No Ar: Musical Box [11] – Eclético Blues

Poético, literário e inovador: esta é a promessa para o show de Nuno Mindelis na cidade de Viçosa-MG pelo Vijazz & Blues Festival. No dia 12 de junho (sábado), no Espaço Fernando Sabino da UFV, o guitarrista mostra o som suingado, com elementos de psicodelia, hip hop, eletrônica e samba. Angolano naturalizado brasileiro, tocava instrumentos construídos por ele próprio com apenas 9 anos.

O eclético Mindelis – eleito o melhor guitarrista do mundo pela revista Guitar Player -, já teve como companhia em palco a versatilidade mineira de Rodrigo Nézio & Duocondé Blues, grupo que prepara um CD para ser lançado ainda este ano em parceria com Jefferson Gonçalves, que já se apresentou em Viçosa pelo Musical Box Alive. Formado pelo guitarrista e vocalista Rodrigo Nézio, o baixista Rodrigo Chaffer e o baterista André Torres, o trio encerra o Vijazz & Blues dia 13 de junho (domingo) no Espaço Hervé Cordovil (Estação Ferroviária) com arranjos que mesclam elementos de rock’n roll – influências de bandas como Queen, Iron Maiden, Eric Clapton – e do autêntico blues de Jimi Hendrix, B.B. King, Robert Johnson e Ray Charles.

No clima dos dois ritmos, as ondas da Rádio Universitária transmitiram nesta quinta-feira a seleção musical de Breno Carvalho e Carlos Marques inspirada no Vijazz & Blues. O Programa Musical Box apresentou um bloco com as canções do disco “Outros Nunos” – lançado em 2006 por Mindelis – e do CD “Rodrigo Nézio & Duocondé Blues”, de 2007, com 14 músicas inéditas.

O Programa contou com a participação se Sérgio Lopes, um dos produtores do Vijazz & Blues, que destacou os objetivos do evento de promover boa música e acessibilidade, em referência às atrações de nível internacional e aos shows gratuitos de encerramento.

A partir de hoje você confere no Estúdio ao Vivo vídeos, fotos e textos sobre os bastidores e as atrações do Festival.

No Ar: Musical Box [8] · O elétrico Rory Gallagher

A sensibilidade do blues, o improviso do jazz e a agitação do rock acompanharam o irlandês Rory Gallagher desde os seus 18 anos, com a banda Taste, formada em 1965 e candidata a melhor power trio inglês. Ele já havia passado pelo grupo Fontana Show Band, mas foi em carreira solo – tocando principalmente com Gerry McAvoy (baixo) – que o guitarrista reconhecido pelas brilhantes performances afirmou seu estilo.

Além da lendária guitarra, os arranjos de violão e gaita o tornaram comparável a grandes nomes da música, como Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Com dois discos lançados em 1971 – Rory Gallagher e Deuce -, Gallagher mostrou o modo visceral de tocar sua Fender Stratocaster sem pedais em gravações ao vivo. A sonoridade elétrica compensou a produção restrita, revelou a qualidade dos shows, inspirou o lançamento de Live In Europe, rendeu um disco de platina e o prêmio de músico do ano do jornal Melody Maker.

Foram 16 álbuns com diferentes formações, e que tinham como personagem principal o público. Nas palavras de Gallagher:

Eu amo tocar para o povo. O público significa muito para mim. Não é uma coisa vazia. Eu amo gravar também, mas preciso de um contato regular e frequente com o público, porque ele me dá energia

No Ar: Musical Box
Logo mais às 20h, o Programa Musical Box transmite pela Rádio Universitária 100,7 FM (e pelo site) a energia e o improviso de Rory Gallagher, músico que faleceu em 14 de junho de 1995 e deixou um importante legado para o Rock.

O blues de músicos como Paul Williams e o Progressivo de Gentle Giant, Kansas e Yes completam a programação desta quinta-feira e mantêm o público no clima do Próximo Musical Box Alive, dia 15 de maio, que tem como banda de abertura a viçosense O Quinto (completa a programação o grupo Raulzitles, de Belo Horizonte).

No Ar: Musical Box [7]: Os Mistérios de Frost ·

O rock neo-progressivo em sons que misturam técnicas modernas, batidas eletrônicas e vocais trabalhados e inteligentes: a banda inglesa Frost, formada em 2004 por Jem Godfrey (vocais e teclados) e os membros John Jowitt (baixo), Andy Edwards (bateria), John Boyes (guitarra), John Mitchell (guitarra e vocais) e Tim Turan (masterização), trouxe para o universo progressivo experimentações que, já em seu primeiro álbum “Milliontown”, apresentam a faixa homônima com 26 minutos.

