A cura pela música

 
A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões.

Entre os músicos que acompanham Jefferson Gonçalves em sua trajetória, Kléber Dias, com seus mais de 30 anos de carreira, faz a diferença.

O grave tom de voz e os precisos solos de guitarra e bandolim levam autenticidade à mistura de ritmos durante as apresentações

Formação Musical
Depois de 30 anos que eu estou por aí, a verdade é que muitas coisas me instigaram. Mas a princípio foi ver pessoas tocando violão e eu fiquei muito interessado naquilo. Desde criança já me interessava pelo som do violão, eu queria saber como é que tocava para fazer aquilo. Aí comecei a ouvir rock’n roll, basicamente Beatles e ouvia muita música regional também porque meus pais são de origem nordestina, então eu tinha acesso àquelas músicas do Nordeste. Já na adolescência me interessei pela música mineira: Lô Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini.

Mas basicamente o que me fez querer começar a tocar foi a sonoridade que você conseguia com determinados gêneros de música, principalmente Rock’n roll e blues.

 

Verdade pela música
A música é uma coisa muito importante na minha vida, então eu tento ser o mais verdadeiro possível com a música e o mais autêntico também. Então faço basicamente aquilo que você aprende, a vivência que você tem, tentando passar na música essas coisas, sentimento e tudo. Mas há também a questão de sonoridade: o som dos instrumentos, a combinação dos sons dos instrumentos com as vozes, eu gosto daquela coisa da vocalização tipo Pink Floyd, Jimi Hendrix, Beatles, pessoal que gosta de trabalhar com vozes.

Mas acho que o que qualquer músico que quer trabalhar de forma verdadeira quer passar é uma mensagem mesmo de otimismo, alegria. Hoje em dia eu não penso muito mais nestas questões de protesto. Acho que se eu pudesse abraçar uma causa eu gostaria de fazer o que Jimi Hendrix sempre fazia, que era curar com a música. A cura não é uma cura de um mal físico, é uma cura ideológica, espiritual, mas sem grande pretensões. Acho que estar passando alegria para as pessoas, satisfação, prazer em estar ali, um momento bom para se viver, já coroa a vivência da gente como músico.

Trajetória
O meu encontro com o Jefferson e o desenvolvimento deste trabalho e tudo o que ele nos trouxe foi bastante importante. E a gente ainda continua no processo, não chegou acho que ainda nem no meio do caminho.
Ter tocado com grandes músicos também foi muito bom porque me deu uma lição de humildade, uma lição de técnica, de conhecimento propriamente dito em relação à música.

Mas acho que fica como um dos mais duradouros e recompensadores esse trabalho com o Jefferson, que é muito legal. A gente tem vivido muitas experiências únicas. E os outros trabalhos até então não foram assim tão abrangentes. Mas foram muitos trabalhos expressivos: tocar com músicos reconhecidos, trocar conhecimentos sobre música regional com uma pessoa que é meu tio, que hoje, depois de muito tempo, voltou a tocar, ele tocava viola caipira quando era novo e voltou a tocar e a cantar agora com 72 anos. Então ver isso acontecer, ter aprendido com ele, é muita coisa. Muita coisa importante acontece quando a gente ama de verdade a música e quer fazer um trabalho verdadeiro.

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Agradecimento especial a Kléber Dias pela disponibilidade e atenção.

Além do tradicional, aquém do virtuosismo

O que eu pretendo para o futuro é continuar vivendo de música com dignidade e focando no que eu gosto.

Pés no chão. Apesar de reconhecido como um dos maiores instrumentistas do Brasil, Jefferson Gonçalves toca pela alegria em estar no palco, e demonstra este sentimento de forma sutil, espontânea e com uma interpretação que demonstra o quanto gosta de tocar. Foi com essa mesma atitude e naturalidade que o gaitista Jefferson Gonçalves falou ao Estúdio ao Vivo sobre carreira, parcerias e repercussão do trabalho.

