De Carona

Foi para anunciar um som de peso que The Limousine Drivers assumiu a direção dos acordes no Clube Outs na noite do dia 18 de setembro. Desde a música de abertura, Scary Scars, a pegada punk-rock dos anos 60 e 70, a energia no palco e a interação com o público mostraram que Du (baixo), Felipe (bateria), Boriz! (guitarra) e Vinícius Lepore (vocal e guitarra) extrapolam o som de garagem e sustentam a maturidade de quem já transita com segurança pelas músicas próprias.

The Limousine Drivers toca no London Pub como atração principal.

O grupo, que lançou em 2008 o primeiro EP “Watch Your Wishes”, integra “Stuck”, “Como on Over Me” e “All By Myself ” ao repertório – disponíveis no novo Myspace. As músicas são trabalhadas com solos enérgicos de guitarra e com a batida marcada da bateria, que surpreende em seus ‘grand finales’. Com performances que exploram a potência de um trio vocal e a inspiração natural de quem tem o puro “Rock’n Roll correndo nas veias”, The Limousine ainda mostrou tons versáteis ao apresentar, também, elementos, nas palavras da banda, do “mais perto que conseguem chegar de reggae, ska e stamp”. Um show curto e para lotação, mas que contou com público reduzido. Ainda assim, TLDs não se limitou a dar passagem, promovendo carona à energia para as próximas atrações.

Foi no London Pub que o Estúdio ao Vivo gravou sobre a estrada da banda (onde apresentaram também o EP “Headache”), que se apresenta novamente no Clube Outs no dia 21 de janeiro, já com as músicas do novo CD como repertório. TLDrivers integra o Especial 4 anos por ser a primeira banda paulista independente que entrevistamos na nova fase do blog:

Links
Myspace
Twitter – @TLdrivers

Show: dia 18/09
Local: Clube Outs
Bandas: The Limousine Drivers, Maglore, Vivendo do Ócio
Fotos: Clube Outs

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Agradecimentos
A Valetim e Edu, do Clube Outs, pelo apoio à cobertura dos shows.
Aos integrantes da banda The Limousine Drivers (Boriz!, Du, Vinícius, Felipe) pela disponibilidade e atenção.
Ao London Pub, pela estrutura para a entrevista.

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De Cores

 

Era de se esperar um pulsar sereno a ditar a base do show do Maglore. À cadência de “A sete chaves”, os baianos Igor Andrade (bateria), Lelão (teclados, escaleta e guitarra), Nery Castro (contrabaixo) e Teago Oliveira (guitarra e voz) abriram em tom melancólico a estreia na cidade de São Paulo.

Salta à voz de Teago a melhor descrição do que são em palco: os versos das músicas próprias, lançadas em 2009 no EP “As Cores do Vento” e também em 2010, com a finalização do primeiro CD Veroz.

‘Nenhum peso pelo medo de gostar’
Maglore mostra uma seleção cuidadosa do repertório. As influências presentes no show – como The Beatles e Mutantes – contribuem para a afinação do grupo com o público, que mesmo em canções inéditas se manteve no compasso exposto pela mistura de ritmos sustentada pelos instrumentistas.

A gente não faz parte de nenhum estilo de música. A gente mistura tanto Ijexá, que é música baiana, quanto Rock’n Roll ou o Pop-Rock. […] As músicas são muito diferentes entre si, a banda possui uma gama de composições que não tem uma linha concreta.

O resultado é o sucesso construído em pouco mais de um ano, que gerou demanda pelo novo CD em lugares além da Bahia e possibilitou a apresentação em São Paulo a partir de pedidos realizados pelos fãs do grupo via Twitter.

‘Lembra quando tudo começou’
Em 2009, o compositor Teago convidou músicos para a gravação de cinco canções. O resultado é o EP que tem como base a sinestesia: “As Cores do Vento” surgiu da “vontade de se expressar livremente” e ainda tem muito das características do vocalista.

‘Pra se perder, se achar e se entender’
Aos poucos, a identidade de Maglore é construída pela mistura de estilos e, ao mesmo tempo, pela convergência de objetivos – viver profissionalmente de música é um deles, ainda que haja dificuldade em encarar a realidade independente na Bahia e conseguir expandir o trabalho para outros Estados.