Em uma composição de guitarras, bateria, vozes e teclados, a música se divide em seis densas partes: “One Underground”, “Abracadaver”, “The Only Survivors”, “Core”, “The Chosen Few” e “Two Underground”, com inspirações diferenciadas como o livro “O Aprendiz”, de Gordon Houghton.

Após o lançamento do primeiro álbum nos Estados Unidos e na Europa e uma breve turnê, ainda em 2006, Godfrey anunciou no blog da banda no MySpace que, devido a compromissos profissionais e pessoais, o grupo seria dissolvido com o fim das quatro últimas apresentações.

Em 2008, a banda foi retomada e lançou o álbum “Experiments in Mass Appeal” no dia 17 de novembro, com a participação de Declan Burke (guitarra e vocal), em substituição a John Boyes. Ainda no mesmo ano, Andy Edwards anunciou sua saída e, no ano seguinte, Nick D’Virgilio assumiu a bateria da banda. Ainda em 2009, Nathan King foi escolhido como o novo baixista no lugar de John Jowitt.

No Ar: Musical Box

O progressivo estrutural da banda Frost é o tema do especial Song Box de logo mais no Programa Musical Box, transmitido pela Rádio Universitária 100,7 Fm em Viçosa-MG ou pelo site http://rtv.ufv.br a partir das 20h.

Representantes do mesmo estilo de Rock, como o Krautrock de Rufus Zuphall e a renovação dos Yardbirds, Renaissance, fazem parte do repertório do Programa, assim como os representantes dos clássicos do Blues, Bob Dylan, BB King e Johnny Taylor.

A cura pela música

 
A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões.

Entre os músicos que acompanham Jefferson Gonçalves em sua trajetória, Kléber Dias, com seus mais de 30 anos de carreira, faz a diferença.

O grave tom de voz e os precisos solos de guitarra e bandolim levam autenticidade à mistura de ritmos durante as apresentações

Formação Musical
Depois de 30 anos que eu estou por aí, a verdade é que muitas coisas me instigaram. Mas a princípio foi ver pessoas tocando violão e eu fiquei muito interessado naquilo. Desde criança já me interessava pelo som do violão, eu queria saber como é que tocava para fazer aquilo. Aí comecei a ouvir rock’n roll, basicamente Beatles e ouvia muita música regional também porque meus pais são de origem nordestina, então eu tinha acesso àquelas músicas do Nordeste. Já na adolescência me interessei pela música mineira: Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini.

Mas basicamente o que me fez querer começar a tocar foi a sonoridade que você conseguia com determinados gêneros de música, principalmente Rock’n roll e blues.

 

Verdade pela música
A música é uma coisa muito importante na minha vida, então eu tento ser o mais verdadeiro possível com a música e o mais autêntico também. Então faço basicamente aquilo que você aprende, a vivência que você tem, tentando passar na música essas coisas, sentimento e tudo. Mas há também a questão de sonoridade: o som dos instrumentos, a combinação dos sons dos instrumentos com as vozes, eu gosto daquela coisa da vocalização tipo Pink Floyd, Jimi Hendrix, Beatles, pessoal que gosta de trabalhar com vozes.

Mas acho que o que qualquer músico que quer trabalhar de forma verdadeira quer passar é uma mensagem mesmo de otimismo, alegria. Hoje em dia eu não penso muito mais nestas questões de protesto. Acho que se eu pudesse abraçar uma causa eu gostaria de fazer o que Jimi Hendrix sempre fazia, que era curar com a música. A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões. Acho que estar passando alegria para as pessoas, satisfação, prazer em estar ali, um momento bom para se viver, já coroa a vivência da gente como músico.

Trajetória
O meu encontro com o Jefferson e o desenvolvimento deste trabalho e tudo o que ele nos trouxe foi bastante importante. E a gente ainda continua no processo, não chegou acho que ainda nem no meio do caminho.
Ter tocado com grandes músicos também foi muito bom porque me deu uma lição de humildade, uma lição de técnica, de conhecimento propriamente dito em relação à música.

Mas acho que fica como um dos mais duradouros e recompensadores esse trabalho com o Jefferson, que é muito legal. A gente tem vivido muitas experiências únicas. E os outros trabalhos até então não foram assim tão abrangentes. Mas foram muitos trabalhos expressivos: tocar com músicos reconhecidos, trocar conhecimentos sobre música regional com uma pessoa que é meu tio, que hoje, depois de muito tempo, voltou a tocar, ele tocava viola caipira quando era novo e voltou a tocar e a cantar agora com 72 anos. Então ver isso acontecer, ter aprendido com ele, é muita coisa. Muita coisa importante acontece quando a gente ama de verdade a música e quer fazer um trabalho verdadeiro.