Formação Musical
Eu comecei a tocar gaita, na verdade, com 20 anos. Sempre gostei de música, mas como ouvinte. Meus irmãos escutavam muita música em casa e Rock’n Roll, música instrumental… Eu sempre escutei isso, mas com 20 anos eu fui procurar um professor e ter aula de gaita. Na verdade eu tive aula de gaita cromática, tocava valsa, choro, bossa-nova, achando que um dia fosse tocar o som que eu queria, que era Bob Dylan, Neil Young, Blues – e eu fui começar Blues através do Rock’n Roll.

Na verdade, eu não sou autodidata porque eu tive aula. Tive três professores: o Sebastião Dornelas, na cromática, tive o Flávio Guimarães, na diatônica, e depois o Zé da Gaita. Esses que eu considero como os meus professores mesmo, que me apresentaram. Mas até hoje eu tenho aula. Até hoje eu conheço vários gaitistas, vários músicos, estou sempre perguntando. José Staneck já me deu aula, Norton Buffalo, Peter Madcat, todo mundo [com quem] eu divido o palco eu estou sempre aprendendo, com qualquer músico. De um tocador de pife a um violeiro.

Não sou nenhum ótimo leitor de partitura, não uso então não leio tanto. O pouco que eu sei de música é focado para o meu instrumento e dentro da área que eu trabalho. Não sou aquele que conheço todos os estilos, todas as combinações harmônicas e sei improvisar em todas as combinações harmônicas. Dentro da praia que eu tentei seguir, eu tento fazer o melhor. Mas eu conheço o chão onde eu tô pisando. Por isso que eu não me arrisco em muitas outras coisas. Pra eu me arriscar eu vou parar e vou pesquisar, como eu fiz essa pesquisa para esse trabalho que eu faço hoje.

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Teto Azul: Blues e Baião para Viçosa

Durante as últimas semanas, foi anunciada a vinda a Viçosa (MG) de um do maiores instumentistas do Brasil, com trabalho reconhecido internacionalmente não só pela qualidade técnica e dinamismo com a gaita, mas pela inovação rítmica em composições que extrapolam o Rock tradicional.

Jefferson Gonçalves e a banda composta por Kléber Dias (voz, guitarra, dobro, violão de 12 cordas e bandolim), Sérgio Velasco (Guitarra, Marimbal, dobro, violão de 6 cordas, Lap Steel e vocal), Fábio Mesquita (baixo), Anderson Moraes (Bateria e Percussão) e Marcos Arruda (percussão, substituindo Marco B.Z. para este show) se apresentaram sexta-feira (07/12) como atração do Musical Box Alive XIII.

Jefferson Gonçalves, Anderson Moraes e Kléber Dias

No palco, a interpretação impecável de covers e músicas próprias que mesclam ritmos originários da cultura nordestina com Blues, Country e Folk. No público, a surpresa e a admiração de cerca de 300 pessoas que prestigiaram um show que, nas palavras do produtor Carlos Marques (responsável pelo Musical Box, junto a Breno Carvalho), fica marcado na história do Espaço Galpão.

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A arte de multiplicar

Entre bom humor, um senso critico apurado e sem medo de falar o que pensa e sente, o vocalista da banda Pedra Letícia, Fabiano Cambota, falou ao Estúdio ao Vivo no ultimo dia 04 de dezembro, em Viçosa (MG). Horas depois, a banda faria uma apresentação na festa Viçosa Folia para um publico de cerca de 3000 pessoas.

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Agradecemos a Fabiano Cambota pela entrevista e pela disponibilidade em nos atender e ao produtor Júnior pela atenção.

Tropeça que é Rock

O público que se encaminhava para a Festa do Pijama no Espaço Multishow em Viçosa/MG – tema do primeiro dia do Viçosa Folia, sexta 27/11 – já cantava o sucesso “Como você pode abandoná eu”. De autoria do vocalista Fabiano Cambota, a canção de Pedra Letícia (Fabianinho Áquila, voz e baixo; Thiago Sestini, percussão) traz o humor recorrente em todas as canções do disco homônimo. Com influências de Ultraje a Rigor, Blitz, Odair José, Sidney Magal e Reginaldo Rossi (com quem gravaram “Em plena lua de mel”), a banda se autodefine “brega-pop-rock com pitadas de Luiz Caldas”.