‘O destino que traçar’
Para o novo projeto, que começou a ser apresentado ao vivo e, aos poucos, pelo Myspace da banda, esperam-se traços mais firmes de maturidade, heterogeneidade e riqueza de elementos que revelam um pouco mais de cada integrante. São mudanças sutis em relação ao EP, o que deve se tornar ainda mais presente no 3º disco – já idealizado.

‘Se guiando pelo vento’
O público passa a conhecer “Veroz” single-a-single pela divulgação online das músicas até janeiro de 2011. O lançamento definitico ainda depende de parcerias com distribuidoras. Além disso, o clipe de “Demodê” passou a ser veiculado no dia 18 deste mês no MTV Lab Br.

Junto à banda “Os Barcos”, de Vitória da Conquista, Maglore realizou recentemente uma turnê pelo Nordeste, passando por cidades como Feira de Santana (BA), Aracaju (SE), Recife (PE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB) e Natal (RN). Os grupos participam do segmento chamado “Novíssimos Baianos”, definição do jornalista Luciano Matos em referência à uma nova geração no rock baiano.

O show de Maglore foi escolhido por nós para o especial 4 anos do Estúdio ao Vivo pela coincidência do grupo representar de forma sutil os três Estados pelos quais o blog já passou. A mineira Amanda Oliveira começou a escutar os baianos (meus conterrâneos) em Poços de Caldas-MG e me apresentou ao som em Viçosa-MG. Agora, compartilham a estreia em São Paulo com a estreia do Estúdio ao Vivo por aqui. Confira trechos da entrevista exclusiva e do show no Clube Outs em 18 de setembro:

Set List original
A Sete Chaves
Enquanto Sós
Megalomania
Hash Pipe
O Mel e o Fel
Todos os Amores são Iguais
Tão Além
Drive my Car
Pai Mundo
Às Vezes um Clichê
Demodê
Balada do Louco
Lápis de Carvão

Links
Site oficial
Myspace
Twitter – @Maglore

Show: dia 18/09
Local: Clube Outs
Bandas: The Limousine Drivers, Maglore, Vivendo do Ócio
Fotos: Clube Outs

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Agradecimentos
A Valetim e Edu, do Clube Outs, pelo apoio à cobertura dos shows.
A Érika Leone e Azevedo Lobo (Produção da banda Maglore), pela atenção no atendimento.
Aos integrantes da banda Maglore (Nery, Igor, Lelão e Teago) pela entrevista e apoio à iniciativa do blog.

Thiago Pethit e seu novo disco

Quarta-feira sai um pouco mais cedo da curso de ‘redação e criatividade’ e corri para o Studio Sp para tentar assistir ao show de Thiago Pethit, que está lançando o CD ‘Berlim, Texas’, no projeto ‘Cedo e Sentado’. Confesso que já tinha escutado as músicas do Thiago Pethit, mas que ainda não havia parado para apreciar, perceber as nuances, as influências, as surpresinhas.

O show atrasou uns 20 minutos do horário previsto, o que foi ótimo pois assim cheguei antes do início. Thiago subiu ao palco no melhor estilo realeza moderna, calças curtas, sapato social e camiseta folk, com cabelos agitados lembrando Beethoven. Abriu a noite com ‘Não se vá’, música que abre o disco. E eu ali, a dois metros do palco, prestando atenção a cada nota. Ele canta com muita clareza, suas palavras são bem articuladas e sua composição é bastante sentimental. A cada frase de ‘Não se vá’ eu lembrava de momentos que vivi e outros que ainda não. Impossível ouvir Pethit e não pensar em relacionamentos de forma delicada e profunda.

Me arrisco aqui a falar um pouco do que creio ser suas fontes inspiradoras. Estava lendo sobre sua influência do teatro, sobretudo do dramaturgo alemão Bertold Brecht. O nome do disco é também uma brincadeira com o filme ‘Paris, Texas’, de Win Wenders. A canção ‘Nightwalker’, com as palminhas, me lembrou ‘My love‘ do também excelente ‘The Bird and The Bee’. Algumas canções me trazem à memória o músico francês Yann Tiersen e a banda ‘Beirut’ que combina elementos do Leste Europeu com o Folk. Independente de qualquer comparação que eu faça devo admitir que Thiago Pethit é bastante autêntico e que talvez não haja músico brasileiro que desenvolva trabalho parecido com o dele. O disco foi produzido pelo Yuri Kalil, do Cidadão Instigado.