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Agradecimento especial a Kléber Dias pela disponibilidade e atenção.

Teto Azul: Blues e Baião para Viçosa

Durante as últimas semanas, foi anunciada a vinda a Viçosa (MG) de um do maiores instumentistas do Brasil, com trabalho reconhecido internacionalmente não só pela qualidade técnica e dinamismo com a gaita, mas pela inovação rítmica em composições que extrapolam o Rock tradicional.

Jefferson Gonçalves e a banda composta por Kléber Dias (voz, guitarra, dobro, violão de 12 cordas e bandolim), Sérgio Velasco (Guitarra, Marimbal, dobro, violão de 6 cordas, Lap Steel e vocal), Fábio Mesquita (baixo), Anderson Moraes (Bateria e Percussão) e Marcos Arruda (percussão, substituindo Marco B.Z. para este show) se apresentaram sexta-feira (07/12) como atração do Musical Box Alive XIII.

Jefferson Gonçalves, Anderson Moraes e Kléber Dias

No palco, a interpretação impecável de covers e músicas próprias que mesclam ritmos originários da cultura nordestina com Blues, Country e Folk. No público, a surpresa e a admiração de cerca de 300 pessoas que prestigiaram um show que, nas palavras do produtor Carlos Marques (responsável pelo Musical Box, junto a Breno Carvalho), fica marcado na história do Espaço Galpão.

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A força do Rock, o improviso do Blues

Uma mistura de influências, personalidade vocal, arranjos inusitados e acordes precisos.

Entre espontaneidade e uma energia que contagiou o público do Projeto Musical Box Alive XII, a banda tricordiana Flávia Duboc Blues Band subiu pela primeira vez ao palco no dia 07 de novembro, em Viçosa – MG.

Banda Flávia Duboc Blues Band e produção do Musical Box Alive

A estréia, carregada de experiência e sintonia entre Júlio Paiva (bateria), Cristiano Lemos (guitarra), Cristiano Valério (contra-baixo), Fernando LemosTanando – (guitarra e vocais) e Flávia Duboc (vocal), refletiu a qualidade dos músicos e o processo de produção do primeiro CD da banda, em fase de finalização.

Antes do show, os integrantes conversaram com o Estúdio Ao Vivo sobre a estréia nos palcos, as influências e a reunião de músicos para trazer a força do Rock’n Roll à tradição do Blues.

A reunião dos músicos
Tanando – Eu sou tricordiano mas morei 23 anos em BH, então eu toquei com todo mundo lá: Samuel, antes de Skank, conheço ele há mais de 20 anos, desde 1983; o Marco Túlio do Jota Quest foi tecladista da minha banda, que chamava Outsider, de Blues Rock também, e por aí vai.

A experiência de Fernando Barbosa (Tanando)

A experiência de Fernando Lemos (Tanando)

Quando eu voltei para Três Corações, depois de 23 anos, eu quis continuar. E o Cristiano baixista e o Cristiano guitarrista têm formação de banda de baile, tocaram muito tempo em banda-show, o Julio é formado em bateria em consevatório, fez aula até com o Tom Zé, eu tinha uma banda em Três Corações chamada “Lá vai porva”. Mas aí quando eu conheci a Flávia lá em Cambuquira, a gente resolveu gravar um CD. E eu fiquei fascinado com a h ipótese de ter uma mulher tocando, porque eu adoro vocalista mulher de Rock’n Roll. Sempre procurei isso em BH e não consegui, e nunca imaginei que fosse encontrar ela lá do lado da nossa fazenda, em Cambuquira.

Flavia – E ele veio de BH e eu de Macaé.

Tanando – E tem mais essa, a Flávia morava em Macaé, eu morava em BH. O lha o tamanho do Brasil. Eu mudei pra fazenda, ela mudou pra Cambuquira, a gente se conheceu e resolveu montar a banda porque isso já era um projeto que eu tinha há muito tempo, de fazer uma banda de Blues Rock’n Roll. Não é u ma banda de Blues específico. Você vê que é bem pauleira.

Eu tenho uma banda que eu já toquei com os dois “Cristianos”, a Flávia tem a banda dela que é lá de Cambuquira, mas a gente resolveu montar uma banda de Blues Rock. Então vocês estão tendo a oportunidade de ver em primeira mão.

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