Sincronia sinestésica em ritmos Gerais

Dos ecos ainda audíveis do primeiro brado em rock, os tons que contemplaram o intimismo, o experimentalismo e a intensidade apresentaram para a segunda noite de Grito Rock em Poços de Caldas [MG], interseções de “samba’n roll”, de forte expressividade poética, de sonoridade original e o fundamento em um: gritar a liberdade em acordes e solos coletivos das Gerais.

O intimismo vindo de Uberlândia [MG] abriu espaço para a segunda noite de misturas e relações. O rock por samba de Dom Capaz fez do início da noite uma compilação de referências melódicas e poesias compostas em arranjos. As guitarras de Bruno Vieira e Lucas Paiva, em sincronia com a batida seca da bateria de João Vitor Guerra, abriram caminho para a marcação do baixo de Felipe Tavares. A musicalidade brasileira fez preencher os espaços da noite.

Os traços de arte pela face deram às caras o que a máscara não esconderia: a expressividade poética em fusão com os compassos de um rock “afrogressivo” fizeram-se um conjunto de experimentações entorpecentes de Galanga. Com uma década de estrada, a banda ouropretana trouxe em bagagem a alma e a arte à flor da pele.


Entre feições e declamações em notas altas, Julliano apresentou a forma e a essência que a voz e a força do baixo de Sancho fizeram escancarar. Pelas reverberações das guitarras de Marcha Lenta e Zacca, os acordes expressivos fizeram entoar um rock agregador: da força ao balanço do maculelê e do progressivo em samba, que a bateria compassada de Autista fez de destruição e harmonia.

Daí à loucura sensata de Pré Pagos, a noite seguia para um fim estendido pela vontade declarada. A autenticidade nas notas combinadas de Rodrigo Gomes e Tyl Fley deram o ritmo do que seria a apresentação de um estilo único. A sintonia no palco fez demonstrar que o ao vivo grita sempre mais alto na bateria de Roni Lima e no baixo de Thiago Fraga.

A sinestesia do som evoluiu em movimento do público, que entoou as músicas autorais em refrões e sensações compartilhadas pela voz de Tyl Fley: marcante, pois. A casa se perdendo para a madrugada não foi entrave para a banda que, vinda de Barbacena [MG], conseguisse enlouquecer o “bis” até o último refrão.