O Rock Refinado de Foxtrot

Os produtores Carlos Marques (à esquerda) e Breno Carvalho (à direita) com os músicos Sânzio Brandão (guitarra), André Godoy (bateria), Marcelo Cioglia (baixo e voz), Renato Savassi (voz, violão, flauta, bandolim e gaita), durante passagem de som em Viçosa-MG.

“Eu gosto de Blues e Beatles. Renato [Savassi], progressivo. Marcelo [Cioglia], metaleiro. [André] Godoy é brasileiro”. Assim, Sânzio Brandão (que hoje assume a guitarra) revela as características mais marcantes dos integrantes de Foxtrot. As influências agregam elementos numa banda que busca o “rock refinado” [Renato Savassi].

Guitarra, violão, baixo e bateria unem-se em sonoridade diferenciada à bandolim e flauta, com canções que resgatam principalmente o Folk Rock.

A pureza do som do grupo, reforçada pelo conjunto vocal de Renato Savassi e Marcelo Cioglia, é a principal atração da XVI edição do Musical Box Alive, que acontece logo mais no Espaço Galpão a partir das 23h.

Acompanhamos a passagem de som e constatamos que a proposta inicial de “fazer um som bem leve, (…) uma coisa acústica (…) e usando muito vocal” [Savassi] não se perdeu em essência. O show promete variar entre o folk, o country e o progressivo, com margem ampla para improvisos.

Ao público, a garantia da mesma qualidade e bom humor da última experiência dos integrantes na cidade, quando tocaram como banda Cálix em Viçosa no Musical Box in Concert: “a gente se sente bem aqui em Viçosa, hoje acho que vai ser legal demais. A casa, é a primeira vez que a gente está vido aqui, mas já vi que o show vai ser muito bom, nós vamos sair satisfeitos e ver o jogo do Brasil amanhã tranquilos [André Godoy].

Dia de “Rockixe”: a vez dos “Fab Four”

Foi de resgate que a banda O Quinto (Viçosa-MG) anunciou que 15 de maio era dia de Rock no palco do Espaço Galpão. Assim soaram os acordes que libertaram a riqueza rítmica do rock rural com Sá, Rodrix e Guarabyra; a mineiridade de Milton Nascimento; os ensaios progressivos de Mutantes e Novos Baianos; o clássico de Jethro Tull; o blues de Cream; o underground de The Beatles.

Do estilo e pegada setentista da bateria de Renan Barcelos à harmonia serena do trio vocal de Vinícius de Paula (guitarra, vocais, gaita), Diogo Moreira (guitarra, vocais, viola de 10 cordas) e Guilherme Castro (baixo, vocais), a abertura do XV Musical Box Alive em Viçosa-MG transformou-se em uma apresentação experimental e melódica. O músico viçosense Paulo Bandeira, que acompanhou o show, destacou a fidelidade ao estilo anos 70, com a mesma energia, a mesma atmosfera.

E mais: a performance dos músicos no palco fez do show intenso e sutil, cumprindo a busca pelo “equilíbrio, onde o som represente de forma sincera e harmoniosa” cada um dos integrantes. Explica-se pelas influências (Led Zeppelin, The Beatles, Mutantes, Jimi Hendrix, Grand Funk) ou pela vivência e convivência de Renan, Vinícius, Diogo e Guilherme. “Hoje a gente passa muito mais tempo junto e isso afeta diretamente o som”. A definição da essência de O Quinto é tão simples e verdadeira quanto o que mostram no palco: “tentamos fazer um som que não traga o gosto de passado. Que seja pra frente, usando sim influências de estilos que já tiveram sua época, mas representando mais o presente!” [Guilherme Castro].

Let me sing, let it be
“É uma homenagem emocionante que a gente faz. Se tiver emoção, pra gente é muito importante”. Assim, Cristhian Magalhães (baixo e voz) anuciou, logo após a passagem de som, o que o público poderia esperar do show de Raulzitles (Belo Horizonte). A expectativa também cercava a banda e tinha como base a apresentação de 2009, durante a 10ª edição do Musical Box Alive. Nas palavras do baterista Bhydhu: “o show que fizemos o ano passado aqui, pra nós foi memorável. Público bom demais, receptivo, cantando as músicas, foi um show muito bom. E eu não tenho dúvida que esse agora também vai ser melhor ainda”. A tradução em palco dos dois fenômenos musicais Raul Seixas e The Beatles também é assinada por Khadhu (violão, voz, guitarra) e Guilherme Bicudo (guitarra, teclados, voz).