Fabiano Cambota, Fabiano Áquila e Thiago Sestini, integrantes da banda Pedra Letícia

Este estilo inusitado e a autenticidade do trio ficam evidentes na apresentação ao vivo, que contou ainda com os músicos Zé junqueira (bateria) e Fabio Pessoa (guitarra). Com versatilidade, a banda interpretou o repertório que incluiu músicas do CD próprio e versões irreverentes de canções marcantes dos anos 80, infantis, sertanejos e pops, como “História de uma gata” (Chico Buarque), “O vira” (Secos e Molhados), “Carimbador Maluco” (Raul Seixas), “Fio de Cabelo” (Chitãozinho e Xororó), Meu sangue ferve por você (Sidney Magal) e Baba Baby (Kely Key).

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A força do Rock, o improviso do Blues

Uma mistura de influências, personalidade vocal, arranjos inusitados e acordes precisos.

Entre espontaneidade e uma energia que contagiou o público do Projeto Musical Box Alive XII, a banda tricordiana Flávia Duboc Blues Band subiu pela primeira vez ao palco no dia 07 de novembro, em Viçosa – MG.

Banda Flávia Duboc Blues Band e produção do Musical Box Alive

A estréia, carregada de experiência e sintonia entre Júlio Paiva (bateria), Cristiano Lemos (guitarra), Cristiano Valério (contra-baixo), Fernando LemosTanando – (guitarra e vocais) e Flávia Duboc (vocal), refletiu a qualidade dos músicos e o processo de produção do primeiro CD da banda, em fase de finalização.

Antes do show, os integrantes conversaram com o Estúdio Ao Vivo sobre a estréia nos palcos, as influências e a reunião de músicos para trazer a força do Rock’n Roll à tradição do Blues.

A reunião dos músicos
Tanando - Eu sou tricordiano mas morei 23 anos em BH, então eu toquei com todo mundo lá: Samuel, antes de Skank, conheço ele há mais de 20 anos, desde 1983; o Marco Túlio do Jota Quest foi tecladista da minha banda, que chamava Outsider, de Blues Rock também, e por aí vai.

A experiência de Fernando Barbosa (Tanando)

A experiência de Fernando Lemos (Tanando)

Quando eu voltei para Três Corações, depois de 23 anos, eu quis continuar. E o Cristiano baixista e o Cristiano guitarrista têm formação de banda de baile, tocaram muito tempo em banda-show, o Julio é formado em bateria em consevatório, fez aula até com o Tom Zé, eu tinha uma banda em Três Corações chamada “Lá vai porva”. Mas aí quando eu conheci a Flávia lá em Cambuquira, a gente resolveu gravar um CD. E eu fiquei fascinado com a h ipótese de ter uma mulher tocando, porque eu adoro vocalista mulher de Rock’n Roll. Sempre procurei isso em BH e não consegui, e nunca imaginei que fosse encontrar ela lá do lado da nossa fazenda, em Cambuquira.

Flavia – E ele veio de BH e eu de Macaé.

Tanando - E tem mais essa, a Flávia morava em Macaé, eu morava em BH. O lha o tamanho do Brasil. Eu mudei pra fazenda, ela mudou pra Cambuquira, a gente se conheceu e resolveu montar a banda porque isso já era um projeto que eu tinha há muito tempo, de fazer uma banda de Blues Rock’n Roll. Não é u ma banda de Blues específico. Você vê que é bem pauleira.

Eu tenho uma banda que eu já toquei com os dois “Cristianos”, a Flávia tem a banda dela que é lá de Cambuquira, mas a gente resolveu montar uma banda de Blues Rock. Então vocês estão tendo a oportunidade de ver em primeira mão.