Entre uma música e outra Thiago definiu seu show como um voix de ville’ contemporâneo – uma espécie de sarau francês bastante popular antigamente. Segundo ele, para completar esse cenário não poderia faltar o que hoje seria a principal canção dos cabarets e interpretou ‘Bad Romance’ ao piano.

Thiago carinhosamente denominou sua banda como os ‘Petit Four’, rs, composta por Camila Lordy (piano e acordeon), Guga Machado (bateria e percussão), Ana Elisa Colomar (cello, flauta transversal e clarinete) e Pedro Penna (violão e ukulele). Se eu não estou enganado, Guga Machado não participou do show no Studio SP, mas infelizmente eu não tenho o nome da artistas que o estava substituindo.

Após fechar o ciclo de canções com ‘Don’t go away’, versão em inglês da canção que abriu a noite, Pethit e sua banda se despediram, mas logo voltaram ao palco para o bis, com a canção ‘Mapa-Mundi’, acompanhada em coro pelo público.

Quem quiser saber mais sobre o trabalho de Thiago Pethit pode acessar seu site e o blog ‘don’t touch my moleskine‘, onde há uma entrevista bem bacana. Para quem estiver em São Paulo, o terceiro e último show dessa temporada no Studio SP acontece nesta quarta-feira, dia 21, a partir das 21h. O ‘cedo e sentado’, projeto no qual o Thiago escolheu para lançar seu disco, é de graça. Aqueles que quiserem permanecer no Studio Sp após o show poderão curtir a apresentação de Thalma de Freitas, e será cobrado R$ 20 reais de entrada (R$ 10 com o nome na lista).

**a foto publicada neste post foi gentilmente cedida por Ariel Martini (@bortao | Flickr)

Rafael Munduruca (@munduruca)

Rafael Munduruca é jornalista e produtor cultural. Um nômade fixado em São Paulo, que ensaia um blog no qual gosta de experimentar coisas novas e outras nem tão novas assim.

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Imagem de topo: Lara Marx sobre foto de Ariel Martini

Otto e os sonhos intranquilos

Quinta-feira, 08 de abril, foi o show de lançamento do CD ‘Certa manhã acordei de sonhos intranquilos’, do pernambucano Otto, no Sesc Pinheiros. O título do novo cd foi inspirado no livro ‘Metamorfose’, de Kafka, e quebrou um jejum que durava desde 2005, quando o cantor lançou o CD ‘MTv Apresenta Otto’. Entre as músicas destaco ‘Crua’, ‘6 minutos’ e ‘Filha’ canções que de alguma forma mexeram comigo, e sem dúvida animaram o público.

Não sei que onda é essa, mas quase todos os shows que tenho assistido tem aparecido alguma música em homenagem a orixás. No show de Otto isso ficou na responsabilidade da música ‘Janaína’. Duas músicas do disco contam com participações especiais, Otto divide os vocais com a cantora Céu em ‘O Leite’ e com Julieta Venegas em ‘Saudade’ (com ritmo delícinha, que me lembra um pouco Mano Chao). Sem dúvida as canções refletem alguns possíveis sonhos intranquilos, que trazem imagens de relacionamentos (mal) acabados.

O show durou cerca de duas horas e o repertório apresentou quase todas as canções do novo disco e outras mais antigas. Otto pareceu um pouco desatento, talvez com a percepção um pouco alterada, e não parava de dançar um segundo. Aliás, só parava de dançar para rolar no chão do palco ou virar copinhos d’água na cabeça. Apesar disso, ele transmiti muita alegria no que faz, e parece se divertir cantando e dançando – dancinhas pra lá de sensuais. Em alguns momentos parou para lamentar estar na casa dos quarenta, mas garantiu que ainda mantém a energia de quando tinha 16 anos. O público, que lotou o teatro, demonstrou que conhecia muito bem ele e as canções e pediu músicas que não estavam na set list do show, mas que foram prontamente atendidas. Ao final, todos dançaram, imitando os passinhos do cantor.