A sensibilidade dos multinstrumentistas, que revezam suas funções no palco e se complementam musicalmente, revela um grupo que começou numa brincadeira, há quase 3 anos, pelo prazer de tocar canções do grande nome do rock brasileiro e do Fab Four. Mostra também a experiência com covers do progressivo dos anos 70, do hard rock e do rock nacional, a influência da música clássica e as composições próprias – é o caso dos irmãos Khadhu e Bhydhu, que integram a banda Cartoon.

Com a qualidade vocal, arranjos detalhados trabalhados com intensa pesquisa e improvisos que ditam a energia do show, Raulzitles deixou a certeza de que durante a apresentação encontramos o essencial dos homenageados, mas também de cada um dos integrantes da banda: a pureza e a emoção do rock’n roll.

Agenda
Raulzitles
12 de Junho (Sábado)
Local: Jack Rock Bar
Abertura da casa: 21h
Horário do Show: 00:00h
Av. do Contorno, 5623 – Funcionários
Belo Horizonte – MG
Inf. e reservas: (31) 3227-4510

18 de Junho (Sexta)
Local: Lord Pub
Abertura da casa: 21h
Horário do Show: 00:00h
Rua Viçosa, 263
Bairro: São Pedro -Belo Horizonte/MG
Informações e reservas: (031) 3223-5979

Links
Raulzitles – Comunidade no orkut
O Quinto – Perfil no orkut

……………………….
Agradecimentos

Aos produtores do Musical Box Alive, Breno Carvalho e Carlos Marques, pela parceria e apoio.
Aos músicos das bandas O Quinto e Raulzitles, pelas entrevistas e pela atenção.

No Ar: Musical Box [9] · Two of Us: o Rockixe de Raul e The Beatles

De leituras metafísicas e antológicas a coleções de momentos tristes e alegres, um baiano considerado o primeiro roqueiro brasileiro reproduzia em suas canções a malícia influenciada pelos músicos que considerava almas gêmeas: Elvis Presley e Luiz Gonzaga.
Conhecedor dos sertões, em viagens de trem que realizava com o pai, e da cultura dos Estados Unidos, em convivência com norte-americanos ainda em Salvador – BA, Raul Santos Seixas fez da sua obra e sua vida uma ópera, marcada pela teatralidade espontânea, o vestuário produzido, a música intensa e as idéias alternativas.

Compôs “Metamorfose Ambulante” com 12 anos de idade e “Ouro de Tolo” logo depois, mas com a primeira banda Raulzito e Os Panteras foi um fracasso de vendas. Já no Rio de Janeiro, produziu artistas pós-jovem guarda, mas foi num Festival da Canção que mostrou a performance que o lançaria como o maluco beleza: “Let me sing, let me sing” misturava o Rock dos anos 50 com o Baião nordestino e lançava o estilo definido pelo próprio músico como “Raulseixismo”.

Em harmonias e letras simples, Raulzito expressava filosofias e críticas aprofundadas, cada novo disco sendo “sempre uma controvérsia do outro disco que passou”. “Sociedade Alternativa” ganhou força de hino pela mudança política e social, resultou na expulsão do artista do Brasil durante o governo Geisel e tornou-se tema central das conversas que manteve com John Lennon no exílio em Nova Iorque. Mesmo em 1989, eram 11 as canções censuradas.

A própria realidade comportamental da época era criticada por Raul, que a considerava caótica e apenas um reflexo da sua geração. Para ele, o movimento Rock’n Roll dos anos 60 influenciou todos os setores culturais, inclusive com o advento hippie e o sucesso de The Beatles: os quatro jovens de Liverpool (Inglaterra) que deram início, em 1962, a uma modificação na forma de fazer, entender e gravar Rock and Roll.

Extrapolando os padrões da época e viajando através de um universo de oito anos, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star expressaram personalidade, rebeldia, carisma e senso de humor em letras simples e marcantes, fazendo com que o ritmo que antes era fabricado em função da dança passasse a ter como fim a própria música.

Entre temáticas juvenis nos primeiros álbuns como em “Love me Do” (1962), críticas sociais e problemas humanos a partir de “Roubber Soul” (1965) e a intensidade e profundidade do lirismo experimental com recursos de música clássica e instrumentos orientais em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), o grupo fez do rock da década de 60 uma abertura para a liberdade e para a renovação, dando compasso a uma nova geração.

Das populares turnês pela Europa e pelos Estados Unidos à obra gerada exclusivamente em estúdio, The Beatles transformou um rock “iê iê iê” em uma união de psicodelismo, talento, criatividade e tecnologia de ponta.

No Ar: Musical Box
Ainda que tenha alcançado o primeiro lugar em vendas em várias partes do mundo, o álbum Lei It Be ficou marcado pela história de um ano e quatro meses de gravações, desentendimentos, abandonos e receio em retomar a vida instável das turnês, quando a histeria das fãs superava a valorização das músicas de The Beatles.