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“Não é só música, é Poesia”

A interpretação de uma música de The Beatles durante o Camping Rock abriu espaço para a confirmação da banda A Ruga, de Belo Horizonte, como uma das atrações do Musical Box Alive XII (sábado, 7 de novembro, Espaço Galpão).

Thiago Cruz (vocais, violão e gaita), Di Páscua (baixo), Mauro Fiereck (guitarra) e Wilks Rogers (bateria) chegaram à Viçosa com um repertório que incluiu como principal canção a ópera Rock Tommy (The Who), além de clássicos dos anos 70 e músicas próprias.

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Mesmo quem já acessa o Palco MP3 e se deparado com as gravações da banda, se surpreende com a performance ao vivo – tanto pelo estilo de tocar/cantar quanto pelo visual apresentado.

Com o primeiro CD em fase de pós-produção e divulgação, os músicos já preparam as composições do segundo álbum. Antes do show, conversaram com o Estúdio ao Vivo sobre a carreira e a importância de se valorizar projetos como o Musical Box Alive, no sentido de “dar força para essa cultura mais rebuscada, porque não é só música, é poesia”.

Inquietações musicais
Thiago Cruz - Era uma vontade em comum de fazer o que a gente gostava e levar para todo mundo o que a gente sabia fazer, o que a gente tinha de bom.

Infelizmente a gente mora num lugar, Belo Horizonte, que por mais que seja uma grande metrópole, culturalmente é extremamente difícil. Não tem facilidade lá pra gente. Então, sendo uma banda independente, a gente pode tocar em qualquer lugar e tocar fora de BH, levar um pouco da nossa realidade, a realidade que a gente coloca na nossa música para o pessoal de fora.

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Di Páscua impressiona pelo modo de tocar, e Thiago pela performance no palco

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É tempo de Alceu

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No último sábado (31), o conhecido sotaque nordestino de Alceu Valença ecoou pelo Espaço Aberto de Eventos da Universidade Federal de Viçosa com o ritmo que sustenta com autenticidade desde o início da carreira.

Em turnê com o disco Ciranda Mourisca, Alceu reedita, junto aos músicos Paulo Rafael, Rissashi Honda, Dito Inácio, Edwin de Olinda, Jean Dumas e Fernando Nunes, canções “lado B”. No entanto, o cantor não deixou de apresentar músicas como Coração Bobo, Morena Tropicana, Girassol, La Belle de Jour e Sabiá, cantadas por grande parte do público presente no encerramento da Nicolopes 2009.

A festa teve início por volta de 16h com a banda Bartucada em trio elétrico, que prosseguiu do Estacionamento do PVB (UFV) até a Avenida PH Rolfs e, depois, com som mecânico e discursos de organizadores e apoiadores, até a Avenida Santa Rita. O evento ainda contou com participação dos vencedores do Festival de Bandas Nicolopes: NV Rap.

Antes do show, realizamos entrevista exclusiva com Alceu Valença. Confira:

fotoAlceu por Alceu

A essência continua a mesma. Porque as minhas músicas vêm das minhas referências culturais e as referências culturais minhas são, sobretudo, brasileiras. Evidentemente que eu não vou fechar os ouvidos às coisas que acontecem também fora do país, mas isso é 5%.

Ciranda Mourisca

Em Pernambuco tem um ritmo chamado ciranda, um gênero musical, e eu venho fazendo isso esporadicamente. Desde o primeiro disco que eu fiz essa história. Só que a partir de agora, neste disco, eu quis reunir várias músicas que tinham a ver com o tema desse tipo de música do povo, que toca na beira da praia. Hoje em dia está um pouquinho caído já essa história, porque a modernidade é boa por um lado, mas acaba com determinadas coisas, sobretudo a inocência, a beleza e a espontaneidade.

Popularidade

Mas essas minhas músicas não vão ficar populares também não. Não ficam porque minhas músicas não tocam no rádio. Minha música se sustenta muito por causa do meu show mesmo. As pessoas veem meu show, falam pras outras que gostaram, essas pessoas virão e falarão pras outras. Então meu público é um público que se renova a vida toda. Aliás, se renova e ao mesmo tempo fica com gente muito mais velha também.

