pelo Vijazz & Blues Festival. No dia 12 de junho (sábado), no Espaço Fernando Sabino da UFV, o guitarrista mostra o som suingado, com elementos de psicodelia, hip hop, eletrônica e samba. Angolano naturalizado brasileiro, tocava instrumentos construídos por ele próprio com apenas 9 anos.

O eclético Mindelis – eleito o melhor guitarrista do mundo pela revista Guitar Player -, já teve como companhia em palco a versatilidade mineira de Rodrigo Nézio & Duocondé Blues, grupo que prepara um CD para ser lançado ainda este ano em parceria com Jefferson Gonçalves, que já se apresentou em Viçosa pelo Musical Box Alive. Formado pelo guitarrista e vocalista Rodrigo Nézio, o baixista Rodrigo Chaffer e o baterista André Torres, o trio encerra o Vijazz & Blues dia 13 de junho (domingo) no Espaço Hervé Cordovil (Estação Ferroviária) com arranjos que mesclam elementos de rock’n roll – influências de bandas como Queen, Iron Maiden, Eric Clapton – e do autêntico blues de Jimi Hendrix, B.B. King, Robert Johnson e Ray Charles.

No clima dos dois ritmos, as ondas da Rádio Universitária transmitiram nesta quinta-feira a seleção musical de Breno Carvalho e Carlos Marques inspirada no Vijazz & Blues. O Programa Musical Box apresentou um bloco com as canções do disco “Outros Nunos” – lançado em 2006 por Mindelis – e do CD “Rodrigo Nézio & Duocondé Blues”, de 2007, com 14 músicas inéditas.

O Programa contou com a participação se Sérgio Lopes, um dos produtores do Vijazz & Blues, que destacou os objetivos do evento de promover boa música e acessibilidade, em referência às atrações de nível internacional e aos shows gratuitos de encerramento.

A partir de hoje você confere no Estúdio ao Vivo vídeos, fotos e textos sobre os bastidores e as atrações do Festival.

Dia de “Rockixe”: a vez dos “Fab Four”

Foi de resgate que a banda O Quinto (Viçosa-MG) anunciou que 15 de maio era dia de Rock no palco do Espaço Galpão. Assim soaram os acordes que libertaram a riqueza rítmica do rock rural com Sá, Rodrix e Guarabyra; a mineiridade de Milton Nascimento; os ensaios progressivos de Mutantes e Novos Baianos; o clássico de Jethro Tull; o blues de Cream; o underground de The Beatles.

Do estilo e pegada setentista da bateria de Renan Barcelos à harmonia serena do trio vocal de Vinícius de Paula (guitarra, vocais, gaita), Diogo Moreira (guitarra, vocais, viola de 10 cordas) e Guilherme Castro (baixo, vocais), a abertura do XV Musical Box Alive em Viçosa-MG transformou-se em uma apresentação experimental e melódica. O músico viçosense Paulo Bandeira, que acompanhou o show, destacou a fidelidade ao estilo anos 70, com a mesma energia, a mesma atmosfera.

E mais: a performance dos músicos no palco fez do show intenso e sutil, cumprindo a busca pelo “equilíbrio, onde o som represente de forma sincera e harmoniosa” cada um dos integrantes. Explica-se pelas influências (Led Zeppelin, The Beatles, Mutantes, Jimi Hendrix, Grand Funk) ou pela vivência e convivência de Renan, Vinícius, Diogo e Guilherme. “Hoje a gente passa muito mais tempo junto e isso afeta diretamente o som”. A definição da essência de O Quinto é tão simples e verdadeira quanto o que mostram no palco: “tentamos fazer um som que não traga o gosto de passado. Que seja pra frente, usando sim influências de estilos que já tiveram sua época, mas representando mais o presente!” [Guilherme Castro].

Let me sing, let it be
“É uma homenagem emocionante que a gente faz. Se tiver emoção, pra gente é muito importante”. Assim, Cristhian Magalhães (baixo e voz) anuciou, logo após a passagem de som, o que o público poderia esperar do show de Raulzitles (Belo Horizonte). A expectativa também cercava a banda e tinha como base a apresentação de 2009, durante a 10ª edição do Musical Box Alive. Nas palavras do baterista Bhydhu: “o show que fizemos o ano passado aqui, pra nós foi memorável. Público bom demais, receptivo, cantando as músicas, foi um show muito bom. E eu não tenho dúvida que esse agora também vai ser melhor ainda”. A tradução em palco dos dois fenômenos musicais Raul Seixas e The Beatles também é assinada por Khadhu (violão, voz, guitarra) e Guilherme Bicudo (guitarra, teclados, voz).

