Compasso em 4 tempos

Em quatro anos de essência musical, tocamos para você, leitor, os bastidores, os ensaios e o ao vivo. Mostramos o melhor da música, diversos os ritmos. Divulgamos, criticamos, opinamos, acolhemos ideias e valorizamos profissionais. Construimos um repertório independente, alternativo e direcionado também para público, artistas e produtores.

É neste momento que mudamos de tom, mas amplificamos o volume e mantemos a melodia livre que marcou nosso estilo. O Estúdio ao Vivo chega à cidade de São Paulo, onde já realizamos coberturas especiais, e começa, a partir de hoje, a disseminar os acordes com sotaque baiano e mineiro também por aqui.

Mas, não é só no ambiente que o Estúdio apresenta novidades. No dia 18 de outubro, brindaremos o aniversário com séries especiais, layout exclusivo (por André Pacheco), novos colaboradores e interação com outras manifestações artísticas.

Enquanto aguardam a programação musical, já podem acompanhar esta semana a Conexão MG-SP, que iniciamos via Twitter: Amanda Oliveira postou em tempo real sobre o Musical Box Alive XVII, que levou ao Galpão em Viçosa a banda Mantra (BH), com abertura de O Quinto; e no último sábado, Lara Marx falou das impressões sobre os shows de The Limousine Drivers, Maglore e Vivendo do Ócio no Clube Outs (SP). Esta semana é tempo de conferir os compassos em detalhes.

O Rock Refinado de Foxtrot

Os produtores Carlos Marques (à esquerda) e Breno Carvalho (à direita) com os músicos Sânzio Brandão (guitarra), André Godoy (bateria), Marcelo Cioglia (baixo e voz), Renato Savassi (voz, violão, flauta, bandolim e gaita), durante passagem de som em Viçosa-MG.

“Eu gosto de Blues e Beatles. Renato [Savassi], progressivo. Marcelo [Cioglia], metaleiro. [André] Godoy é brasileiro”. Assim, Sânzio Brandão (que hoje assume a guitarra) revela as características mais marcantes dos integrantes de Foxtrot. As influências agregam elementos numa banda que busca o “rock refinado” [Renato Savassi].

Guitarra, violão, baixo e bateria unem-se em sonoridade diferenciada à bandolim e flauta, com canções que resgatam principalmente o Folk Rock.

A pureza do som do grupo, reforçada pelo conjunto vocal de Renato Savassi e Marcelo Cioglia, é a principal atração da XVI edição do Musical Box Alive, que acontece logo mais no Espaço Galpão a partir das 23h.

Acompanhamos a passagem de som e constatamos que a proposta inicial de “fazer um som bem leve, (…) uma coisa acústica (…) e usando muito vocal” [Savassi] não se perdeu em essência. O show promete variar entre o folk, o country e o progressivo, com margem ampla para improvisos.

Ao público, a garantia da mesma qualidade e bom humor da última experiência dos integrantes na cidade, quando tocaram como banda Cálix em Viçosa no Musical Box in Concert: “a gente se sente bem aqui em Viçosa, hoje acho que vai ser legal demais. A casa, é a primeira vez que a gente está vido aqui, mas já vi que o show vai ser muito bom, nós vamos sair satisfeitos e ver o jogo do Brasil amanhã tranquilos [André Godoy].

No Ar: Musical Box [12] – Os acordes instáveis de Jethro Tull

Uma banda instável de tão versátil: “This Was”, lançado em 1968, refletia no título que o blues rock do início da carreira era pouco para o som de Jethro Tull. O que os integrantes Ian Anderson (vocais, flauta), Mick Abrahams (guitarra), Glenn Cornick (baixo) e Clive Bunker (bateria) demonstravam em palcos de clubes britânicos incluía a integração de elementos da música clássica, folk, jazz e celta.

O dinamismo não agradou Abrahams, que preferia a melancolia do blues, enquanto Anderson apostava em algo que não fosse “estilisticamente limitado e de vocabulário restrito aos ingleses de ‘classe média’”.

“Stand Up” (1969) e “Benefit” (1970) não contavam mais com o guitarrista e dariam continuidade à biografia ditada pelos nomes dos álbuns – o rock progressivo foi o estilo de boas vindas aos anos 70 e o grupo não ficou atrás de Elton John, Rolling Stones ou Led Zeppelin (com quem alimentavam uma rivalidade só amenizada pelo interesse mútuo em folk e música oriental), nas lendárias apresentações ao vivo.