A Luneta do Tempo

Eu tenho essa questão do tempo. O tempo pra mim não existe, o tempo pra mim é elástico. Ele vai pra frente e pra trás. Vou fazer até um filme agora chamado “A Luneta do Tempo”, em que eu discuto essas loucuras.

Quando eu fiz 50 anos, eu comecei a pensar isso. Aliás, eu sempre dentro da minha música, dos meus discos, eu falo sobre o tempo. Tempo é uma coisa neurótica. Mas com 50 anos eu tinha um menino de 3 anos. Então, eu fiquei pensando sobre o tempo. E depois me lembrei que o tempo está passando pra ele, pra mim, pra você, pra ela, pr’aquele cara que tá passando ali, pr’aquele menino ques está ali. O tempo é uma coisa que passa pra todo mundo. Mas quando eu falo do tempo é uma questão de discussão filosófica a respeito do porquê. O porquê da existência… Mas isso não é uma grande novidade porque Aristóteles já pensava isso na Grécia.

Música Nordestina

É uma música que tem uma raiz. Mas atualmente é um fenômeno que está acontecendo que os artistas deixaram de ser artistas para ser comandados pelos donos de bandas, empresários que não conhecem coisa nenhuma de música, absolutamente nada. E que podem até fazer aquela música: se eles não dissessem que aquilo é forró, tudo bem. Pode ser potó. Pode ser bidó. Pode ser popó. Mas forró não é. O que aconteceu: eles colocaram o nome de forró naquela história para poder tomar as festas de são joão, eles participarem das festas, nessas prefeituras, então tinham que colocar o nome de forró.

Então, porque são absolutamente competentes na área do negócio, eles conseguiram tirar a rapaziada, as pessoas que faziam a coisa verdadeira. Então é aquela coisa de comércio e mais nada. Aliás, o mundo tá virando um pouco assim: só comércio.

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A produção havia anunciado a participação da Banda Muito Mais  e a abertura do show pelo grupo NV Rap, o que não ocorreu.

Agradecemos ao produtor Dino e ao cantor Alceu Valença pela atenção e por nos proporcionar um dos melhores shows que já acompanhamos pelo Estúdio ao Vivo.

Site Oficial Alceu Valença

Foto: Amanda Oliveira
Imagem de topo: Lara Marx

Snowblind: de fãs a ídolos

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Nove anos de história, reconhecimento e muita técnica instrumental e vocal: a banda Snowblind, de Belo Horizonte, se apresentou no último dia 17 de outubro em Viçosa, no espaço de shows Galpão, como parte do Projeto Donaxica.

André (guitarra), Breno (vocal e guitarra), Leo (voz e guitarra), Bernardo (baixo) e Lucas (bateria) mantêm um repertório que reúne o início, o lado B e a fase mais recente do grunge de Pearl Jam em cerca de 50 músicas.

De “Amigos do Pitbull” a Snowblind
Lucas - Eu e um outro amigo nosso, o Mingau, tínhamos vontade de montar uma banda e tocamos com o Leo. Acabou que essa banda não deu certo e, nesse meio tempo, eu conheci o André.

A banda que eu tocava com o Leo já estava acabando e ele falou: “Pô Lucão, tava querendo montar uma banda e tocar uns Pearl Jam”. Na época, eu tocava com outros caras também em outra banda e juntei com o André e o Leo e montamos a Snowblind.

Na verdade ela não chamava Snowblind, o que é bem engraçado porque ela chamava “Inimigos do Pitbull” (rs), mas na época ela era uma bandinha bem de garagem mesmo e a gente tocava o que toda banda de garagem toca. Fomos amadurecendo a ideia de fazer cover do Pearl Jam e facilitou pela voz do Leo e por a gente gostar também de tocar. Começamos em alguns lugares de Belo Horizonte em 2000, participamos de um festival que foi muito bom pra gente e acabou que a banda foi criando um nome no cenário de Belo Horizonte.