O fim do grupo foi anunciado após o fracasso do projeto idealizado por Paul McCartney e inicialmente pensado como “Get Back” que, literalmente, tentaria voltar às origens, com canções mais simplistas, de um Rock’n Roll gravado e filmado em apresentações ao vivo. Let It Be teve passagens turbulentas, como a saída temporária de George, a participação de três produtores e a idéia comum de que o material estava fraco para os padrões da banda, o que adiou seu lançamento.

O Musical Box desta quinta-feira (13) apresenta o especial do disco de 8 de maio de 1970 em suas versões originais com orquestras, corais, gravações ao vivo e em estúdio de músicas como “Get Back”, “I Me Mine” e “The Long and Widing Road”.

Completam o repertório o melhor da música nacional, com toda a versatilidade e genialidade das canções de Raul Seixas nas ondas da Rádio Universitária (100,7 FM ou http://rtv.ufv.br) a partir das 20h.

O Programa é uma referência ao Musical Box Alive XV, que acontece no próximo sábado, 15 de maio, com a banda Raulzitles (BH), em um show que promete ser descontraído e emocionante dedicado aos dois ícones do rock.

Zé Pelin: detalhe original

Desde 2003, o intuito de Zé Pelin em homenagear Led Zeppelin evoluiu para um trabalho mais do que performático: o show é de uma energia excêntrica e carrega a musicalidade autêntica da banda dos anos 70 unida à experiência e essência de cada um dos integrantes belorizontinos.

O início dessa “volta aos tempos áureos dos anos setenta” partiu da parceria entre o vocalista Thiago Cruz (que canta desde os 16/17 anos e amplifica os timbres da MPB, do Jazz e do Blues) e o guitarrista Júlio Cézar (que iniciou a carreira com Rock nacional, passando pelo Blues e 70’s Rock). O trabalho desenvolvido há quase sete anos, e hoje com formação que inclui Ricardo Elias na bateria e Ricardo Campos no baixo, é referência no segmento musical de bandas covers em Minas Gerais.

Mas como a banda se revela além dos palcos? Confira entrevista concedida ao Estúdio ao Vivo durante a 14ª edição do Musical Box Alive.

Participação em Festivais
Thiago Cruz · Na verdade, em Festival a gente nunca foi muito de tocar. Festival em Minas Gerais sempre tem muito, quando não é o cunho só cover, tem um cunho de abrir espaço para bandas independentes.

Eu acredito que se for olhar pelos Festivais que a gente tocou, acho que o primeiro foi quando a gente decidiu que ia tocar Led Zeppelin. Foi assim: a gente ensaiou algumas poucas vezes, surgiu o Festival, eu ia apresentar uma música minha. Não deu tempo apresentar essa música, tocamos só músicas do Led Zeppelin que a gente tinha tirado. Foi o tempo que a gente teve lá. A galera gostou, a gente falou “poxa, legal, vamos continuar, por que não?”.

Júlio Cézar · Já rolou da gente tocar em Festivais como banda convidada, às vezes para abrir a noite, para fazer algo no Festival. A gente acha muito legal o som autoral. A gente gosta do Led Zeppelin, do som de 70, mas a gente dá maior valor para quem curte som autoral. Mas rolava meio aquele climão, porque a gente chegava pra tocar Led, a galera toda explodia.

Continuar lendo

Zé’n Roll

Êxtase, surpresa, teatralidade e intensidade foram elementos presentes em cada momento das apresentações deste sábado (27) no Musical Box Alive, realizado no espaço Galpão, em Viçosa-MG.

Com ingressos esgotados, a XIV edição do evento trouxe a mineiridade e a riqueza rítmica da banda Zé Trindade (BH), a autenticidade e a explosão sonora de Zé Pelin (cover de Led Zeppelin) e a surpresa e a serenidade de Beatlelogia.

Os acordes da música de abertura Eleanor Rigby inauguraram o clima intimista de Beatlelogia, que mostrou a força acústica das canções de The Beatles. Violão, guitarra solo, meia-lua e o duo de vozes entoaram, ainda, We Can Work it Out, Something, Ticket to Ride, Oh! Darling e Help.

A forte interação com o público teve continuidade a partir da energia do grupo Zé Trindade, formado por Danilo Marques (voz, guitarra e viola caipira), Felipe Freitas (baixo, gaita, flauta e vocal) e Maktuh Marquezini (bateria, vocal, berrante e tilintar). A autenticidade das músicas próprias que trazem ao palco está na sonoridade diferenciada, dançante, regional e com influência do Rock setentista. o Power Trio manteve o clima descontraído em alternância com versões de músicas como Amor e O Hierofante, de Secos e Molhados, e Rockixe de Raul Seixas, e mostrou que não perde o fôlego apesar da agenda cheia: foi o terceiro dia seguido de apresentações, após shows em Ouro Preto e Sete Lagoas.

