A cura pela música

 
A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões.

Entre os músicos que acompanham Jefferson Gonçalves em sua trajetória, Kléber Dias, com seus mais de 30 anos de carreira, faz a diferença.

O grave tom de voz e os precisos solos de guitarra e bandolim levam autenticidade à mistura de ritmos durante as apresentações

Formação Musical
Depois de 30 anos que eu estou por aí, a verdade é que muitas coisas me instigaram. Mas a princípio foi ver pessoas tocando violão e eu fiquei muito interessado naquilo. Desde criança já me interessava pelo som do violão, eu queria saber como é que tocava para fazer aquilo. Aí comecei a ouvir rock’n roll, basicamente Beatles e ouvia muita música regional também porque meus pais são de origem nordestina, então eu tinha acesso àquelas músicas do Nordeste. Já na adolescência me interessei pela música mineira: Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini.

Mas basicamente o que me fez querer começar a tocar foi a sonoridade que você conseguia com determinados gêneros de música, principalmente Rock’n roll e blues.

 

Verdade pela música
A música é uma coisa muito importante na minha vida, então eu tento ser o mais verdadeiro possível com a música e o mais autêntico também. Então faço basicamente aquilo que você aprende, a vivência que você tem, tentando passar na música essas coisas, sentimento e tudo. Mas há também a questão de sonoridade: o som dos instrumentos, a combinação dos sons dos instrumentos com as vozes, eu gosto daquela coisa da vocalização tipo Pink Floyd, Jimi Hendrix, Beatles, pessoal que gosta de trabalhar com vozes.

Mas acho que o que qualquer músico que quer trabalhar de forma verdadeira quer passar é uma mensagem mesmo de otimismo, alegria. Hoje em dia eu não penso muito mais nestas questões de protesto. Acho que se eu pudesse abraçar uma causa eu gostaria de fazer o que Jimi Hendrix sempre fazia, que era curar com a música. A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões. Acho que estar passando alegria para as pessoas, satisfação, prazer em estar ali, um momento bom para se viver, já coroa a vivência da gente como músico.

Trajetória
O meu encontro com o Jefferson e o desenvolvimento deste trabalho e tudo o que ele nos trouxe foi bastante importante. E a gente ainda continua no processo, não chegou acho que ainda nem no meio do caminho.
Ter tocado com grandes músicos também foi muito bom porque me deu uma lição de humildade, uma lição de técnica, de conhecimento propriamente dito em relação à música.

Mas acho que fica como um dos mais duradouros e recompensadores esse trabalho com o Jefferson, que é muito legal. A gente tem vivido muitas experiências únicas. E os outros trabalhos até então não foram assim tão abrangentes. Mas foram muitos trabalhos expressivos: tocar com músicos reconhecidos, trocar conhecimentos sobre música regional com uma pessoa que é meu tio, que hoje, depois de muito tempo, voltou a tocar, ele tocava viola caipira quando era novo e voltou a tocar e a cantar agora com 72 anos. Então ver isso acontecer, ter aprendido com ele, é muita coisa. Muita coisa importante acontece quando a gente ama de verdade a música e quer fazer um trabalho verdadeiro.

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Agradecimento especial a Kléber Dias pela disponibilidade e atenção.

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Além do tradicional, aquém do virtuosismo

O que eu pretendo para o futuro é continuar vivendo de música com dignidade e focando no que eu gosto.

Pés no chão. Apesar de reconhecido como um dos maiores instrumentistas do Brasil, Jefferson Gonçalves toca pela alegria em estar no palco, e demonstra este sentimento de forma sutil, espontânea e com uma interpretação que demonstra o quanto gosta de tocar. Foi com essa mesma atitude e naturalidade que o gaitista Jefferson Gonçalves falou ao Estúdio ao Vivo sobre carreira, parcerias e repercussão do trabalho.

Formação Musical
Eu comecei a tocar gaita, na verdade, com 20 anos. Sempre gostei de música, mas como ouvinte. Meus irmãos escutavam muita música em casa e Rock’n Roll, música instrumental… Eu sempre escutei isso, mas com 20 anos eu fui procurar um professor e ter aula de gaita. Na verdade eu tive aula de gaita cromática, tocava valsa, choro, bossa-nova, achando que um dia fosse tocar o som que eu queria, que era Bob Dylan, Neil Young, Blues – e eu fui começar Blues através do Rock’n Roll.

Na verdade, eu não sou autodidata porque eu tive aula. Tive três professores: o Sebastião Dornelas, na cromática, tive o Flávio Guimarães, na diatônica, e depois o Zé da Gaita. Esses que eu considero como os meus professores mesmo, que me apresentaram. Mas até hoje eu tenho aula. Até hoje eu conheço vários gaitistas, vários músicos, estou sempre perguntando. José Staneck já me deu aula, Norton Buffalo, Peter Madcat, todo mundo [com quem] eu divido o palco eu estou sempre aprendendo, com qualquer músico. De um tocador de pife a um violeiro.

Não sou nenhum ótimo leitor de partitura, não uso então não leio tanto. O pouco que eu sei de música é focado para o meu instrumento e dentro da área que eu trabalho. Não sou aquele que conheço todos os estilos, todas as combinações harmônicas e sei improvisar em todas as combinações harmônicas. Dentro da praia que eu tentei seguir, eu tento fazer o melhor. Mas eu conheço o chão onde eu tô pisando. Por isso que eu não me arrisco em muitas outras coisas. Pra eu me arriscar eu vou parar e vou pesquisar, como eu fiz essa pesquisa para esse trabalho que eu faço hoje.

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Teto Azul: Blues e Baião para Viçosa

Durante as últimas semanas, foi anunciada a vinda a Viçosa (MG) de um do maiores instumentistas do Brasil, com trabalho reconhecido internacionalmente não só pela qualidade técnica e dinamismo com a gaita, mas pela inovação rítmica em composições que extrapolam o Rock tradicional.

Jefferson Gonçalves e a banda composta por Kléber Dias (voz, guitarra, dobro, violão de 12 cordas e bandolim), Sérgio Velasco (Guitarra, Marimbal, dobro, violão de 6 cordas, Lap Steel e vocal), Fábio Mesquita (baixo), Anderson Moraes (Bateria e Percussão) e Marcos Arruda (percussão, substituindo Marco B.Z. para este show) se apresentaram sexta-feira (07/12) como atração do Musical Box Alive XIII.

Jefferson Gonçalves, Anderson Moraes e Kléber Dias

No palco, a interpretação impecável de covers e músicas próprias que mesclam ritmos originários da cultura nordestina com Blues, Country e Folk. No público, a surpresa e a admiração de cerca de 300 pessoas que prestigiaram um show que, nas palavras do produtor Carlos Marques (responsável pelo Musical Box, junto a Breno Carvalho), fica marcado na história do Espaço Galpão.

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