Leo – A gente tocava muita coisa: Black Sabbath, era uma mistureba do caramba. Só que Pearl Jam era a coisa que eu mais sabia fazer. Aí resolvemos dar ênfase ao Pearl Jam.

A escolha do nome

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Leo – É porque nós participamos de um concurso, que o Lucão inscreveu a gente naquela correria e eu lembro até hoje que ele estava na internet, naquele ICQ que ninguém mais usava: “Leo, eu preciso agora de um nome pra banda”. E eu não tinha a mínima ideia. Aí ele falou que ia colocar o nome de uma música do Black Sabbath. Eu disse que ficava ao critério dele e surgiu Snowblind.

Tem lugar que a gente toca, que muita gente entra e paga o ingresso achando que é Black Sabbath. Mas depois respeita, conversa com a gente.

O público
Leo
- Ontem mesmo eu fui em um aniversário de um amigo de Carol, minha namorada, e encontrei com dois caras que vão direto nos shows da Snowblind. São fiéis à banda, estão com a gente desde que começou. E é interessante porque o público do Pearl Jam, com a Snowblind em Belo Horizonte, é a mesma coisa: a galera vai em peso, a gente encontra as mesmas pessoas, vê as mesmas caras.

André - E foi uma coisa totalmente despretensiosa, a gente não sabia que ia dar essa dimensão de público.

Bernardo – Eu estou na banda há menos tempo e eu estava conversando com a minha irmã que o pessoal tinha me chamado para tocar em uma banda cover de Pearl Jam e ela perguntou como chamava. Aí liguei para o Aranha e perguntei como chamava e ele disse Snowblind. E ela: Snowblind? Você vai tocar na Snowblind? Nossa, essa banda é doida demais, entra logo, começa a tirar as músicas agora”. Pensei que era a banda mais famosa de todos os tempos, porque ela estava mais empolgada do que eu.

Lucas – Só que aí ele morreu na praia né? (rs)

A formação e os músicos
Breno – Eu fui o último a entrar na banda, tem uns três anos, mas saí e voltei há um ano e pouco.

Leo – O mais interessante da Snowblind é o seguinte: o direito de ir e vir é total. Sai um, entra outro, porque o nosso vínculo com pessoas igual o Breno, ou o próprio Diogo que é um outro guitarrista que tocou no Snowblind, é muito grande. Todos são pessoas que estão há muito tempo em convívio. Se, por exemplo, o Breno não pode vir até Viçosa por algum motivo dele, tem um outro guitarrista que tocou com Snowblind há muito tempo que vai substituí-lo com o maior prazer. A Snowblind na verdade não são cinco, são uns dez, porque muita gente que tocou ainda tem a liberdade de um dia novamente fazer um show com a Snowblind.

Lucas – Quando eu montei a banda, fiquei tocando uns quatro/cinco anos, saí da banda, toquei com outros caras e estou aqui de novo. E a gente preza muito essa amizade que durante os anos a gente vem fazendo com outros músicos e sempre poder contar também com o apoio de muita gente, de muita gente gostar, respeitar o som da banda e outros músicos até requisitados no mercado quererem tocar na Snowblind. É muito legal ser uma banda respeitada no cenário principalmente de BH, que é muito exigente e muito fechado também.

Pearl Jam por Snowblind
Leo – Pearl Jam não é muito fácil de tocar. A maioria das músicas são muito detalhadas, pra tirar perfeito é muito complicado e exige tempo de todo mundo, tanto meu vocal quanto a guitarra do Aranha, do Breno, a bateria do Lucão, o baixo do Bernardo. Mas a gente enfatiza o som do Pearl Jam na origem. Muita gente fala que é muito pesado, mas é que o Snowblind leva o som do Pearl Jam do início, entre 1990 e 1993.

Quem vai vir hoje aqui no Galpão vai escutar Jeremy, Alive, Black… é o percussor mesmo, são as primeiras músicas do Pearl Jam. E levamos o lado B também no meio do repertório, não são só os hits. Porque o que adianta uma banda ser cover de Pearl Jam se todo mundo toca as mesmas músicas?