De folk a rock eletrônico, passando pela premiação Grammy de “Performance de Rock Pesado/Metal”, a essência de Tull não foi apagada em mais de 40 anos de música. Vigor, surrealismo e crítica apurada de álbuns como “Aqualung”, “Thick as a Brick” e “Living in the Past” permanecem nas concepções criativas recheadas de sonoridade medieval, vocal marcante e arranjos complexos com uso de flauta, acordeon, mandolin, marimba e outros instrumentos raros.

No Ar: Musical Box
Como uma linha tênue que separa o rock setentista, de nomes como Jimi Hendrix e Rory Gallagher, das grandes óperas-rock, de bandas como The Who e Pink Floyd, o Programa Musical Box desta quinta apresenta em seu repertório parte das influências, dos grupos contemporâneos e do próprio Jethro Tull: a prévia da 16ª edição do Musical Box Alive é uma seleção das canções mais bem sucedidas da banda que ainda realiza mais de cem concertos por ano.

A energia de Renato Savassi (voz, violão, flauta, bandolim e gaita), Marcelo Cioglia (baixo e voz), André Godoy (bateria) – integrantes da banda mineira de rock progressivo Cálix – e Guilherme “Bicudo” Rancanti (violão e voz) – guitarrista da banda Raulzitles – assume o palco do Espaço Galpão neste sábado (19) sob o nome de Foxtrot (BH), num tributo a Jethro Tull.

Após a apresentação do grupo viçosense Coffe Shop (Red Hot Cover), a banda belorizontina mostra a qualidade harmônica vocal e o instrumental trabalhado sob as influências do blues, country, folk e rock de The Beatles, Creedence, America, Eric Clapton, Pink Floyd, Simon & Garfunkel, Cat Stevens, Queen, Crosby, Stills e Nash & Young.

Myspace
Foxtrot
http://www.myspace.com/bandafoxtrot

Coffee Shop
http://www.myspace.com/coffeeshopredhot

No Ar: Musical Box [11] – Eclético Blues

Poético, literário e inovador: esta é a promessa para o show de Nuno Mindelis na cidade de Viçosa-MG pelo Vijazz & Blues Festival. No dia 12 de junho (sábado), no Espaço Fernando Sabino da UFV, o guitarrista mostra o som suingado, com elementos de psicodelia, hip hop, eletrônica e samba. Angolano naturalizado brasileiro, tocava instrumentos construídos por ele próprio com apenas 9 anos.

O eclético Mindelis – eleito o melhor guitarrista do mundo pela revista Guitar Player -, já teve como companhia em palco a versatilidade mineira de Rodrigo Nézio & Duocondé Blues, grupo que prepara um CD para ser lançado ainda este ano em parceria com Jefferson Gonçalves, que já se apresentou em Viçosa pelo Musical Box Alive. Formado pelo guitarrista e vocalista Rodrigo Nézio, o baixista Rodrigo Chaffer e o baterista André Torres, o trio encerra o Vijazz & Blues dia 13 de junho (domingo) no Espaço Hervé Cordovil (Estação Ferroviária) com arranjos que mesclam elementos de rock’n roll – influências de bandas como Queen, Iron Maiden, Eric Clapton – e do autêntico blues de Jimi Hendrix, B.B. King, Robert Johnson e Ray Charles.

No clima dos dois ritmos, as ondas da Rádio Universitária transmitiram nesta quinta-feira a seleção musical de Breno Carvalho e Carlos Marques inspirada no Vijazz & Blues. O Programa Musical Box apresentou um bloco com as canções do disco “Outros Nunos” – lançado em 2006 por Mindelis – e do CD “Rodrigo Nézio & Duocondé Blues”, de 2007, com 14 músicas inéditas.

O Programa contou com a participação se Sérgio Lopes, um dos produtores do Vijazz & Blues, que destacou os objetivos do evento de promover boa música e acessibilidade, em referência às atrações de nível internacional e aos shows gratuitos de encerramento.

A partir de hoje você confere no Estúdio ao Vivo vídeos, fotos e textos sobre os bastidores e as atrações do Festival.