A atração de encerramento da noite causou a impressão de que a sonoridade única de blues e heavy metal e a liberdade de expressão musical da banda Led Zeppelin extrapolaram os limites do tempo e se materializaram no palco. Os elementos que transmitem essa sensação estão na experiência dos músicos de Zé Pelin, que trazem características afinadas entre si: a versatilidade da voz de Thiago Cruz (que também é vocalista de Beatlelogia e A Ruga), a interpretação marcante de Júlio Cézar sobre acordes e solos, a entrega de Ricardo Elias na bateria e a marcação densa da habilidade de Ricardo Campos no baixo. A presença de palco da banda e o repertório ditado, em partes, pelo público, garantiram um show completo e intenso, prejudicado, talvez, apenas pelas instalações de som e iluminação que ainda não atendem as expectativas de uma boa estrutura.

Os produtores Carlos Marques e Breno Carvalho voltam a realizar uma edição ao vivo do Projeto com o Musical Box in Concert, que traz show do grupo argentino Violentango dia 23 de abril no Espaço Fernando Sabino.

……………………………

Agradecimentos à produção do Musical Box Alive pela parceria; aos integrantes das bandas Zé Trindade e Zé Pelin, pela atenção e disponibilidade.

……………………………

Texto: Amanda Oliveira e Lara Marx
Vídeo: Amanda Oliveira
Fotos: Lara Marx
Imagem de Topo:  Lara Marx

A cura pela música

 
A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões.

Entre os músicos que acompanham Jefferson Gonçalves em sua trajetória, Kléber Dias, com seus mais de 30 anos de carreira, faz a diferença.

O grave tom de voz e os precisos solos de guitarra e bandolim levam autenticidade à mistura de ritmos durante as apresentações

Formação Musical
Depois de 30 anos que eu estou por aí, a verdade é que muitas coisas me instigaram. Mas a princípio foi ver pessoas tocando violão e eu fiquei muito interessado naquilo. Desde criança já me interessava pelo som do violão, eu queria saber como é que tocava para fazer aquilo. Aí comecei a ouvir rock’n roll, basicamente Beatles e ouvia muita música regional também porque meus pais são de origem nordestina, então eu tinha acesso àquelas músicas do Nordeste. Já na adolescência me interessei pela música mineira: Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini.

Mas basicamente o que me fez querer começar a tocar foi a sonoridade que você conseguia com determinados gêneros de música, principalmente Rock’n roll e blues.

 

Verdade pela música
A música é uma coisa muito importante na minha vida, então eu tento ser o mais verdadeiro possível com a música e o mais autêntico também. Então faço basicamente aquilo que você aprende, a vivência que você tem, tentando passar na música essas coisas, sentimento e tudo. Mas há também a questão de sonoridade: o som dos instrumentos, a combinação dos sons dos instrumentos com as vozes, eu gosto daquela coisa da vocalização tipo Pink Floyd, Jimi Hendrix, Beatles, pessoal que gosta de trabalhar com vozes.

Mas acho que o que qualquer músico que quer trabalhar de forma verdadeira quer passar é uma mensagem mesmo de otimismo, alegria. Hoje em dia eu não penso muito mais nestas questões de protesto. Acho que se eu pudesse abraçar uma causa eu gostaria de fazer o que Jimi Hendrix sempre fazia, que era curar com a música. A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões. Acho que estar passando alegria para as pessoas, satisfação, prazer em estar ali, um momento bom para se viver, já coroa a vivência da gente como músico.

Trajetória
O meu encontro com o Jefferson e o desenvolvimento deste trabalho e tudo o que ele nos trouxe foi bastante importante. E a gente ainda continua no processo, não chegou acho que ainda nem no meio do caminho.
Ter tocado com grandes músicos também foi muito bom porque me deu uma lição de humildade, uma lição de técnica, de conhecimento propriamente dito em relação à música.

Mas acho que fica como um dos mais duradouros e recompensadores esse trabalho com o Jefferson, que é muito legal. A gente tem vivido muitas experiências únicas. E os outros trabalhos até então não foram assim tão abrangentes. Mas foram muitos trabalhos expressivos: tocar com músicos reconhecidos, trocar conhecimentos sobre música regional com uma pessoa que é meu tio, que hoje, depois de muito tempo, voltou a tocar, ele tocava viola caipira quando era novo e voltou a tocar e a cantar agora com 72 anos. Então ver isso acontecer, ter aprendido com ele, é muita coisa. Muita coisa importante acontece quando a gente ama de verdade a música e quer fazer um trabalho verdadeiro.

……………………………

Agradecimento especial a Kléber Dias pela disponibilidade e atenção.