Snowblind enfatiza o lançamento do Pearl Jam, totalmente lúdico, mas é o fim também. Levamos músicas do último CD, mas a gente enfatiza mesmo é o início, que é também o que a gente mais gosta e o que todo mundo quer escutar. Pessoal que vai a um show do Snowblind se a gente não tocar Alive, Black, Jeremy eles não deixam acabar o show.

Lucas - Na verdade, quem é muito fã de alguma banda, igual a gente é fã de Pearl Jam, às vezes preza mais o lado B. A gente gosta mais de tocar o lado B porque agente passa a perceber as músicas de uma outra forma que talvez a maioria das pessoas que não escutam tanto, não vejam.

Bernardo – Mas ao mesmo tempo chegar aqui e tocar o que todo mundo quer ouvir e ver a galera correndo para o palco para tocar junto dá aquela garra, aquela energia.

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Não era preciso ser fã do grupo Pearl Jam para perceber: de solos de guitarra e bateria ao timbre de voz e interpretações, o que se destaca no show de Snowblind é a perfeição técnica que os integrantes valorizam e, ao mesmo tempo, a espontaneidade e emoção que transparece em cada música.

A vitalidade que o grupo demonstrou no palco refletiu-se na animação do público: a troca de energia adiou o término do show por seis canções. Entre interpretações menos ou mais conhecidas, o coro de admiradores de Pearl Jam juntou-se à harmonia de acordes e, sob o grave tom do vocalista Leo, se transportou para uma noite em Seattle.

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Donaxica
Sob produção de Lara Monteiro, Camila Faria, Pedro Ezequiel e Rafael Vitarelli, o projeto Donaxica tem o objetivo de “trazer à cidade bandas de médio porte que façam referência a bandas conhecidas e já consagradas no cenário musical brasileiro e internacional”.

O show de Snowblind inaugura o Donaxica com o público de cerca de 450 pessoas, contando também com a atração UprojetU, de Viçosa, que tem se destacado no cenário musical da cidade.

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Agradecimentos especiais para os integrantes da banda Snowblind e para a produção do Projeto Donaxica.

Imagem de topo e fotos: Lara Marx.

Nicoloco parte 3 – Bahia em Minas

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O encerramento da festa Nicoloco foi sob o comando de uma baiana. Natural de Itapetinga, Tatiana Meira e os 11 músicos da banda Axé Mondo assumiram o palco já por volta das 20h40 do sábado (17-10), com um repertório que incluía também músicas próprias.

Antes do show, a vocalista Tatiana falou ao Estúdio ao Vivo sobre a carreira:

Bahia e Minas
Em Minas Gerais a aceitação [do Axé] é bem maior do que na Bahia. Eu como baiana, você também, nós sabemos que lá toca muito forró, muito arrocha, o Axé quase não é tocado. Só nas Micaretas em geral. Minas Gerais hoje é a maior consumidora de Axé no Brasil. Então para nós, baianos que estamos aqui em Minas fazendo trabalho no Axé, é muito legal, a gente pode trabalhar bastante.

Músicas Próprias
Nossas músicas são muito dançantes, tem coreografia, então fica mais fácil para o pessoal cantar. A gente ensina antes e o público dança com a gente.

Pelo Brasil
A gente toca bastante no Rio de Janeiro, nas cidades próximas, como Juiz de Fora e Muriaé, e também no Espírito Santo. Com certeza é muito difícil para uma banda que está começando porque depende muito de investimento e de um empresário que queira investir no seu projeto.

Por enquanto a gente está indo devagarzinho e eu acho até melhor, porque você vai sentindo, vai crescendo no seu trabalho. Isso é bem importante também. É claro que a gente quer sucesso. Mas, enquanto não vem, a gente vai curtindo essa fase boa em que a gente está.

Novos Trabalhos
A gente vai gravar no final do ano, no reveillon, estamos planejando gravar o DVD e o CD.

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Agradecemos aos integrantes da banda Axé Mondo e, em especial, à vocalista Tatiana Meira.