A sensibilidade dos multinstrumentistas, que revezam suas funções no palco e se complementam musicalmente, revela um grupo que começou numa brincadeira, há quase 3 anos, pelo prazer de tocar canções do grande nome do rock brasileiro e do Fab Four. Mostra também a experiência com covers do progressivo dos anos 70, do hard rock e do rock nacional, a influência da música clássica e as composições próprias – é o caso dos irmãos Khadhu e Bhydhu, que integram a banda Cartoon.

Com a qualidade vocal, arranjos detalhados trabalhados com intensa pesquisa e improvisos que ditam a energia do show, Raulzitles deixou a certeza de que durante a apresentação encontramos o essencial dos homenageados, mas também de cada um dos integrantes da banda: a pureza e a emoção do rock’n roll.

Agenda
Raulzitles
12 de Junho (Sábado)
Local: Jack Rock Bar
Abertura da casa: 21h
Horário do Show: 00:00h
Av. do Contorno, 5623 – Funcionários
Belo Horizonte – MG
Inf. e reservas: (31) 3227-4510

18 de Junho (Sexta)
Local: Lord Pub
Abertura da casa: 21h
Horário do Show: 00:00h
Rua Viçosa, 263
Bairro: São Pedro -Belo Horizonte/MG
Informações e reservas: (031) 3223-5979

Links
Raulzitles – Comunidade no orkut
O Quinto – Perfil no orkut

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Agradecimentos

Aos produtores do Musical Box Alive, Breno Carvalho e Carlos Marques, pela parceria e apoio.
Aos músicos das bandas O Quinto e Raulzitles, pelas entrevistas e pela atenção.

O Hino de Jammil

Com uma estrutura de alta qualidade de som, palco, iluminação e projeções, a banda Jammil iniciou mais uma apresentação em Viçosa dia 7 de maio. Duo de metais, dois percussionistas, um tecladista, um baterista e dois backing vocals acompanharam Manno Góes (baixo, voz, vocal), Tuca Fernandes (guitarra, voz) e Beto Espínola (guitarra) no evento produzido por Nova Geração e pela Comissão de Formandos da UFV Janeiro/2011.

O show marca uma época de grandes projetos de Jammil: recentemente, foi lançado o clipe de “Haja Coração” (composição de Manno Góes, Teninson Del Rey e Paulo Vascon) com participação do grupo Olodum e da Troup Dance, em homenagem à Copa do Mundo de futebol, e ainda este ano chega às lojas o novo trabalho Jammil na Estrada Real, DVD que traz gravações realizadas em Minas Gerais.

A alegria em palco, a interação com o público e o repertório do show mostram o porquê de Jammil ter conquistado sucesso além das terras baianas. Com versatilidade, Manno, tuca e Beto agregam canções que marcaram a carreira em Viçosa – como “Praieiro” -, grandes sucessos de 10 anos de carnaval – “É Verão”, “Ê Saudade”, “Milla” (primeira composição do trio) -, versões de “I’m Yours” (Jason Mraz), “Onde Você Mora?” (Cidade Negra), “Não Quero Dinheiro” (Tim Maia), “País Tropical” (Jorge Ben) e os clássicos do axé baiano “Prefixo de Verão”, “Baianidade Nagô” e o chamado hino da Bahia, “We Are The World of Carnaval”.

Fotos do Show em Viçosa:

Agenda
Os próximos eventos incluem o Luau do Jammil, em Belo Horizonte (12/06, no Espaço Folia), que contará com as participações do cantor Netinho, das bandas Moinho e Biquini Cavadão. Para o próximo ano, a novidade é a participação no bloco Cocobambu na sexta-feira de Carnaval. Confira as outras datas agendadas:

Paracatu – MG
04/06/2010 a partir de 23h
Local: Jockey Club de Paracatu – MG

Bom Jesus do Itabapoana – RJ
05/06/2010 a partir de 23h

Luau do Jammil em Belo Horizonte – MG
12/06/2010 a partir de 23h

Jaboticabal – SP
18/06/2010 a partir de 23h

Festa Trio em Brasília – DF
20/06/2010 a partir de 23h

Forró do Visgo em Santo Antônio de Jesus – BA
24/06/2010 a partir de 13h

São Paulo – SP
25/06/2010 a partir de 23h

Forró Maria Bunita em São Gonçalo – BA
26/06/2010 a partir de 15h

Coruripe – AL
27/06/2010 a partir de 22h

No Ar: Musical Box [9] · Two of Us: o Rockixe de Raul e The Beatles

De leituras metafísicas e antológicas a coleções de momentos tristes e alegres, um baiano considerado o primeiro roqueiro brasileiro reproduzia em suas canções a malícia influenciada pelos músicos que considerava almas gêmeas: Elvis Presley e Luiz Gonzaga.
Conhecedor dos sertões, em viagens de trem que realizava com o pai, e da cultura dos Estados Unidos, em convivência com norte-americanos ainda em Salvador – BA, Raul Santos Seixas fez da sua obra e sua vida uma ópera, marcada pela teatralidade espontânea, o vestuário produzido, a música intensa e as idéias alternativas.

Compôs “Metamorfose Ambulante” com 12 anos de idade e “Ouro de Tolo” logo depois, mas com a primeira banda Raulzito e Os Panteras foi um fracasso de vendas. Já no Rio de Janeiro, produziu artistas pós-jovem guarda, mas foi num Festival da Canção que mostrou a performance que o lançaria como o maluco beleza: “Let me sing, let me sing” misturava o Rock dos anos 50 com o Baião nordestino e lançava o estilo definido pelo próprio músico como “Raulseixismo”.

Em harmonias e letras simples, Raulzito expressava filosofias e críticas aprofundadas, cada novo disco sendo “sempre uma controvérsia do outro disco que passou”. “Sociedade Alternativa” ganhou força de hino pela mudança política e social, resultou na expulsão do artista do Brasil durante o governo Geisel e tornou-se tema central das conversas que manteve com John Lennon no exílio em Nova Iorque. Mesmo em 1989, eram 11 as canções censuradas.

A própria realidade comportamental da época era criticada por Raul, que a considerava caótica e apenas um reflexo da sua geração. Para ele, o movimento Rock’n Roll dos anos 60 influenciou todos os setores culturais, inclusive com o advento hippie e o sucesso de The Beatles: os quatro jovens de Liverpool (Inglaterra) que deram início, em 1962, a uma modificação na forma de fazer, entender e gravar Rock and Roll.

Extrapolando os padrões da época e viajando através de um universo de oito anos, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star expressaram personalidade, rebeldia, carisma e senso de humor em letras simples e marcantes, fazendo com que o ritmo que antes era fabricado em função da dança passasse a ter como fim a própria música.

Entre temáticas juvenis nos primeiros álbuns como em “Love me Do” (1962), críticas sociais e problemas humanos a partir de “Roubber Soul” (1965) e a intensidade e profundidade do lirismo experimental com recursos de música clássica e instrumentos orientais em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), o grupo fez do rock da década de 60 uma abertura para a liberdade e para a renovação, dando compasso a uma nova geração.

Das populares turnês pela Europa e pelos Estados Unidos à obra gerada exclusivamente em estúdio, The Beatles transformou um rock “iê iê iê” em uma união de psicodelismo, talento, criatividade e tecnologia de ponta.

No Ar: Musical Box
Ainda que tenha alcançado o primeiro lugar em vendas em várias partes do mundo, o álbum Lei It Be ficou marcado pela história de um ano e quatro meses de gravações, desentendimentos, abandonos e receio em retomar a vida instável das turnês, quando a histeria das fãs superava a valorização das músicas de The Beatles.

O fim do grupo foi anunciado após o fracasso do projeto idealizado por Paul McCartney e inicialmente pensado como “Get Back” que, literalmente, tentaria voltar às origens, com canções mais simplistas, de um Rock’n Roll gravado e filmado em apresentações ao vivo. Let It Be teve passagens turbulentas, como a saída temporária de George, a participação de três produtores e a idéia comum de que o material estava fraco para os padrões da banda, o que adiou seu lançamento.

O Musical Box desta quinta-feira (13) apresenta o especial do disco de 8 de maio de 1970 em suas versões originais com orquestras, corais, gravações ao vivo e em estúdio de músicas como “Get Back”, “I Me Mine” e “The Long and Widing Road”.

Completam o repertório o melhor da música nacional, com toda a versatilidade e genialidade das canções de Raul Seixas nas ondas da Rádio Universitária (100,7 FM ou http://rtv.ufv.br) a partir das 20h.

O Programa é uma referência ao Musical Box Alive XV, que acontece no próximo sábado, 15 de maio, com a banda Raulzitles (BH), em um show que promete ser descontraído e emocionante dedicado aos dois ícones do rock.