Rafael Munduruca (@munduruca)

Rafael Munduruca é jornalista e produtor cultural. Um nômade fixado em São Paulo, que ensaia um blog no qual gosta de experimentar coisas novas e outras nem tão novas assim.

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Fotos: Rafael Munduruca

Imagem de topo: Lara Marx

Lulina e Bruno Morais contra o dragão da preguiça dominical

Domingo (28) foi o dia de prestigiar Lulina e Bruno Morais contra o dragão da preguiça dominical, no Auditório do Ibirapuera. A proposta foi ótima, vencer a preguicinha de domingo e fazer uma farra musical puxada por dois jovens e talentosos cantores, e seus convidados e amigos, Rômulo Fróes, Luiz Chagas, Mauricio Pereira, Karina Buhr e Mauricio Tagliari.

Lulina já era minha conhecida, primeiro ouvi ‘balada de paulista‘ – ‘puta meu, tipo nossa cara!’ – e depois o cd inteiro. As canções de Lulina trazem um pouco de fantasia e de infância, lado a lado com temas maduros, em arranjos musicais sofisticados. Seu show foi apontado pelo Guia da Folha como o 5º melhor show nacional de 2009. Há alguns meses, cheguei a ir ao Sesc Vila Mariana com um amigo para tentar assistir a este famoso show, mas chegando lá, infelizmente, tinha apenas um convite disponível, e éramos dois.

Tanto Lulina quanto Bruno Morais trazem no repertório canções para pessoas apaixonadas. Bruno canta seduzindo, sussurrando e com muita disposição. Ao final do show comprei o cd dele. Ouço e reouço sem parar. Destaque para ‘Hino dos Corações Partidos F. C.‘, que abre o disco, e sem dúvida me conquistou. Uma surpresa muito especial ficou por conta da apresentação de duas músicas inéditas, segundo eles, compostas em guardanapos de papel, em mesa de bar. uma das novas músicas diz assim:

e a verdade sozinha, tão cinza nem se faz notar… não saber aparecer, e eu fico aqui com as cores, sem saber por que… por que… as cores me atraem, é tanta ilusão… isso não é poder que se dê para qualquer um… e a verdade sozinha, tão cinza nem se faz notar…

Lulina e os irmãos Tagliari.

No palco o clima informal imperou, Bruno Morais fez diversas dancinhas e Lulina tentou acompanhar timidamente. Maurício Pereira surpreendeu Lulina, e ao público, quando a tirou para dançar um tango, com direito ao clássico passo final (aquele no qual a dama fica caída sobre a perna do cavalheiro, aguardando um beijo ardente). Karina Buhr dividiu os vocais com Lulina na canção ‘Meu príncipe‘, como duas amigas que se divertem em uma festa. Quando o show estava quase encerrando os filhos do Maurício Tagliari fizeram participação especial, um ao violino, e o caçula ao bongo. A descontração deste último animou a todos, principalmente quando ele assumiu os vocais junto com Lulina, Bruno e Karina para cantar ‘balada de paulista‘, que fechou a noite.

Tomara que novas batalhas contra o dragão da preguiça sejam travadas!

Mais sobre os artistas em:
www.lulilandia.com.br e www.brunomorais.com.br

Rafael Munduruca (@munduruca)

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Fotos e texto: Rafael Munduruca
Imagem de Topo: Lara Marx

Dança que é tecnomacumba!

Parece música de terreiro. Parece música brasileira, música africana, eletrônica. Música para dançar. Parece música para reverenciar deuses, música para oferendar aos orixás. É assim que é Tecnomacumba, show de Rita Ribeiro.

Com mais de vinte anos de carreira, e muitas histórias, Rita Ribeiro já gravou quatro discos, foi indicada ao Grammy Latino, participou de diversos projetos musicais nacionais e internacionais. Agora divulga seu primeiro DVD: Tecnomacumba – A tempo e ao vivo. Lançado no ano passado, tem origem em um show que é realizado há quase seis anos, e que vem sendo aperfeiçoado, tendo se tornado CD ainda em 2006.