No Ar: Musical Box [10] – The grand wizard of classic rock

A semana começou menos mágica. As homenagens a Ronald James Padavona (10/07/1942 – 16/05/2010) anteciparam a celebração pela vida e obra do músico, que será realizada no Hall of Liberty, em Forest Lawn (Hollywood) no próximo domingo (30). Metallica tocou a introdução de “Children of the Sea” em Lisboa, Pearl Jam ensaiou o riff de “Heaven and Hell” nos Estados Unidos, Steve Morse (guitarrista do Deep Purple), disse que “todos que o conheceram sentirão sua falta, assim como qualquer um que já o tenha ouvido cantar”. Declarações de Ritchie Blackmore (Rainbow), da banda Kiss, de Slash, David Coverdale (Whitesnake), Mike Portnoy (Dream Theater), de Ozzy Osbourne e dos integrantes da banda brasileira Angra exaltaram a eternidade da música do cantor.

“The grand wizard of classic rock”, alimentou a certeza de que “há muito mais do que viver” durante a batalha contra o câncer, iniciada há pouco mais de um mês [como afirmou em entrevista concedida dia 08 de abril]. Com o nome artístico Ronnie James Dio – em homenagem ao mafioso italiano Johhny Dio – o cantor tornou-se conhecido como dono da voz mais importante da história do heavy metal.

Os brasileiros acompanharam a expressão vocal de Dio em 16 de maio de 2009, em São Paulo, com a banda Heaven & Hell – formada pelos ex-integrantes do Black Sabbath Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Vinnie Appice (bateria), que trabalhavam na produção de um DVD pelos 30 anos de lançamento do disco “Heaven And Hell”.

Seria um dos mais de 40 álbuns na carreira de Dio, que gravou o primeiro disco em 1972, passou pelo grupo Rainbow e foi convidado em 1980 para assumir os vocais de Black Sabbath.

Tanto nas produções dos Cds da banda (“Heaven And Hell”, “Mob Rules”, “Live Evil” e “Dehumanizer”) quanto no primeiro grupo ELF (antigo Vegas Kings), nos discos solos (como “Holy Diver”, “The Last in Line” e “Sacred Heart”) e nos projeto Heaven & Hell e Hear ‘n Aid (beneficente), Dio se estacou no cenário do Rock internacional pela habilidade vocal .

Curiosidade

A participação importante e influente de Dio no Heavy Metal passa também pela invenção do gesto que tornou-se tradição entre fãs e ídolos do estilo. Os “chifres do diabo” feitos com as mãos representam um símbolo usado para afastar (ou provocar) o “mau olhado”. O costume “herdado” da avó italiana tornou-se parte da cultura metal.

………………………….

SITE:  http://www.ronniejamesdio.com

MYSPACE: http://www.myspace.com/dioofficial

TWITTER:  @OFICIALRJDIO

No Ar: Musical Box [9] · Two of Us: o Rockixe de Raul e The Beatles

De leituras metafísicas e antológicas a coleções de momentos tristes e alegres, um baiano considerado o primeiro roqueiro brasileiro reproduzia em suas canções a malícia influenciada pelos músicos que considerava almas gêmeas: Elvis Presley e Luiz Gonzaga.
Conhecedor dos sertões, em viagens de trem que realizava com o pai, e da cultura dos Estados Unidos, em convivência com norte-americanos ainda em Salvador – BA, Raul Santos Seixas fez da sua obra e sua vida uma ópera, marcada pela teatralidade espontânea, o vestuário produzido, a música intensa e as idéias alternativas.

Compôs “Metamorfose Ambulante” com 12 anos de idade e “Ouro de Tolo” logo depois, mas com a primeira banda Raulzito e Os Panteras foi um fracasso de vendas. Já no Rio de Janeiro, produziu artistas pós-jovem guarda, mas foi num Festival da Canção que mostrou a performance que o lançaria como o maluco beleza: “Let me sing, let me sing” misturava o Rock dos anos 50 com o Baião nordestino e lançava o estilo definido pelo próprio músico como “Raulseixismo”.

Em harmonias e letras simples, Raulzito expressava filosofias e críticas aprofundadas, cada novo disco sendo “sempre uma controvérsia do outro disco que passou”. “Sociedade Alternativa” ganhou força de hino pela mudança política e social, resultou na expulsão do artista do Brasil durante o governo Geisel e tornou-se tema central das conversas que manteve com John Lennon no exílio em Nova Iorque. Mesmo em 1989, eram 11 as canções censuradas.

A própria realidade comportamental da época era criticada por Raul, que a considerava caótica e apenas um reflexo da sua geração. Para ele, o movimento Rock’n Roll dos anos 60 influenciou todos os setores culturais, inclusive com o advento hippie e o sucesso de The Beatles: os quatro jovens de Liverpool (Inglaterra) que deram início, em 1962, a uma modificação na forma de fazer, entender e gravar Rock and Roll.