Tecnomacumba é fruto de uma pesquisa da influência da musicalidade africana na música popular brasileira. O show mistura pontos de umbanda e candomblé, com músicas brasileiras consagradas de Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Jorge Benjor, entre outros. Em algumas apresentações de Tecnomacumba, Maria Bethânia faz participação especial surpresa, cantando com Rita Ribeiro a música “Iansã”, de Caetano Veloso. O registro desse encontro esta no DVD. Uma produção para orixá nenhum botar defeito.

O show começa com a declamação de um texto sobre orixás, lutas e africanidade, executada pelo artista multimídia Xarlô. Além dos belos arranjos, que misturam muita percussão e batidas eletrônicas, bem executados pela banda Guerreiros de Aruanda, há uma bela cenografia, com iluminação impecável, em completa harmonia com as canções. Difícil afirmar qual é a melhor música, mas destaco “Cavaleiro de Aruand”, “Oração ao Tempo”, “Iansã”, “Rainha do Mar” e “Cocada”. Na hora em que é executada a canção “É de Oxum”, a bailarina Kiusam de Oliveira, faz uma bela participação, interpretando Oxum.

O show que assisti neste domingo (21) foi o último da temporada paulistana, no teatro do Sesc Santana. O teatro é um espaço muito comportado e exigia que o público permanecesse sentado. Foi impossível não chegar junto ao palco e dançar. Extremamente animado, o show se transformou num espaço ecumênico, no qual se compartilhou a alegria gerada pela música.

Rafael Munduruca (@munduruca)

Rafael Munduruca é jornalista e produtor cultural. Um nômade fixado em São Paulo, que ensaia um blog no qual gosta de experimentar coisas novas e outras nem tão novas assim.

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Fotos e vídeo: Rafael Munduruca

Imagem de topo: Lara Marx

O Beijo Bandido de Ney Matogrosso

São diversos os encontros que explicam a única paixão envolvendo toda a plateia. Ney Matogrosso tem à sua frente um público variado em idades e histórias, com diferentes memórias sobre o cantor. A face do Ney que canta na turnê Beijo Bandido, que esteve nos palcos paulistas nos dois primeiros finais de semana de março, é suave, de tons claros e mais contido – um contraste óbvio a ser feito nas comparações de sua carreira, que iniciou-se regada pela banda de rock (também consagrada com o estilo MPB) Secos & Molhados.

O que Ney reinventa no palco são canções normalmente ligadas ao amor e regravações que o cantor já arriscava em alguns shows antes do repertório da turnê, como “Bicho de sete cabeças” e “Da cor do pecado”. Em cada música, evidencia-se a potência de voz característica de Ney, que, apesar do tom mais sério, provoca a reação com discretos rebolados.


Ney interpreta “Da cor do pecado”, famosa na voz de Luciana Melo.

Ney abusa do acompanhamento de instrumentos de corda, como o cello, violão e violino, além de refinar sua voz acompanhada apenas das teclas de Leandro Braga, também diretor musical do show. Com o cenário em tons fortes de azul e vermelho se mesclando entre suas músicas no início do show, o presente final está em uma versão arrojada de projeções multicoloridas e luzes acompanhando a harmonia dos sons. Entre esses jogos visuais, ainda são projetadas imagens do próprio Ney, seja em danças ou em fotos especiais para a turnê.


“Invento”, música que inspira o nome do cd/show Beijo Bandido.

O que Beijo Bandido reserva, em particular, é a constatação de que Ney Matogrosso é um artista com uma forte presença de palco e uma personalidade que justifica o amplo leque de possibilidades que ele se permite dentro da música. Dizem que a diferença entre aqueles que apenas passam como uma banda ou um produto deixado pra trás e aqueles que permanecem intactos no mundo da música está na capacidade de ser transversal ao tempo. Isto Ney já provou – com ousadia e estilo.

Ana Maria Amorim (@anacronicas)

Ana Maria Amorim é jornalista. Com o blog Anacrônicas, revela textos que variam entre reflexões, lirismos e verdades marcantes. Nas palavras dela: “mergulha diariamente seus pensamentos em utopias, depois os rasga com realidade. Disfarça timidez com extroversão – sofrimento com sorriso. Ou vice-versa”. Aqui, fala sobre música com o olhar de quem transforma as notas em inspiração.

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fotos e vídeos: Ana Maria Amorim