Extrapolando os padrões da época e viajando através de um universo de oito anos, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Star expressaram personalidade, rebeldia, carisma e senso de humor em letras simples e marcantes, fazendo com que o ritmo que antes era fabricado em função da dança passasse a ter como fim a própria música.

Entre temáticas juvenis nos primeiros álbuns como em “Love me Do” (1962), críticas sociais e problemas humanos a partir de “Roubber Soul” (1965) e a intensidade e profundidade do lirismo experimental com recursos de música clássica e instrumentos orientais em “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), o grupo fez do rock da década de 60 uma abertura para a liberdade e para a renovação, dando compasso a uma nova geração.

Das populares turnês pela Europa e pelos Estados Unidos à obra gerada exclusivamente em estúdio, The Beatles transformou um rock “iê iê iê” em uma união de psicodelismo, talento, criatividade e tecnologia de ponta.

No Ar: Musical Box
Ainda que tenha alcançado o primeiro lugar em vendas em várias partes do mundo, o álbum Lei It Be ficou marcado pela história de um ano e quatro meses de gravações, desentendimentos, abandonos e receio em retomar a vida instável das turnês, quando a histeria das fãs superava a valorização das músicas de The Beatles.

O fim do grupo foi anunciado após o fracasso do projeto idealizado por Paul McCartney e inicialmente pensado como “Get Back” que, literalmente, tentaria voltar às origens, com canções mais simplistas, de um Rock’n Roll gravado e filmado em apresentações ao vivo. Let It Be teve passagens turbulentas, como a saída temporária de George, a participação de três produtores e a idéia comum de que o material estava fraco para os padrões da banda, o que adiou seu lançamento.

O Musical Box desta quinta-feira (13) apresenta o especial do disco de 8 de maio de 1970 em suas versões originais com orquestras, corais, gravações ao vivo e em estúdio de músicas como “Get Back”, “I Me Mine” e “The Long and Widing Road”.

Completam o repertório o melhor da música nacional, com toda a versatilidade e genialidade das canções de Raul Seixas nas ondas da Rádio Universitária (100,7 FM ou http://rtv.ufv.br) a partir das 20h.

O Programa é uma referência ao Musical Box Alive XV, que acontece no próximo sábado, 15 de maio, com a banda Raulzitles (BH), em um show que promete ser descontraído e emocionante dedicado aos dois ícones do rock.

No Ar: Musical Box [8] · O elétrico Rory Gallagher

A sensibilidade do blues, o improviso do jazz e a agitação do rock acompanharam o irlandês Rory Gallagher desde os seus 18 anos, com a banda Taste, formada em 1965 e candidata a melhor power trio inglês. Ele já havia passado pelo grupo Fontana Show Band, mas foi em carreira solo – tocando principalmente com Gerry McAvoy (baixo) – que o guitarrista reconhecido pelas brilhantes performances afirmou seu estilo.

Além da lendária guitarra, os arranjos de violão e gaita o tornaram comparável a grandes nomes da música, como Eric Clapton e Jimi Hendrix.

Com dois discos lançados em 1971 – Rory Gallagher e Deuce -, Gallagher mostrou o modo visceral de tocar sua Fender Stratocaster sem pedais em gravações ao vivo. A sonoridade elétrica compensou a produção restrita, revelou a qualidade dos shows, inspirou o lançamento de Live In Europe, rendeu um disco de platina e o prêmio de músico do ano do jornal Melody Maker.

Foram 16 álbuns com diferentes formações, e que tinham como personagem principal o público. Nas palavras de Gallagher:

Eu amo tocar para o povo. O público significa muito para mim. Não é uma coisa vazia. Eu amo gravar também, mas preciso de um contato regular e frequente com o público, porque ele me dá energia

No Ar: Musical Box
Logo mais às 20h, o Programa Musical Box transmite pela Rádio Universitária 100,7 FM (e pelo site) a energia e o improviso de Rory Gallagher, músico que faleceu em 14 de junho de 1995 e deixou um importante legado para o Rock.

O blues de músicos como Paul Williams e o Progressivo de Gentle Giant, Kansas e Yes completam a programação desta quinta-feira e mantêm o público no clima do Próximo Musical Box Alive, dia 15 de maio, que tem como banda de abertura a viçosense O Quinto (completa a programação o grupo Raulzitles, de Belo Horizonte).